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Um dos principais apontamentos negativos sobre o mercado de produções BLs (Boys Love) no mundo todo, é em relação a ausência de atores assumidamente LGBTs interpretando personagens que são, canonicamente falando ou não, parte da comunidade. É possível contar nos dedos a quantidade de séries e filmes BLs protagonizados por gays ou bissexuais. Essa discrepância é motivo de muito questionamento, pois ela faz com que essas poucas obras tornem-se ainda mais raras na indústria.

Ocean Likes Me é um exemplo perfeito disto. O BL coreano gerou uma empolgação gigantesca por ser, de maneira quase inédita, encenado por um ator abertamente gay. Holland, como muitos conhecem, é um dos únicos Idols de K-pop a declarar a sua sexualidade publicamente, então, pela coragem e força do artista, o que se esperava deste drama, era um BL pronto para fazer história. Mas, infelizmente, isso não aconteceu.

O plot sobre o cantor malsucedido Tommy (Holland) que após ser atropelado pelo chefe de cozinha Han Ba Da (Han Gi Chan) resolve ajudá-lo com as dificuldades de prosseguir com o seu novo empreendimento gastronômico, parece não convencer o público como deveria. Isso porque o roteiro é extremamente básico, tornando o desenvolvimento excessivamente plano, sem muito o que surpreender. Diante desse problema inicial, a direção precisa a todo instante optar por pequenas reviravoltas cuja grande parte não funciona em nenhum aspecto.

Além disso, a atuação de Holland é de longe uma dos pontos falhos da produção. É quase impossível levar a sério o que ele faz em tela. A interpretação do cantor rende expressões vazias, emoções completamente superficiais e o personagem, coitado, ganha uma roupagem boba, travada e insuportável de assistir na maioria das vezes. Já Han Gi Chan, conhecido por ter sido um dos atores pioneiros na indústria BL coreana após o seu papel no importantíssimo Where Your Eyes Linger, de 2020, consegue segurar as pontas com uma performance superior a do seu parceiro, porém, ainda assim pouco satisfatória.

Em outro eixo de análise que justifica a má execução do BL, temos os aspectos técnicos, que também surgem cheios de falhas. Do áudio que sofre bastante interferências, até os erros imperdoáveis de continuidade, como mesas e cadeiras que aparecem e desaparecem do nada no cenário, Ocean Likes Me esbanja amadorismo, principalmente, se destacarmos algumas cenas em particular, tipo a do atropelamento de Tommy, uma das mais vergonhosas já feitas na história — sem nenhum exagero.

No final das contas, absolutamente nada aparenta compensar positivamente a presença de um ator gay finalmente protagonizando um BL coreano. Por este e outros motivos já citados brevemente, Ocean Likes Me pode facilmente ser descrito como uma das maiores decepções do ano.

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