O Japão tem uma identidade cultural muito forte e, nas últimas décadas, os animes tem cada vez mais feito parte disso, sendo exportados para o mundo inteiro. Num sentido contrário, o futebol vem se integrando à cultura japonesa, algo que começou nos anos 90 quando Zico e outros craques ajudaram num investimento para fazer a modalidade crescer.
Hoje, a liga nacional está num patamar mais diferente e cheio de imprevisibilidades, um lugar onde você pode precisar ver seus ganhos potenciais antes de apostar, e o esporte vem entrando nesse espaço da cultura local, onde ambos acabam fazendo parte um do outro. A seguir, temos alguns exemplos que tem feito sucesso tanto no Oriente quanto mundo afora.
Super Campeões
O primeiro anime a ser um grande sucesso dentro e fora do Japão, que inclusive serve como inspiração para todo o gênero, traz as aventuras de Oliver Tsubasa em busca de ser um grande jogador – com direito a cenas mais exageradas, como os superchutes – mas que fazem parte do mundo dos animes.
Além disso, a criação desse enredo foi contemporânea à expansão da J-League, justamente a época em que Zico e outros brasileiros estiveram no país, inclusive com clubes daqui disputando a Copa Intercontinental algumas vezes, à época, e também contando com referências a times como o São Paulo. Um clássico instantâneo.
Aoashi
Saindo de um anime clássico para um mais atual, Aoashi traz a história de Ashito Aoi, um garoto que se parece muito com alguns dos craques dos anos 90 – esquentado, indisciplinado, mas com talento de sobra. A animação tem apenas uma temporada completa, mas recheada de ação.
Durante esse tempo, o garoto começa a aprender que futebol não se resume apenas a talento, mas também é preciso estar atento à parte tática e a buscar ajudar o time, crescendo também como ser humano. Além disso, a segunda temporada está em produção.
Blue Lock
Outra série mais recente, datando de 2018 e que vem de um certo trauma na cabeça dos japoneses: a eliminação na Copa do Mundo daquele ano, contra a Bélgica de Lukaku, num jogo extremamente movimentado e que acabou com um 3×2 para a seleção europeia, com direito a uma virada no fim do jogo.
Se Aoashi busca focar nos aspectos coletivos do jogo, Blue Lock segue uma linha oposta, focando apenas no talento individual – e a relação com a Copa de 2018 é que parece ter faltado um jogador assim, ao menos no imaginário japonês.
Tanto é que neste anime o foco é em Yoichi Isagi, que no começo da trama chega em um momento cara a cara com o goleiro adversário, mas toca para seu parceiro de time, que acerta a trave. No contra-ataque, gol do time adversário e a equipe de Isagi é eliminada.
A partir daí, ele se envolve num programa para formar o atacante perfeito, onde jovens de todo o país são convocados, mas com o detalhe que se falharem na missão, serão eliminados e nunca mais poderão defender a seleção (no final, só deve restar um). Essa saga já está finalizada, com duas temporadas e um filme.
Farewell, My Dear Cramer
O futebol feminino tem crescido e ganhado popularidade, o que também vem se refletindo no cenário dos animes. Aqui, o enredo gira em torno do time da escola Warabi Seinan, que vive um momento bastante ruim e sofre também com a falta de dinheiro.
Porém, uma geração nova e mais talentosa está chegando, com nomes como Nozomi Onda e Sumire Suo, e para ajudá-las, a escola contrata uma ex-jogadora profissional para treinar a equipe. O anime tem apenas uma temporada, mas vale a pena conferir.
O que podemos entender nesse cenário
Em primeiro lugar, é preciso lembrar que a cultura de animes do Japão descende diretamente dos mangás, que normalmente depois são adaptados para a TV (ainda que isso não ocorra em todos os lançamentos).
Com o crescimento do futebol no país, não é de se estranhar que tenhamos cada vez mais títulos sendo lançados nesta área, especialmente com os mangakás se interessando pelo assunto.
Esse é um movimento interessante porque, mesmo que o futebol seja um esporte de massa, pode acabar trazendo também outro tipo de público a se interessar pela modalidade.
Pode até parecer que não, mas algumas coisas do que se vê na tela são também influência do que ocorre na realidade e que acaba inspirando os autores, mesmo que isso acabe resultando em produções bastante contrastantes, mas que não deixam de ser interessantes.
Além disso, o próprio contraste entre as obras também é bem interessante por si só – visões diferentes de um mesmo assunto são sempre algo que pode levar a um novo modo de entender a realidade.
Mais do que isso, o próprio esporte em si é um poço de contrastes e muitas vezes o futebol pode ser algo injusto, que não necessariamente premia o melhor e também um local onde a arte pode se inspirar para trazer novas tramas ao público.
Num formato consolidado como são os animes, a receita para o sucesso é quase sempre algo encaminhado, especialmente num país como o Japão, que já tem uma cultura bastante receptiva a este formato – algo que deu tão certo que acaba sendo exportado para o mundo inteiro, atraindo multidões de fãs, assim como o futebol.




