A continuação veio melhor do que o esperado e tivemos uma surpresa bastante positiva! Com inusitados 18 episódios, Boogiepop and Others soube ser atual em sua produção ao mesmo tempo em que soube manter o mesmo clima sobrenatural de Boogiepop Phantom.

Isso, em especial, graças à atuação excepcional de Maaya Sakamoto que fez a voz de Boogiepop. Confira mais neste REVIEW!

UMA MISTERIOSA TEIA DE ARANHA

Este é um anime com uma trama que se desdobra. O primeiro episódio, que foi a base de todo o Primeiro Gole, havia sido um pequeno pedaço de papel comprimido. Cada episódio que passava desdobrava esse pedaço de papel e semana a semana este se transformava num cartaz complexo, onde nomes aparecem e reaparecem; e exige de quem assiste ou uma ótima memória ou, o que acho melhor, re-assistir o anime. Assim, a trama se estendia feito uma teia de aranha. Parte de seu encanto esteve em seu mistério.

Devemos entender que não se pode querer a todo o momento um Death Note ou um Promised Neverland onde toda a trama se encaixa mecanicamente de forma nítida e perfeita em todos os seus detalhes. Aquilo que mais nos encanta e mais nos preocupa ao mesmo tempo é justamente o mistério: que diabos é essa Organização Towa? Quem são esses seres artificiais? A questão aqui é a seguinte: primeiro, não pretendemos aqui dar um review com spoilers, até porque entrar em detalhes sobre personagens só traria uma chuva de informações irrelevantes pra quem não assistiu ou não tem interesse de assistir Boogiepop; segundo, esses detalhes ficam em segundo plano quando entendemos que a própria protagonista se encontra muitas vezes distante, quando não indiferente à essas conspirações que interferem na vida de personagens chaves no anime. Mas o que realmente interessa a essa Deus Ex Machina?

 

DISTORÇÕES E INIMIGOS DA HUMANIDADE

Boogiepop é protetora da humanidade contra os inimigos que nascem das distorções nos corações daqueles que se perdem. Nós costumamos pensar que essas distorções tem pouco alcance para além do psicológico daquele que as sofrem; talvez, em último caso essa pessoa se torna um perigo para seus próximos ou para si mesmo. Um rancor acaba se transformando em vingança. Um remorso acaba se transformando num atentado contra a própria vida. No universo de Boogiepop, as distorções que nascem de pessoas comuns e que criam inimigos da humanidade tornam-se uma ameaça visível e palpável, contra os quais ela é impiedosa.

Ao fim e ao cabo, Boogiepop lida com quatro inimigos ao longo do anime, sendo assim possível dividir o anime em quatro arcos. Eles dialogam entre si. O terceiro arco é bastante interessante por ser contado de forma retrospectiva, fazendo assim dele uma viagem pela história de como a Boogiepop veio a ganhar esse nome, sendo uma existência fora do convívio humano e, portanto, sem nome e origem certos. De certa maneira, um olhar atento ao anime pode perceber que detalhes ocorridos durante os eventos do primeiro arco são decisivos para que o último arco possa acontecer.

LIDANDO COM NOSSOS PESOS

O ritmo de Boogiepop and Others é algo impressionante; a trama é misteriosa e no meio do esforço de se entender o que está acontecendo, certos diálogos caminham de uma maneira rasteira que quando você se dá conta, já está imerso num diálogo aprofundado sobre as dores da vida, tão comum a todos nós (às vezes ao ponto de se tornar banal para alguns, infelizmente).

São cenas que poderiam ser isoladas e tiradas de seu contexto que ainda assim seriam peças valiosas para se apresentar uma das faces deste anime para algum curioso. Afinal, é bom lembrar que ao lidar com inimigos que nascem de uma distorção em seus corações, não soa estranho que suas armas sejam efetivamente psicológicas, aproveitando vazios, arrependimentos e traumas de várias pessoas que cruzam o caminham destes antagonistas.

Nesse sentido, Boogiepop adiciona ao seu caráter já bastante enigmático algum quê de sábia que ora falando de forma mais direta ou indireta, consegue falar ao coração de aliados e inimigos igualmente.

Boogiepop wa Warawanai
Boogiepop wa Warawanai (Imagem Divulgação)

CONCLUSÕES

Inicialmente visto com algumas reservas, temendo que o apego ao antigo anime viesse a criar muitas expectativas que poderiam ser facilmente frustradas, Boogiepop and Others foi uma surpresa mais do que grata! Os episódios te agarravam de modo que você mal podia perceber os vinte minutos de cada episódio passando, o que te deixava ainda mais ansioso pela semana seguinte. Ele não é muito claro em seu enredo, talvez por dificuldades de adaptação da visual novel, mas sua arte é impecável. Talvez o mesmo não possa ser dito de sua animação, o que não é lá o seu maior foco.

Trilha sonora e efeitos sonoros por outro lado são um dos espetáculos principais do anime. Se possível veja com fones de ouvido em um celular ou tablet; nesse caso a experiência de imersão é mais do que garantida.

Junte esse bom trabalho à atuação magnífica de Maaya Sakamoto e você terá aí um anime bem acima da média para se assistir. A dubladora, que fez aniversário recentemente em 31 de março, possui papéis tão diversos quanto extensos. Não só são diversos, como sua voz fica por vezes irreconhecível entre seus papéis. A mesma pessoa que interpretou a Boogiepop é a mesma pessoa que deu voz para Sakura Futaba (Persona 5), Ciel Phantomhive (Kuroshitsuji), Motoko Kusanagi (Ghost in the Shell) e para Joana D’arc (Fate). Isso só foi possível de se dar conta acessando sua página no MyAnimeList e a surpresa foi recompensadora para a admiração desta veterana!

Assim sendo, mesmo não tendo sido muito comentado durante sua estreia, Boogiepop and Others foi um dos pontos mais positivos desta temporada, merecendo 4 Suquinhos! Você também pode acompanha-lo no catálogo da Crunchyroll.

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REVIEW
Boogiepop and Others
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Eriki
"Um historiador apaixonado por uma boa leitura e guitarrista por hobby. Alguém que ama um bom slice of life e tem um vício crônico por jogos single-player. Me aventuro a compor pequenos poemas haiku e aprender mais da cultura e da sociedade japonesa!"