Você é uma mulher de 42 anos, bem sucedida em sua carreira de escritora e muito bem casada, eis que você descobre que seu marido está te traindo com uma bailarina de 23 anos, como lidar com isso?

É o que mostra o papel de Luana Piovani em O Homem Perfeito, um filme que traz muitas reflexões, apesar de ter como objetivo apenas risadas e diversão, sendo esse o maior ponto do filme, tão engraçado que você queria que não tivesse um final, e realmente não tem.

o homem perfeito
O Homem Perfeito (Imagem Divulgação)

Desenvolvimento

O desenvolvimento da história caminha tranquilamente com o humor escalado em cenas variáveis, seja ela uma construção da história ou de romance, sem parecer pastelão ou exagerado, ter piadas nos momentos certos faz valorizar muito mais o filme, pois a trama é um tanto rasa e simples o bastante para te perder, mas o alívio cômico te deixa preso no filme em grande parte.

Um detalhe mais do que importante nesse filme foi o símbolo de Luana Piovani não ser retratada de forma sexista, ao contrário do filme Mulher Invisível, em O Homem Perfeito ela faz uma bem sucedida escritora, que vive um caos amoroso com seu marido e se envolve com uma pessoa completamente contrária de sua visão de um homem ideal, trabalhando aquela frase “os opostos se atraem”.

Em coletiva ela destacou isso, esse foi seu primeiro papel onde ela não é vista como a mulher desejada, e sim a rejeitada, mesmo com uma cena de sexo, ainda sim não é visto de forma sexista, pois é uma cena de humor, e isso é muito importante, além de mostrar o talento e a beleza intelectual de Luana Piovani que ela sempre teve, mas não era visto por ser uma mulher atraente e muitas vezes vista apenas pelo seu belo corpo.

Os Opostos se Atraem?

Entretanto, ainda falando da cena de sexo onde trabalha o casal de Luana Piovani como Diana e Sérgio Guizé como Carlos Eduardo, deve ser destacado a falta de química deles, mesmo que nitidamente isso iria acontecer, você se nega a acreditar, claro que a ideia de os opostos se atraem é interessante, mas pelo nível de diversão que estava, um casal nessa história poderia ser completamente descartado, e Diana poderia ter ficado sem ninguém no final, ou até ter colocado uma cena curta onde ela troca olhares com outra pessoa, até se ela tivesse formado casal com Mel, o papel de Juliana Paiva, faria um pouco mais de sentido apesar de forçar um casal para a trama.

Esse final não faz jus ao belo filme que foi assistido, pareceu um fim de história forçado no “felizes para sempre” só para mostrar uma espécie de arrependimento pelo jeito de moleque de Carlos Eduardo ou uma sensibilidade maior da racional Diana, o que funcionou sem precisar juntar os dois, infelizmente um fim bem desapontador e muito água com açúcar para uma trama sensacional temperada com humor na dose certa.

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Luana Piovani em O Homem Perfeito (Imagem Divulgação)

Reflexivo sobre o símbolo da mulher

Reflexivo sobre o símbolo da mulher e de casais em geral, te fazendo rir do início ao fim, final esse que pode ser desconsiderado facilmente, O Homem Perfeito é mais um filme nacional que vai agradar a todos os públicos, têm grandes chances de sucesso de bilheteria e só exalta ainda mais a qualidade de bons filmes em terras brasileiras.

O filme já está em cartaz em todos os cinemas, e pode ser colocado como uma comédia romântica muito melhor do que muitas produzidas nos estúdios de Hollywood.