Compartilhe:

MUCC estreia no Brasil com show único na história do Anime Friends

spot_img

Continuando nossa cobertura do Anime Friends 2026, dessa vez a matéria é um tanto pessoal. A visita inédita do MUCC no Brasil não passou batido pelo coração de um grupo seleto, mas de dedicada paixão, de pessoas que acompanham a banda há mais de 15, se pá 20 anos. E este que vos fala é uma dessas pessoas. Qualquer outro anúncio que veio antes ou depois, ainda que muito bem apreciado, pouco importou depois desta que foi a atração que fez com que a consciência batesse o martelo: “Okay, eu VOU no Anime Friends”.

E como foi a experiência de compartilhar o mesmo teto do Distrito Anhembi com a banda? Tudo começa com o show, pelo menos para os desafortunados que não puderam cumprimentá-los no Meet & Greet. Comecemos pela cereja do bolo, até para justificarmos o título desta matéria.

mucc anime friends 2026
Foto: @sucodm / Erick

Porque vejam só vocês, é muito fácil chegar aqui e dizer que um show foi único. A rigor todo show o é, se você cair naquela vibe de que “não é possível nadar duas vezes no mesmo rio”. Não, não. Todos que acompanhamos as atrações do Anime Friends temos alguma ideia do leque de músicas e estilos apresentados e, de algum jeito, esperados. Sabemos o tipo de música que ouviremos numa Haruka Kanata da vida. Ou um The World, se lembrarmos do show do Nightmare na edição passada. E não engano ninguém, o próprio MUCC tem músicas desse tipo, como Nirvana, abertura de Inu x Boku SS. Só que tivemos mais, tivemos muito mais do que isso.

O show do MUCC parece que foi bem pensado pra ser tanto o tipo de apresentação esperada num evento de anime, quanto um show ciente de que ali haviam fãs de longa data aguardando a vida inteira até então por aquele momento. E a setlist refletiu essa diversidade, com Seiren preenchendo o palco principal do Anime Friends com uma ambiência até então nunca antes vista nos seus primeiros minutos, calmos, criando a tensão com os compassos limpos de Miya na guitarra, dramatizada pelas fortes baquetadas de Natsu, baterista suporte no MUCC e baterista oficial do Nocturnal Bloodlust (que por sinal, também estará no Brasil daqui a pouco). A primeira música fez muita justiça como abertura de show, ela própria versátil em si mesma transitando entre partes calmas, pesadas, melódicas e com um interlúdio casando breakdown e drop de dubstep. Tudo isso mantendo a coesão de uma música encantadora em seus sete minutos.

mucc anime friends 2026
Foto: @sucodm / Erick

Esse primeiro momento já avisava aos presentes que aquele show seria um mosaico de sons. O show continuou com Nirvana, cumprindo a cota de anisongs. Em seguida, duas queridas para os fãs da banda: Saishuu Ressha, trilha clássica dos anos 2000, e G.G, a primeira de duas músicas bem festivas com espaço para o público cantar em coro. Logo em seguida, Classic entrou para a alegria dos fãs de Nanatsu no Taizai.

Aqui o show volta a ter um clima bastante experimental, dando prova ao título de nossa matéria. Under the Moonlight dançava com ritmos eletrônicos e fortes delays de guitarra. Quando a música acabou, Miya se sentiu à vontade para brincar um pouco de cover de BUCK-TICK na guitarra, despertando o Steve Rogers que havia dentro deste redator. A Ai no Uta começou com uma reverência à Uta, do álbum Six/Nine de BUCK-TICK. Por sorte, conseguimos confirmar essa homenagem no dia seguinte, durante o bate-papo da banda para o AF Arena. Por isso não só o riff de Ai no Uta, como o próprio ritmo swingado da música como um todo são tão familiares.

mucc anime friends 2026
Foto: @sucodm / Erick

E então temos o momento em que Iris entra em cena. Apesar da música ser recente, ela traz um MUCC bem raiz, com linhas de rap, ritmos de reggae e o peso descomunal do baixo de Yukke, acompanhado berros rasgados bem característicos do Tatsurou. Ali ficou a tensão entre vislumbrar o show ou bater a cabeça ouvindo aquela pedrada enquanto havia a oportunidade. Porque depois de um breve aceno para o público, Yue ni Manterou voltou ao rtimo alegre e animado pra dar um respiro antes da pancadaria estancar.

Pancadaria, sim. Porque assim que foram ouvidas as primeiras notas de Ranchuu, todo mundo sacou a ideia na hora e A roda abriu. O mosh cantou solto pra mais esse clássico que quase sempre está presente nos shows do MUCC. E só isso não bastou. Mesmo Tatsurou com dificuldades pra se comunicar em inglês para um público brasileiro, quem já conhecia sabia: era pra todo mundo agachar geral. A hotzone se adiantou e todo mundo seguiu junto, criando um momento que, na mais pura coincidência, seria repetido por várias atrações depois desse show. Mother fechou o show, a banda pôde finalmente descansar para o dia seguinte, dia de mais encontros com fãs e entrevistas com a imprensa.

mucc anime friends 2026
Foto: @sucodm / Erick

Das interações que tivemos o prazer de presenciar, podemos destacar o amor incondicional que o pudim brasileiro causou no Yukke, cheio de animação pelo espaço do Anime Friends e que lembrou da vez em que ele fez cosplay de Zenitsu. Memorável também foi a zuada de leve que o Miya deu no plano de fundo do AF Arena, onde a banda parecia muito mais um trio de boyband do que os tiozões. Zuada essa que ficou para os bastidores dos stories do Instagram, mas o testemunho (e a risada!) permanece. Sem maquiagens e mais à vontade pra passear por aí antes de embarcar para os próximos shows na Europa, a banda fazia do microfone uma brincadeira de batata quente, passando de um pra outro sempre que possível. Brincadeiras à parte, eles se mostraram solícitos e gratos principalmente pela espera do público! 

mucc anime friends 2026
Foto: @sucodm / Erick

Entre relatos de seu passado como banda cover de Luna Sea, recomendações de músicas para iniciantes, preparações para os trinta anos de aniversário (!!!) e parcerias com bandas amigas como deadman, deixamos aqui nossa recomendação para que assistam aos registros da coletiva!

Eriki
Eriki
Olá, sou o Eriki, redator do Suco de Mangá desde 2018, ex apresentador do Gole Otaku, programa semanal do Suco de Mangá sobre as estreias de animes da temporada, formado em História pela UFRJ e guitarrista da Matina Cafe, banda que se inspira no som do visual kei.

Leia mais

PUBLICIDADEspot_img

Suco no YouTube

Em destaque