Era um sonho antigo. Guns N’ Roses foi uma das primeiras bandas que ouvi na vida — e nunca havia visto um show ao vivo. O Monsters of Rock 2026 foi a noite em que esse sonho foi realizado. E foi além do que eu esperava.
O show foi excelente. Dinâmico, emocionante, cheio de surpresas no setlist. Um dos melhores headliners que o festival poderia ter escalado e São Paulo respondeu com um estádio lotado, mesmo com a banda tendo passado pelo Brasil apenas seis meses antes.
Axl, Slash e Duff: o trio que ainda funciona
O entrosamento entre os três membros clássicos foi um dos grandes trunfos da noite. Slash continua sendo um destaque absoluto, com solos atemporais e seguem sendo o coração do som da banda. Axl demonstrou evolução vocal clara em relação a apresentações recentes, correndo pelo palco e interagindo com bom humor com o público. O cara tá com 64 anos de idade!
Mas o grande destaque pessoal da noite foi Duff McKagan. O baixista mandou muito bem nos backing vocals e assumiu os vocais principais em momentos específicos com segurança e presença. Uma peça fundamental que muitas vezes fica em segundo plano nas análises e não deveria.
Setlist com raridades e o momento “Estranged”
O repertório foi um dos pontos mais comentados da noite. A banda tocou “Bad Apples” pela primeira vez desde 1991, uma raridade que arrancou reações imediatas de quem conhecia. O set ainda incluiu “Dead Horse”, “Rocket Queen” e músicas recentes como “Perhaps”, “Atlas” e “Nothin'”, bem recebidas mesmo pelo público menos familiarizado com o material novo.
Para mim, o ponto alto foi “Estranged”, já que é minha música favorita da banda. Ouvir aquela introdução ao vivo foi um daqueles momentos que param o tempo.
O novo baterista Isaac Carpenter, que substituiu Frank Ferrer em 2025, deu uma cara mais punk, crua e energética, uma mudança que achei positiva no conjunto geral do som.
A homenagem a Ozzy Osbourne
Um dos momentos mais marcantes foi durante o cover de “Junior’s Eyes”, do Black Sabbath, quando fotos de Ozzy Osbourne foram exibidas no telão. Axl revelou ao público que Sharon e Ozzy ficaram surpresos com a escolha específica dessa faixa da era Never Say Die. Sinceramente, eu nem lembrava dessa música!
Um show mais “curto” e melhor por isso
A duração de cerca de 2h30 a 2h40, menor do que as habituais 3 horas da banda, tornou a apresentação mais dinâmica e menos desgastante. A produção também evoluiu: palco mais baixo e próximo do público, telão gigante e uma nova estética visual que abandona o tema das armas em favor de algo mais limpo, alinhado ao “World Tour 2026”.
Mas aí, me pegou: “Patience” e “Don’t Cry” ficaram de fora. A falta de Melissa Reese também foi sentida, especialmente nos momentos em que Axl precisou alcançar notas mais agudas, onde o Duff brilhava por aqui. Mas foram concessões dentro de um pacote que funcionou. Saí do Allianz Parque com o peito cheio.
GUNS N’ ROSES NO MONSTERS OF ROCK 2026
01) Welcome to the Jungle
02) Slither [Velvet Revolver]
03) It’s So Easy
04) Live and Let Die [Wings]
05) Mr. Brownstone
06) Bad Obsession
07) Rocket Queen
08) Perhaps
09) Dead Horse
10) Double Talkin’ Jive
11) Nothin’
12) You Could Be Mine
13) Civil War [com Voodoo Child (Slight Return), de Jimi Hendrix, como “outro”]
14) Junior’s Eyes [Black Sabbath]
15) Knockin’ on Heaven’s Door [Bob Dylan] [com “Only Women Bleed”, de Alice Cooper, de intro]
16) New Rose [The Damned] [Duff canta]
17) Atlas
18) Solo de Slash
19) Sweet Child o’ Mine
20) Estranged
21) Bad Apples
22) November Rain
23) Nightrain
24) Paradise City
Outro: The Writ [Black Sabbath]
GALERIA GUNS N’ ROSES MONSTERS OF ROCK 2026


