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Depois de Babylon, a segunda promessa desta temporada que vai dar ar fresco para as histórias de detetive nos animes é Kabukichou Sherlock.

Ao contrário do primeiro, este anime tem um ar bem mais leve. Suas intrigas não são tão sombrias, apesar de se lidar com casos de assassinatos em série e algum homicídio aqui e ali, Kabukichou Sherlock é de sorrir de tão divertido que é acompanhar as excentricidades de mais um Sherlock Holmes re-imaginado.

O BAIRRO QUE NUNCA DORME

Toda metrópole tem a sua Las Vegas e não seria diferente com Tokyo. Kabukichou é uma região muito bem conhecida pelos seus bares, pelas suas casas de acompanhantes e pelas suas casas de… “acompanhantes”. Vibrantemente luminosa como natural das cores que acompanham o teatro kabuki, Kabukichou esconde, sob tantas cores vibrantes, atividades da yakuza, esquemas de extorsão, tráfico de drogas e prostituição.

Se a Kabukichou de verdade é tão terra de malandro quanto o anime mostra, isso só indo lá. Com certeza deve haver lá suas licenças poéticas para poder apresentar os crimes e os casos a serem solucionados, mas também é igualmente provável que andando nos seus becos à noite, é possível ver o lado mais obscuro de uma terra que vende a perfeição à sua imagem.

O que importa aqui é isto: no Lado Oeste de Kabukichou mora um bar que abriga serviços de investigação muito bem pagos. E nesse ramo excêntrico de serviço, os igualmente excêntricos se dão melhor nele. O primeiro a achar o culpado recebe o dinheiro de cada serviço. Assim, nosso Sherlock Holmes, um sujeito largado, vestido feito um mendigo e com estranhos trejeitos para comida (sushi com sorvete?!) compete com um estranho germofóbico chamado Fuyuto Kyogoku, com dois irmãos, Lucy e Mary Morstan, um aparentemente detetive aposentado de nome Michel Belmont e um mau encarado chamado Toratarou Kobayashi (os dois ainda aparecerão melhor ao longo da temporada).

Kabukichou Sherlock

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“SIT DOWN COMEDY”

Nem todo mundo pega o caso ao mesmo tempo. Vai de acordo com o interesse de cada um pegar o serviço. É nesse jogo de escolhas que o anime vai desenvolver pouco a pouco seus personagens. Mas uma coisa tem sido constante: todo episódio tem a participação de seu protagonista. Holmes tem lá suas peculiaridades, examina coisas fora da vista dos outros investigadores e chega enfim às suas conclusões.

Como ele as apresenta? Aí mora uma fórmula criativa do anime: Holmes é um comediante frustrado; ele só consegue ser um investigador brilhante, mas não tem sucesso naquilo que ele tem paixão, que é o rakugo. O rakugo é um gênero de comédia japonesa um tanto semelhante ao stand-up comedy, só que sentado, ao invés de em pé, o que faz dela uma… sit-down comedy (?).

Claro, isso é uma simplificação enorme pra que tudo seja entendido. Há também no rakugou uma simulação. O comediante finge ser duas pessoas dialogando e é nesse diálogo que moram os punchlines de seu número, aquilo que dá graça ao show. E é nesse monólogo entre o detetive que desvenda a trama e o espectador incauto que está um dos pontos altos de cada episódio de Kabukichou Sherlock.

PRODUÇÃO DE PESO

Pra dar esse último peso, vamos levar em conta que não só Kabukichou Sherlock é mais uma produção da gigantíssima I.G. Production, como sua diretora, Ai Yoshimura, é uma profissional bem munida: fez ponta na direção de Ano Hana (episódios 3 e 8), em Danshi Koukousei no Nichijou (uma das melhores comédias besteirol de colegial), vários episódios de Gintama e Kuroshitsuji. Em resumo, a mulher é braba. Não é à toa que Kabukichou Sherlock está sendo mais outra joia da temporada e mais outro frescor para histórias de detetive em anime.

E pra fechar, a gente reforça mais uma vez com gosto a qualidade musical do anime! O clipe do grupo EGO-WRAPPIN pode ser conferido aqui, muito bem dirigido por sinal.

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