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Depois do genial “Corra” (Get Out), filme de horror de estreia do roteirista e diretor Jordan Peele, todos estavam ansiosos pelo seu novo longa “Nós” (Us) que veio como uma promessa dos melhores filmes de terror de 2019.

Com um elenco de peso, e Lupita Nyong’o como protagonista, a trama central do filme gira em torno de uma família que vai passar as férias na praia, e durante a noite é visitada por um grupo misterioso e ameaçador.

Para mim, é difícil falar sobre “Nós” porque eu sinto que estou a margem das outras críticas. Quando saíram as primeiras resenhas, não faltaram elogios a obra, e eu – como amante de terror (e do filme anterior do diretor) – fui com as mais altas expectativas ao cinema.

Não é que o filme seja ruim, ele não é, mas eu sinto que Peele – em sua busca por alcançar uma profundidade maior do que o longa permitia – acabou se perdendo, e fazendo com que o filme se tornasse maçante e até mesmo pedante.

Eu não sou contra falar sobre temáticas sociais nas produções cinematográficas, muito pelo contrário, e eu acho que o roteirista e diretor arrasou em sua produção anterior, que entrou para a minha lista de filmes favoritos. Mas “Nós”, apesar de iniciar bem, acaba se perdendo na metade para o fim da trama. Eu achei interessante o plot, e até mesmo como Peele explicou os eventos “sobrenaturais” do filme, dando a ele mais uma cara de ficção científica com ares de conspiração governamental. Mas não pude deixar de sentir um gosto amargo no final, e quando eu sai da sala – ainda refletindo sobre o que havia assistido – fiquei frustrada por não achar ele “incrível” como todos estavam dizendo.

Pessoalmente não sou a maior fã de comédia em filmes de terror, mesmo assim, eu também não sou contra desde que ela seja administrada de maneira cabível. Até sou fã do gênero TERRIR (nome dado a mistura de terror e comédia, marcado por sucessos como “Pânico”), mas em “Nós” eu achei mal administrado, forçado, até o ponto de dizer “chega, só pare”.

Também não gosto das explicações em excesso, gosto mais quando o diretor deixa as respostas nas entrelinhas, levando a gente a refletir sobre o que vemos, a pensar além do que é oferecido, e “Nós” não se arrisca nisso, entregando a fórmula prontinha, todas as soluções, todas as respostas, escancarando o “mistério”, e isso também contribuiu para minha opinião final.

Ressalto, porém, que – como disse anteriormente – minha opinião não está alinhada ao dos especialistas em cinema, que consideraram o longa mais um sucesso do diretor.
Apesar de não ter gostado do filme, eu recomendo que cada um assista e tire suas próprias conclusões. Sendo bem sincera, eu mesmo ando pensando em vê-lo de novo, porque não consigo entender como acabei sendo a única a não gostar (risos).

Como pontos positivos (e eles existem) destaco as atuações, a trilha sonora e a fotografia. O filme é muito bem feito, muito bem produzido e muito bem encenado. Meus problemas são, exclusivamente, com o roteiro e condução do longa, porque de resto, é um filme lindo de ser ver e ouvir.