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Welcome to NHK | Review

Welcome to NHK
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Welcome to NHK conta a história de Tatsuhiro Satou, um hikikomori de 22 anos, desistente da faculdade e que mal saiu de casa nos últimos quatro anos. Essa é a história de um sujeito perdido, que anda em círculos, até eventualmente chegar a alguma resolução minimamente satisfatória para a própria vida. Mas suspeito que até essa resolução seja fruto menos de sua própria vontade e mais da obrigação de uma história em 24 episódios que, eventualmente, tem que acabar.

A verdade, e isso o anime é honesto o suficiente em admitir, é que a história de Satou, história incerta e sem final definitivo, é a história possível de qualquer um de nós. Não só é possível como é a história real de muitos de nós, que talvez não estejam isolados dentro de um quarto, mas que podem estar isolados em espírito, mesmo vivendo vidas perfeitamente funcionais.

Para esse review, gostaria de falar de Welcome to NHK de um ponto de vista mais temático do que cronológico. Primeiro porque, evidentemente, dar spoilers dos eventos do anime não rola. E segundo porque eles acabam sendo meio que irrelevantes. Me vejo convencido de que as situações vividas por Satou ao longo do anime redundam no seu próprio desenvolvimento e no desenvolvimento dos temas trabalhados pelo anime. “Bem Vindo ao Recomeço!”, como diria o título de um de seus episódios.

CRÔNICA DE UM HIKIKOMORI

Welcome to NHK é talvez o primeiro anime que fala sobre o fenômeno hikikomori, que explodiu nos anos 90. Para ficarmos devidamente bem contextualizados, hikikomori é uma abreviação de “shakaiteki hikikomori” (社会的引きこもり) cuja tradução mais precisa seria algo nas linhas de “recluso da vida social”. O termo foi cunhado pelo psiquiatra Tamaki Saito em seu clássico livro de 1998 Shakaiteki Hikikomori (traduzido para o inglês como “Hikikomori: Adolescence Without End”) e lançou as bases para as futuras discussões dentro e fora da psicologia e da psiquiatria do que seria um hikikomori e o fenômeno da reclusão social como um todo. Geralmente afeta jovens, principalmente com históricos de transtornos mentais ou de abusos familiares e/ou escolares e que passam por experiências profundas de frustração ou sucumbem diante das pressões e expectativas de seus pares (seja na família ou na sociedade), vivendo seus dias trancados em seus quartos por meses ou anos a fio. Com esse breve resumo, tratemos um pouco de sua sinopse.

O anime conta a história de Tatsuhirou Satou. A crônica de sua vida começa com um episódio agudo de agorafobia, quando ele passa a sentir diversas ansiedades caírem sobre os ombros ao imaginar os olhares de reprovação e escárnio das pessoas ao seu redor. Essa sensação de insegurança e hostilidade no meio da multidão será uma constante em sua vida cada vez que precisar sair de casa. O anseio chega somado a experiências prévias na vida de Satou que vão sendo esclarecidas e aprofundadas ao longo do anime: os anos no clube de literatura com sua senpai, Hitomi Kashiwa, o amor que nunca foi; a surra que ele tomou de alunos mais novos tentando proteger um rapaz sendo agredido (e impressionar sua senpai); o arrependimento de ver sua mãe acreditando piamente numa mentira para livrar a própria cara. Gota a gota essas frustrações desmoronam durante uma aula da faculdade e Satou simplesmente abandona a tudo e a todos, passando os próximos quatro anos de sua vida isolado no próprio quarto.

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Um dia, após mais uma vez acordar ao som ensurdecedor das músicas de anime de seu vizinho, Satou recebe a visita de uma senhora acompanhada de uma menina, oferecendo mensagens de salvação e demais papos que a fazem o equivalente a uma testemunha de Jeová batendo de porta em porta. Satou não dá ouvidos, mas dá olhos à menina que o encara de um jeito peculiar. Após uma série de coincidências, entre elas descobrir que o vizinho barulhento que passa o dia inteiro ouvindo a mesmíssima música de anime era o aluno que Satou tentou proteger no ensino médio, uma carta chega à porta de nosso protagonista, convidando-o ao Projeto.

O Projeto nada mais é do que a promessa para a cura de um hikikomori. Misaki Nakahara apresenta-se como a pessoa capaz de salvar Satou de sua condição patológica, mas é aí onde vemos um dos traços mais marcantes do protagonista: uma enorme tendência a autonegação e a mentir sobretudo para si mesmo, a fim de manter as aparências (disfarçando as evidências?). De todas as mentiras que Satou despeja a fim de negar a si mesmo que há algo de muito errado na sua vida, a mais significante de todas é a de que ele é um programador e um criador de jogos prestes a lançar um excelente jogo. Misaki demanda provas e esse é o começo da bola de neve que faz com que Satou comece uma parceria com seu vizinho otaku, Kaoru Yamazaki, criando os dois o seu próprio garuge (uma espécie de visual novel focada em garotas moe).

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UMA OBRA EM PRIMEIRA PESSOA

Daí em diante, Welcome to NHK embarca em várias historietas, quase todas elas causadas seja pela tendência de Satou em ir até às últimas consequências pelas suas mentiras, ou pela sua tendência a ser extremamente manipulável, como é o caso quando ele reencontra sua senpai (uma história com um desfecho absolutamente humilhante e com um dos gritos de desespero mais bem soltos por um dublador) ou sua antiga representante de classe. Dessas histórias você é capaz de apreender pensamentos sobre cultura otaku e escapismo, traumas que debilitam pessoas que nascem todas comuns, peladas e fofas como todo bebê, mas que algumas são separadas para destinos melhores e outras para destinos piores, como canta o poderosíssimo encerramento “Odoro Aka-chan Ningen”. A história tragicômica de Tatsuhirou Satou passa por agradáveis postos de sabedoria que rendem altas conversas, mas o nome desse personagem não está repetido à exaustão de graça. Pois não se enganem, todos os eventos e pessoas que passam pelos nossos olhos em Welcome to NHK redundam no próprio Satou, suas angústias e a inquietação de não saber o que fazer da própria vida em um estado de beco sem saída.

A visão em terceira pessoa engana, mas a verdade é que você, o espectador, É Tatsuhirou Satou.

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Que os eventos de uma história deem prioridade para o desenvolvimento do personagem que a protagoniza me parece auto evidente. Mas nem sempre o mesmo ocorre pelos personagens à volta do protagonista. Comecemos pela Hitomi Kashiwa. É até perdoável que a conclusão de sua história soe meio desleixada quando você entende que ela serve como um totem para os remorsos de Satou. Jougasaki, seu namorado e eventual marido, é um homem bem-sucedido, capaz, que move mundos e fundos, demonstrando completa competência e vigor como o homem e companheiro perfeito. Não só isso contrasta tremendamente ao imprestável (dame ningen!) que Satou se tornou, como esse estado de coisas martela constantemente em sua cabeça todas as oportunidades desperdiçadas de talvez poder ter construído uma relação frutífera com a mulher de sua vida. Mas nada disso aconteceu. Satou fraquejou, acovardou-se e tudo o que resta são cenários impossíveis, sonhos lúcidos e filmes imaginados de como seria a vida com sua senpai.

Passada a primeira marca de um futuro imprestável, que é a pilha de arrependimentos e remorsos que ele carrega nos ombros, vem o próximo passo, que é o escapismo. Nisso Yamazaki cumpre papel importante, mas não um papel estanque. Yamazaki introduz Satou à cultura otaku; e mesmo sendo ele próprio um “kimo-ota” (otaku nojento), Yamazaki tenta construir uma vida e um legado próprio em Tokyo, em rebelião à sua vida prévia decidida de antemão do começo, meio a fim. Seu caso possui certo equilíbrio, ainda que muito delicado. Mas quando Satou conhece o mundo do moe, onde a fantasia te supre as carências com mais segurança e certeza do que qualquer relacionamento no mundo real, bem, nesse caso ele cumpre com maestria o ditado popular “quem nunca comeu melado, quando come se lambuza”. Durante dias a fio sua vida passa a ser surtos de dopamina com visual novels e materiais de… “referência” para a criação da heroína de seu próprio jogo.

Mas muito além de servir como a porta de entrada para um escapismo ainda maior ao qual Satou já havia se submetendo nos últimos anos, Yamazaki cumpre um papel muito mais redentor. Não são poucas as vezes em que ele serve como a consciência de seu amigo perdido na vida; um amigo ao qual ele se apieda, pois, uma vez tendo sido salvo por Satou, agora Yamazaki se vê no papel de alguém que fornece apoio ao antigo colega de escola que decaiu muito além do imaginável. Seja confortando-o nas duras verdades sobre o amor, seja se afogando juntos no álcool, seja nas constantes brigas e resmungos, Yamazaki é aquele nosso amigo que muitas vezes nem faz isso tudo, mas apenas está lá, nos pequenos momentos banais do dia a dia, rindo e comentando alguma piada ou meme idiota. Parece pouca coisa, mas são amigos assim que fazem da mais desesperança das existências algo bem mais leve e agradável.

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A terceira personagem da nossa lista é a Megumi Kobayashi, antiga representante de turma da escola de Satou. Do encontro com ela, Satou ganha uma experiência de alteridade que há muito tempo ele não tinha por ser um hikikomori e que esclarece um pouco melhor o seu lugar na vida ao ver a vida de sua antiga colega de sala, antes aluna modelo, agora decaída numa golpista e seu irmão que também é um hikikomori. As circunstâncias que levaram Kobayashi a perseguir comportamentos predatórios para sustentar a si e ao seu irmão que se recusa a sair do quarto também ajudam Satou a perceber para qual direção o seu atual estilo de vida o levaria.

Apesar dos pesares, dos temores, dos arrependimentos e das ansiedades, Satou é um homem com um bom senso de certo e errado. Ele pode mentir para os outros, mas é o primeiro a saber, no fundo no fundo, que há algo de errado consigo. Mas o que fazer? Como mudar quando toda porta parece dar de cara num muro escrito “Fracasso”? No caso de muitos de nós, a solução é vaguear até o fim dos dias procurando e aperfeiçoando as próprias respostas. No caso de Welcome to NHK, para que a história não ficasse nem mórbida demais, nem monótona demais, temos a Misaki, a garota que chega como um milagre na vida de Satou e promete salvá-lo.

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MISAKI E A SALVAÇÃO QUE NÃO HÁ

Misaki merece uma seção à parte. Apesar de estar profundamente convencido de que Welcome to NHK é uma história extremamente centrada no seu personagem principal, Misaki é uma personagem sem a qual essa história não começa, não se desenvolve e não termina. Ela é importante não só dentro como fora da história do anime.

E por que isso? Porque dito do jeito mais curto e grosso possível: a Misaki não existe. Sim, a Misaki não existe, ela é uma personagem fictícia, mas escavemos esse poço a fundo. Welcome to NHK conta a história de um hikikomori que tem tudo para passar o resto dos seus dias num perpétuo estado de reclusão, situação esta que o anime simula de forma deplorável com um hipotético Satou cinquentenário, desfigurado pela idade e pela falta de cuidado próprio, com os pais idosos, aposentados e desesperançosos. A situação não só é real como tem nome no Japão: o “Problema 8050”, filhos reclusos na casa dos 50 anos contando com a ajuda de seus pais na casa dos 80.

Mas como estamos lidando com uma obra de ficção, alguma eventualidade, algum milagre, algum resquício de fantasia redentora que faça com que a vida valha a pena ser vivida é preciso para que uma história exerça essa função redentora em nós. E é esse o papel que Misaki cumpre, tanto na vida de Satou quanto nas nossas, por extensão. É ela o anjo da guarda que aparece na vida do rapaz e promete sua cura com o seu Projeto, que inclui lições de psicologia, conversação, interação social e demais conversas rotineiras às noites numa praça. É ela quem dá ares novos à vida de um miserável que por sua vez também dá sentido à vida dela (pois com o tempo descobrimos que justamente por ser um miserável, Misaki precisa tanto do Satou quanto ele precisa dela).

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A figura simples da Misaki não deixa de ser marcante, pois o ar à sua volta reproduz aquela meiguice e fofura feminina que fazem o ideal de uma protagonista de um anime. Ou seja, moe, aquele sentimento da qual o otaku é um faminto. De fato, é tão marcante a figura da Misaki, que faz todo o sentido do mundo que uma pessoa como o Yoshitoshi Abe a tenha desenhado para a capa da light novel de Welcome to NHK. Acaba sendo um casamento perfeito que o autor de Serial Experiments Lain dê vida a uma personagem tão alinhada à Lain no quesito aparência. E por ser uma encarnação de um ideal que habita a nós, público fã de cultura pop japonesa, Misaki acaba justamente sendo um contraste enorme de fantasia na duríssima e pesada dose amarga de realidade que o enredo de Welcome to NHK nos expõe como um todo.

E é por isso que a reação, quase instantânea, de quem vê a Misaki pela primeira vez aparecendo numa história que é em si mesma uma tragédia anunciada, não costuma variar muito além de algo como “Ah, então isso é mesmo uma obra de ficção. É bom demais para ser possível…”. O consenso geral é de que na vida não existe nenhuma Misaki; ela é a salvação que não há.

Porque a verdade que Welcome to NHK traz para todos nós antes de sua reta final é de que as pessoas eventualmente vêm e eventualmente todas se vão. No final da história, estaremos todos sós. Misaki é necessária para que a história possa ter seu desenvolvimento, seu clímax e sua eventual catarse. Mas sua não-existência é angustiantemente óbvia, pois sabemos que não existe milagre. Só há nós, sós. Que fazer então?

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GENEALOGIA DAS SOLIDÕES

Welcome to NHK é uma história sobre solidão. Ela expõe vidas solitárias, vidas aflitas, vidas enclausuradas em si mesmas ainda que na companhia de um eventual alguém. Apesar de ser uma história sobre solidão impulsionada por uma condição clínica reconhecida na psicologia e com efeitos distintos bem estudados e ainda bem pesquisados, ainda é uma história sobre solidão. Tamaki Saito foi prudente em descartar a tese de que o hikikomori é um fenômeno exclusivamente japonês; ele reconhece que coisas como o modelo familiar asiático e um sistema educacional predatório que joga jovens em feroz competição entre si sob fortes pressões psicológicas fazem com que indivíduos alinhados a uma definição de hikikomori aparecem em outros países como a China e a Coreia.

Mas acredito que podemos ir além. Se Saito estiver correto quando ele afirma em seu livro que o hikimori é “um estado que surge em resposta a dificuldades notáveis no caminho para a maturidade e independência emocional”, então não é gratuito que a tragicomédia de Tatsuhirou Satou seja tão relacionável para tantos de nós, que eventualmente vemos os amigos de infância e os amigos de escola seguindo seus rumos, alguns se casando, outros se mudando e, enquanto isso, tudo parece continuar o mesmo desde o fim dos tempos de escola. Se essa é uma história sobre solidão, que afirma a sua onipotência e que não temos outra escolha senão trabalharmos com ela um dia de cada vez, até o fim dos nossos dias, resta entender de que solidão estamos falando. Afinal, sozinho, solitário, isolado é tudo a mesma coisa?

E se o fato dessa história encontrar eco no coração de muitos ao redor do mundo não for acidente? E se essa solidão compartilhada e percebida por tantos estranhos entre si for também produto de um processo histórico ainda em curso nos últimos duzentos anos? É nessa hipótese que me vejo inclinado a acreditar e que pretendo esboçar nestes parágrafos: uma genealogia da solidão (ou das solidões), presente das cidades urbanizadas para nossos corações.

Genealogia das solidões, no plural. Pego o título dessa seção emprestado do excelente livro de José Guilherme Merquior, “Saudades do Carnaval: Introdução à Crise da Cultura”. Nesse capítulo, o ensaísta refletia, entre outras coisas, sobre os efeitos da Revolução Industrial nas interações entre as pessoas, que passavam a ser cada vez mais impessoais. Afinal, essa era a necessidade inédita da impessoalidade das novas relações de trabalho (afinal, não me interessa como padeiro matar sua fome, mas sim vender pão, ou não me interessa como farmacêutico desejar-lhe boa saúde, mas vender remédio, etc).

Merquior elabora um raciocínio complexo, mas muito bem estruturado ao longo de mais de 140 páginas para então afirmar que uma das novidades da Revolução Industrial (que lembremos, não foi um evento, mas um período de intensas transformações ao redor do mundo) foi a atomização das pessoas. O palavreado é complicado e posso estar sendo cruel em extrair uma citação inteira para o leitor, mas vale muito a pena trazer esse pedaço do livro à tona, palavra por palavra:

A sociedade industrial, consagrando a separação entre o âmbito profissional e o círculo da vida privada, expondo o indivíduo, na multiplicidade de contatos sociais característica da megalópoles, a uma contínua mudança de parceiros leva a impessoalidade do comércio humano a seu ponto extremo. O homo urbanus é, na maioria esmagadora de seus contatos ordinários com seus outros semelhantes, um outro anônimo e convencional: um átomo em trânsito, apenas entrevisto. ” (pag.145-146)

Um dos primeiros a perceber essa mudança, e que escreveu de um jeito mais belo (e melancólico) foi Alexis de Tocqueville (1805-1859). O que faz do pensador francês ser tão interessante é que por mais que seu clássico “A Democracia na América” seja famoso pelo seu elogio ao novo estilo de governo que inspiraria o novo século, ele não deixa de ter passagens bem desconfiadas, quando não pessimistas, de uma sociedade de pessoas indiferentes entre si, sem nenhum elo em comum que os unam. Prometo que esta é a última passagem que cito:

Vejo uma multidão de homens semelhantes e iguais que giram incansavelmente ao redor de si mesmos em busca de pequenos e vulgares prazeres com que preenchem a alma. Cada um deles, posto de lado, é como que estranho ao destino de todos os outros: os filhos e os amigos particulares formam para ele toda a espécie humana; quanto ao restante de seus concidadãos, está ao lado deles, mas não os vê; toca-os e não os sente; ele só existe em si mesmo e unicamente para si” (Livro II, p.389)

O mais assustador dessa passagem é que Tocqueville a anuncia como uma predição, uma hipótese de como os Estados Unidos, nesse novo estilo de vida poderia eventualmente acabar. E acabou que esse não foi o destino de um país, mas o destino das metrópoles no geral. Digo das metrópoles não só por causa da passagem de Merquior que acabei de citar, mas porque também Welcome to NHK também parece corroborar, implicitamente, que a solidão das pessoas não resiste aos modelos de vida mais tradicionais que sobrevivem no campo; como é o caso de Yamazaki, que eventualmente teve de voltar à terra natal e lá foi arranjado em casamento com uma pessoa da comunidade (num costume muito comum no Japão rural, o omiai) e lá aprendeu a apreciar uma nova vida que antes rejeitava.

NO PIOR DOS CASOS, SEJAMOS SOLITÁRIOS

Parece claro que existe um tipo de solidão específica do modo de vida das cidades, indiferentes ao toque e à visão de seus iguais. Essa solidão é fruto de um processo histórico da qual somos todos nós sujeitos e atores. Mas de que tipo de solidão estamos falando? É tudo a mesma coisa? No último capítulo de seu clássico livro “As Origens do Totalitarismo”, Hannah Arendt (1906-1975) chamou a atenção para diferenças fundamentais entre três expressões que, à primeira vista, parecem ser sinônimas. Nossa condição humana pode ser sozinha de pelo menos três jeitos: isoladas, solitárias e sozinhas. Em inglês a diferença é ainda mais gritante: isolation, solitude e loneliness. A pessoa isolada é uma pessoa incapaz de agir, mas ainda mantém contato com seus entes, ainda que à distância. Tal é o caso dos exilados; e é por isso que falamos hoje em isolamento social.

Já a diferença entre solitário e sozinho é um tanto mais tênue, mas ela existe. A pessoa sozinha pode estar em companhia com os demais, mas ela é incapaz de manter um contato não só com estes, mas, pasmem, consigo próprio! Para Arendt, a diferença fundamental entre ser e ser solitário é a relação que se faz com o Eu, com a própria consciência. Porque por sermos seres dotados de consciência própria, consciência com a qual podemos dialogar em pensamentos e reflexões (dialogar é a palavra-chave aqui), ainda que estejamos a sós seja num caminhar à noite, observando as paisagens tão comuns de dia completamente transfiguradas pelo anoitecer, ou na companhia de músicas ou filmes, ou de qualquer coisa edificante no geral, o entrosamento de si com sua consciência pode lhe evitar o pior, que a solidão de si próprio.

Se aceitarmos o raciocínio de Arendt, a diferença entre solitude e loneliness vira mais uma questão do quanto podemos ou não aceitar a companhia de si próprio, do quanto podemos nos aceitar e do quanto somos capazes de ter uma experiência significante independente da companhia de outrem. É uma tarefa dificílima e até mesmo insustentável no longo prazo, pois Arendt adverte que mesmo essa relação Eu-Consciência depende de um Outro para que esse Eu dividido em dois torne-se uma única pessoa novamente. Por isso até pessoas solitárias que sabem aproveitar a própria companhia correm o risco de se tornarem solitárias.

O propósito de ter quase transformado essa review de Welcome to NHK num ensaio sobre a solidão não vem apenas de uma afinidade extremamente pessoal com o assunto, mas porque é evidente pelo final que o anime é uma mensagem de perseverança em aberto, transbordante de incertezas. Lendo os três posfácios de Tatsuhiko Takimoto, que era ele próprio um hikikomori à época em que escreveu a novel, é possível ver que foi ele quem mais sofreu e mais lutou para lidar com os sentimentos desconfortáveis que afloravam da própria criação. A solidão é uma senhora conhecida por todos, mas entendida por pouquíssimos. O véu que lhe cobre o rosto nos deixa confusos e ansiosos, sem saber o que dizer-lhe face a face. E este autor não é uma exceção.

Ainda assim, nutro algum conforto em refletir sobre os temas que a ficção aborda; temas reais, vividos e angustiados no cotidiano. A relação de um solitário com o seu Eu, em perpétua conversação, é capaz de trazer algum esclarecimento sobre a época em que se vive e suas próprias circunstâncias. Somos nós todos seres históricos, afinal. A recomendação final acaba sendo esta: no pior dos casos possíveis, ao menos tente ser solitário. Existe um mundo de coisas interessantes lá fora, presentes, passadas e vindouras a serem lidas, assistidas, ouvidas, enfim, exploradas e discutidas consigo próprio, na vastidão dos próprios pensamentos.

“E só isso basta? ”, algum cético me questionaria. “Que diferença faz refletir e conhecer mais sobre o que quer que seja? Qual a diferença entre ser um miserável esclarecido e um miserável ignorante? ” Toda, respondo. Os alemães não chamavam o seu Iluminismo de Aufklärung de graça: o saber é o Clarão que ilumina o caminho à frente, ainda que sem resposta definitiva. Só o ato em si de saber algo sobre si (que está longe de ser um “só”, mas antes é um milagre de todo aquele presenteado com o milagre da consciência) é o suficiente para melhorar a condição humana. Para citar a Marimo, personagem de Muv Luv e que me conquistou à primeira vista (ou à primeira frase):

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“Ignorância é a raiz de toda a miséria. O conhecimento é a maior arma da humanidade, a única coisa que pode melhorar a condição humana. ”

E com isso, fecho estes pensamentos sobre Welcome to NHK, dedicado a todo aquele que enxerga em Tatsuhiro Satou um reflexo cruelmente constrangedor de todo o amargor, de toda a frustração e de todo o arrependimento colecionado em vida. Não desanime. No pior dos casos, sejamos todos solitários.

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Love After World Domination ganha trailer e previsão de estreia

Love After World Domination
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Mais um anime confirmado para o primeiro semestre de 2022. O website do anime Love After World Domination divulgou um trailer inédito e a previsão de estreia da obra.

De acordo com as informações divulgadas, a produção irá ao ar em abril de 2022. Além disso, a exibição do anime pela Funimation já está confirmada.

Assim, o vídeo promocional mostra também a música de abertura, intitulada de “Koi wa Explosion” (Love Is an Explosion), por Masayoshi Oishi e Yukari Tamura. Confira abaixo.

O estúdio responsável pela produção do anime é o Project No.9, sob direção de Kazuya Iwata. Originalmente Love After World Domination é um mangá escrito por Hiroshi Noda e ilustrado por Takahiro Wakamatsu. A obra possui 3 volumes encadernados até o momento.

Por fim, confira o visual divulgado também nesta sexta-feira (14).

Love After World Domination
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Sinopse: A comédia romântica explora a relação entre Fudou Aikawa, o líder do esquadrão de heróis Gelato 5, cujo objetivo é trazer a paz mundial, e Desumi Magahara, a líder guerreira da organização secreta Gecko, cujo objetivo é dominar o mundo.

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Rent-A-Girlfriend | 2° temporada ganha trailer e previsão de lançamento

Rent-A-Girlfriend
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Foi divulgado hoje (14), pelo site oficial do TMS Entertainment, trailer da segunda temporada de Kanojo, Okarishimasu (Rent-A-Girlfriend). Ainda, foi divulgada a previsão de lançamento para julho de 2022, sem data definida.

O anime adapta o mangá de Reiji Miyajima, publicado desde 2017 em capítulos semanais na revista Shonen Magazine. Assim, o anime é uma produção do estúdio TMS Entertainment, sendo exibido por aqui oficialmente, com legendas, pela Crunchyroll.

Confira o trailer da segunda temporada de Rent-A-Girlfriend:

Sinopse: Abandonado por sua namorada, Kazuya Kinoshita, um estudante emocionalmente abalado, tenta apaziguar o vazio em seu coração através de uma namorada alugada de um aplicativo móvel. A princípio, Chizuru Mizuhara parece ser a garota perfeita com tudo o que ele poderia pedir: ótima aparência e uma personalidade fofa e atenciosa.

Ao ver opiniões contraditórias sobre o perfil dela após o primeiro encontro, e ainda atormentado pelo relacionamento anterior, Kazuya acredita que Chizuru está apenas brincando com o coração dos homens e deixa uma avaliação negativa. Irritada com o desrespeito de seu cliente por ela, Chizuru revela sua verdadeira natureza: atrevida e temperamental, o oposto completo da primeira impressão de Kazuya. Nesse momento, Kazuya recebe notícias do colapso de sua avó e é forçado a levar Chizuru junto com ele para o hospital.

Embora não se mostre nada sério, sua avó está extasiada porque Kazuya finalmente encontrou uma namorada séria, o que sempre foi seu desejo. Incapaz de dizer a verdade, Kazuya e Chizuru são forçados a um relacionamento falso – agindo como se fossem verdadeiros namorados.

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Fãs estão ansiosos pelo lançamento de 7 Fates Chakho, a Webtoon do BTS

7 Fates Chakho BTS
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Nomeada de 7 Fates Chakho, essa história fala, segundo o V, sobre sete destinos, sendo baseada em uma famosa história do folclore coreano.

A história conta sobre uma realidade fantasiosa na qual monstros perseguem e matam humanos, e os Chakho são uma alcateia de sete tigres que caçam as tais criaturas.

Os garotos do BTS apostaram fundo e imergiram completamente no universo criado para a história. Assim, o líder, Namjoon, falou que podemos esperar muitas dificuldades na vida de seu personagem, mas que elas o deixaram mais forte para encarar essa jornada.

Jin disse que dentro da história perdeu toda a sua família para os monstros (temos um novo Tanjiro) e que sua motivação é a vingança.

Suga é um sobrevivente que quase foi comido por um Beom (nome da criatura).

Por sua vez, J-hope foi sequestrado por um Beom e segundo ele fez algo horrível para escapar.

Ainda, Jimin não é originalmente humano, ele já viveu milhares de anos anteriormente como um objeto.

E por fim Jungkook é metade humano e metade tigre, por isso essa briga é pessoal.

A música tema será lançada no dia 15 da Coreia, ou seja, dia 14 aqui para a gente. Ela foi produzida por Suga e cantada por Jungkook.

7 Fates Chakho – Teaser

Calma Armys, falta pouco. Que tal ouvir as músicas do BTS WORLD enquanto isso?

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As acusações de bullying pelo ator de Itaewon Class, Kim Dong Hee, são verídicas

Kim Dong Hee
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O ator em ascensão de 22 anos Kim Dong Hee, famoso por seus papéis em Itaewon Class e Extracurricular, assume as acusações de ter cometido bullying no ensino médio.

Uma publicação acusando o ator de ações de caráter violento surgiu na internet e logo viralizou. Isso porque a suposta vitima alegou se sentir muito em mal em vê-lo famoso, recebendo amor e a admiração do público.

Nessa quinta-feira, 13 de janeiro, o idol se explicou através das suas redes sociais, com o seguinte texto:

Olá, aqui é o Kim Dong Hee

Quando eu estava na quinta série, eu comecei a discutir com um colega na sala de aula, o que se tornou uma briga. Eu fui punido pelo professor. Quando a minha mãe soube ela chamou a minha atenção e me levou até a casa do garoto para me desculpar a ele e a sua mãe.

Então, nós não apenas ficamos juntos durante as aulas extras, como também jantamos juntos. Compartilhamos muito tempo juntos, sem problemas, e eu achei que haviam esquecido de mim. 

Eu não sabia que era o único que havia seguido em frente, não sabia que eles ainda estavam machucados por isso. 

Depois que o post subiu no ano passado, eu queria me desculpar com meu amigo imediatamente, mas não consegui reunir coragem porque estava com medo de que tudo não fosse visto como verdade, e causasse outro mal-entendido. Eu queria corrigir o que não era verdade, e já faz um ano desde então.

Devido aos meus julgamentos e pensamentos descuidados quando eu era pequeno, acho que não entendi profundamente como ele se sentia. Peço sinceras desculpas pela dor que causei e quero que resolvamos as coisas.

Além disso, lamento profundamente e peço desculpas àqueles que foram magoados por minhas palavras e ações imaturas quando eu era jovem.

Acusações de bullying tem sondado alguns idols nos últimos dois anos. E o assunto tem ajudado grande parte das vítimas que anteriormente eram descredibilizadas.

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Rust-Eater Bisco | Primeiro Gole

Rust-Eater Bisco
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Lançada nesta Temporada de Inverno 2022, a primeira temporada de Rust-Eater Bisco chegou e, com base em seu primeiro episódio, está com um baita gostinho de quero mais. A princípio, um shounen “cabeça”, maduro e para lá de curioso.

Introdução

Rust-Eater Bisco é um anime do estúdio OZ, o que é curioso, pois ele é estreante, sendo sendo seu primeiro trabalho. Isto se torna um ponto interessantíssimo pelo fato de, pelo menos para mim, esperar que o mesmo irá entregar e performar com muita vontade.

Os gêneros da animação são ação, aventura e fantasia, caracterizando-a como um shounen.

Sobretudo, é o primeiro trabalho de Atsushi Ikariya como diretor, este que trabalhou como membro da animação de animes sólidos, como Akame Ga Kill, Kill la Kill, Fate/Zero, Hataraku Maou-Sama!, entre outros. Na parte do roteiro, temos Sadayuki Murai, que trabalhou “somente” nesta parte em Cowboy Bebop e Perfect Blue.

Então, temos aí o primeiríssimo trabalho do estúdio e do diretor, adicionado com um roteirista experiente. Vontade somada com experiência! Sucesso à vista?

Enredo

Um cenário pós-apocalíptico, ou melhor dizendo, um Japão que foi assolado por uma catástrofe, a qual a culpa é atrelada aos cogumelos (sim, os cogumelos!), e “presenteou” os habitantes do mundo com uma doença mortal capaz de enferrujar a pele das pessoas, é a realidade de Rust-Eater Bisco.

Por causa desta calamidade, enxergamos desertos, áreas abatidas, pobreza, periferias, criminalidade nas ruas, cartazes de procurados, uma burocracia nova entre os japoneses, uma atmosfera mais pesada e que o dinheiro fala alto.

É perceptível o estrago que foi feito no solo oriental e, por isso, a situação no anime retratada de um jeito maduro, sério e real.

No meio disso tudo, o anime, em suas cenas primárias, já estampa nosso personagem principal, Bisco Akaboshi, conhecido como Cogumelo Comedor de Gente, que aparece de forma misteriosa, com a sociedade lhe caracterizando como um criminoso, um terrorista do Cogumelo que quer propagar a doença.

Em paralelo, somos apresentados a Milo Nekoyanagi, um doutor de periferia que atende aos necessitados e alvejados pela doença da ferrugem. Curiosamente, ele compra cogumelos (de forma clandestina) para achar a cura para todas as pessoas e, em especial, salvar sua irmã.

A união de um doutor que quer achar a cura com um “criminoso” parece ser uma boa ideia, não?

É justamente no fim do primeiro episódio que vemos Akaboshi encontrando Milo, muito provavelmente querendo sua participação para que ambos trabalhem em algum aspecto relacionado a esta doença.

Muito provavelmente estes dois vão em busca da cura, este é o meu feeling e é o que dar a entender.

Destaque

A forma como é contada a história é bastante diferente, não dando logo de cara ao telespectador o que aconteceu com o mundo, não informando de vez os objetivos dos personagens, criando uma curiosidade natural em quem está assistindo a obra.

Ainda falando da maneira como o episódio um colocou suas peças, a promessa é que seus episódios seguintes sejam condensados com muita ação, tensão e união entre os personagens apresentados.

A sensação é que o anime montou o tabuleiro no primeiro episódio e, do episódio dois em diante, vai movimentar as peças!

Apesar do personagem Akaboshi não ter aparecido muito, dá para ver que ele vai ser uma figura bem promissora, devido ao seu visual e flechas “cogumeleiras”. É visível que ele foi tratado como um meliante por causa deste seu poder de criar cogumelos a partir de suas flechas, mas, notoriamente, deve ter algo por trás disto tudo e, obviamente, uma boa razão.

O cenário chama muita atenção! Uma hora um cenário deserto, outra um bordel em uma periferia com um atendimento médico, tudo feito com traços belíssimos, o que mostra que o estúdio OZ está animado.

A trilha sonora contém um belo rock, isto é, podem esperar cenas de ações com uma sonoridade mais pesado nos próximos episódios.

Considerações

Rust-Eater Bisco chama atenção pela sua narrativa, personagens e estética. Com uma pegada adulta, atmosfera pós-apocalíptica, proposta de doença mais busca pela cura, o anime parece ser mais que promissor e possui potencial para chegar longe com a proposta de ser um shounen fora do normal.

Rust-Eater Bisco
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Mangás, Animes e a Psicologia Vol 2 | Suco Apresenta

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Mangás, Animes e a Psicologia 2 é o segundo livro da série de três livros do mesmo nome. O título propõe fazer uma análise principalmente psicológica de alguns animes e mangás e desvendar um pouco do que está nas entrelinhas das histórias orientais.

Novamente organizado por Ivelise Fortim, o segundo volume também conta com a organização de Cristiana Rohrs Lembo e a participação de 17 autores, sendo eles:

  • Ana Bárbara Naccarati de Mello
  • Antonio Carlos dos Santos Gomes
  • Carolina M. Grando
  • Flavia Cristina Trindade Corrêa Barros
  • Giullia Longo
  • Heloísa Harumi I
  • Henrique Mota Manesco
  • Heráclito Aragão Pinheiro
  • Katia Regina Oushiro
  • Luiz Mello Gallina
  • Marcia Luiza Trindade Corrêa de Melo
  • Maria Eugênia de Almeida Fedewicz
  • Paula Guimarães
  • Roxane Pirro
  • Victor Lippelt Matheus
  • Victor Sancassani
  • Vivian de Freitas Bandeira

O livro foi publicado em 2018 pela Editora Homo Ludens e conta com 16 capítulos de análise. Neste segundo volume temos a retomada de algumas obras que já foram citadas no primeiro, sob uma perspectiva diferente. De qualquer forma, em sua maioria os animes/mangás apresentados são inéditos.

Sob o ponto de vista principalmente da Psicologia Analítica de Jung, a obra também conta com outras abordagens, tais como Psicologia Comportamental, Psicanálise, e Psicologia Social.

As obras analisadas em Mangas, Animes e a Psicologia 2 foram:

Então, agora que já fomos apresentados ao livro, vamos falar um pouquinho dos pontos que mais me chamaram atenção.

O Queridinho dos Otakus

Assim como eu falei na apresentação do primeiro volume de Mangás, Anime e a Psicologia, não poderia deixar de falar dele agora. Novamente Naruto é objeto de análise nesse livro, mostrando que talvez a organizadora Ivelise Fortim tenha um apreço maior pelo anime. Inclusive, vários elementos que compõe a capa do livro são inspirados na história criada por Masashi Kishimoto.

É claro que pra mim, uma naruteira nata, é um deleite ver Naruto sendo tão explorado dessa forma, com a certeza de que ainda existem milhares de perspectivas a serem analisadas na obra.

De qualquer forma, neste segundo volume a autora Ivelise conta como conseguiu se conectar com um jovem paciente por meio de Naruto. O garoto chamado de Rafael tinha 10 anos, era negligenciado pelos pais, fissurado em videogame e tinha problemas na escola por ser muito explosivo.

Por meio de desenhos de personagens o garoto expressava suas emoções e visão de mundo. Então, quando Rafael fez um desenho de Naruto Ivelise viu a oportunidade de fazer um paralelo da história do ninja com a história do garoto, que se sentia sozinho e quando ficava muito irritado “explodia” e se tornava agressivo. A partir daí, a psicóloga encontrou um jeito de se conectar mais com o paciente e ajudá-lo com seus problemas.

Foi por meio de Naruto que a relação psicóloga-paciente pode se fortificar, além de ser o caminho para que Rafael enxergasse melhor os sentimentos que possuía. Com a comparação do anime com a sua vida, o garoto pôde refletir sobre as situações que aconteciam com ele e, observando também os personagens que gostava, se desenvolver a partir disso.

A outra análise referente a Naruto é sobre o personagem Gaara ser o bode expiatório da Aldeia da Areia. Como ele absorveu e se tornou o que as pessoas diziam sobre ele, por meio das diversas violências e abusos.

Achei interessante a comparação feita com as pessoas que sofrem bullying intenso, que muitas vezes acabam se tornando violentas. No entanto, assim como Gaara conseguiu superar e se tornar alguém melhor, essas pessoas também podem conseguir ajuda para sair dessa situação.

Desta forma, explicando as relações e a infância traumática de Gaara, a autora mostra como o personagem se tornou a sombra, ou seja, conceito Junguiano para descrever a “personalidade oculta” que todos possuem.

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Análises de Abrir os Olhos e a Mente

Mangás, Animes e a Psicologia 2 apresentou alguns capítulos que me surpreenderam positivamente. Lendo o título, ou vendo sobre qual obra seria abordada, não elevei muito minhas expectativas e acabei dando com a língua nos dentes.

Primeiro vou falar sobre a que mais me surpreendeu: Sailor Moon. Esse é um anime muito conhecido, um clássico dos anos 90, mas que nunca me chamou atenção. No entanto, depois de ler a análise feita por Henrique e Katia eu fiquei inquieta para assistir. Não pela história, ou pelo enredo, mas pelos simbolismos presentes na obra.

Os autores analisaram cada uma das sailors relacionando-as com deuses da mitologia greco-romana, além de outros símbolos. Eles mostraram como as personagens poderiam ser representadas, ou influenciadas por essas figuras mitológicas.

Além disso, os autores se aprofundaram bastante na simbologia da Lua, aspecto muito importante em Sailor Moon. Eles abordam o fato de Serena, a protagonista do anime, ser do signo de Câncer, este por sua vez regido pela Lua, e o que isso poderia dizer sobre sua personalidade. Com várias simbologias e algumas deusas que representam esse corpo celeste, a Lua tem relação com o psiquismo, o sentimental, com os enamorados e as emoções. No entanto, ela também pode ser vista como o feminino guerreiro, a natureza instintiva e o movimento, características presentes em Serena.

Enfim, este capítulo é um prato cheio e satisfatório para quem se interessa por esses assuntos, e particularmente, me conquistou completamente.

Já outra análise que adorei ler foi sobre as obras de Ai Yazawa, Nana e Paradise Kiss. Neste capítulo é exaltado como a mangaká quebra os padrões das narrativas femininas em shoujo.

Pegando o exemplo de Nana, a autora comenta que Hachi, uma das protagonistas do anime, tem o sonho de se tornar uma boa esposa e uma dona de casa. No entanto, quando ela consegue conquistar esse objetivo ainda assim não se sente completa ou realizada, fazendo uma crítica de que o amor e o casamento não são o destino final nem a salvação para as mulheres, como normalmente é mostrado.

Juntamente com isso, é comentado que Nana Osaki põe a sua carreira acima de qualquer coisa, inclusive dos seus relacionamentos. Vemos assim uma nova visão para os mangás shoujo, que normalmente tornam as mulheres passivas e quase escravas de seus sentimentos e relacionamentos.

Também me tocou muito o capítulo sobre Perfect Blue, trazendo uma reflexão sobre o medo de tomar decisões e sentir o abismo da angústia que o futuro pode trazer. É uma das análises mais curtas do livro, mas creio ser uma das mais profundas e reflexivas.

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Outras Nem Tanto…

Assim como tiveram capítulos que abriram minha mente de uma forma espetacular, tiveram outros que foram… ok.

Algumas análises foram maçantes, cansativas de ler e outras foram simplesmente confusas. Não sei ao certo se o autor não conseguiu explicar a história do anime direito, se o anime é complicado mesmo, ou se eu não tive capacidade o suficiente pra desvendar o que estava escrito. O ponto positivo disso tudo é que me deu vontade de assistir o anime só pra tentar entender o que o autor quis dizer.

Um ou outro capítulo eu achei apenas fraco, pouco interessante ou muito repetitivo em relação aos outros e ao primeiro livro lançado.

No entanto, foi com a análise de Your Name que eu me decepcionei. Infelizmente não sou imparcial para falar sobre isso, tendo em vista que é meu filme preferido, então você pode ler por si e tirar suas próprias conclusões.

O que me incomodou nesse capítulo não foi a autora, ou o jeito dela escrever, ou qualquer coisa do tipo. Me incomodou a abordagem escolhida para análise e principalmente o conceito junguiano utilizado.

Basicamente, o capítulo fala sobre Taki e Mitsuha entrando em contato com seus inconscientes através da anima e animus. Para Jung, anima é o lado feminino inconsciente de um homem e animus é o lado masculino inconsciente de uma mulher. O meu problema é justamente com esse conceito criado por Jung, pois não acho correto falar que o sentimentalismo é algo da mulher e a coragem algo do homem, por exemplo.

Como eu disse, essa é uma opinião pessoal, mas que acabou pesando muito para mim, pois o filme possui uma infinidade de conceitos e simbolismos que podem ser abordados e trabalhados. Vê-lo ser resumido nos dois personagens encontrando seu “lado feminino” e seu “lado masculino” foi decepcionante.

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Considerações Finais

Com seus pontos positivos e negativos na balança, o lado positivo com certeza pesa mais. O segundo volume de Mangás, Animes e a Psicologia me conquistou ainda mais do que o primeiro, trazendo, em sua maioria, um leque maior de abordagens e interpretações.

Dessa vez a revisão foi impecável, não percebi nenhum erro de digitação ou edição, o que me deixou bem feliz. Outro ponto que gostaria de exaltar é a capa, muito mais bonita esteticamente e cheia de simbolismos. Além disso, no final do livro tem uma página apenas para explicar de quais animes compõe a mandala da capa, o que eu achei sensacional. Também gostei do glossário que foi incluído, com a definição de alguns termos mais técnicos.

Por fim, acredito que Mangás, Animes e a Psicologia 2 entregou o que prometeu com ainda mais prestígio do que o primeiro volume. Então acredite, caro amigo otaku, se você gosta de desvendar simbolismos escondidos e saber o que está por trás da superfície, não vai se arrepender dessa leitura.

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Crunchyroll anuncia dublagem de Haikyuu e outros, confira!

haikyuu
Haikyuu (Imagem Divulgação)

Nessa quinta-feira (13), a Crunchyroll anunciou as dublagens que estão chegando na plataforma, para o primeiro trimestre de 2022.

Também foram divulgadas as aguardadas SIMULDUBS (animações lançadas com dublagem, em simultâneo com o lançamento no Japão). São elas:

  • Orient: Durante a Era dos Reinos Combatentes na terra de Hinomoto, todos os generais foram derrotados um a um pelos demoníacos Kishin, pondo um fim ao domínio da humanidade. Por 150 anos, indivíduos continuaram a resistir aos Kishin e buscar a liberdade, formando as chamadas Tropas Bushi. Quando jovem, Musashi e Kojiro sonhavam em formar a Tropa Bushi mais forte de todas – mas numa vila que idolatrava os Kishin, Tropas Bushi eram consideradas tabu. Mesmo contra todas as possibilidades, Musashi e Kojiro se unem contra as forças opressoras para um dia realizar seu sonho!
  • Love of Kill: Dois assassinos se enfrentam num prédio comercial: Chateau, uma apática caçadora de recompensas, e Ryang-Ha, misterioso e habilidoso. Os dois se tornam rivais após esse encontro, mas por algum motivo Ryang-Ha se interessa pela moça e começa a segui-la. Pouco a pouco, Chateau começa a formar uma parceria com Ryang-Ha, e se vê envolvida em sua disputa contra as organizações que o perseguem, além de se deparar com verdades de seu passado. Por que Ryang-Ha se aproximou de Chateau? O que o passado dela esconde?”
  • In the Land of Leadale: Após um terrível acidente, Keina Kagami fica presa ao sistema de suporte de vida, e sua única distração é Leadale, um VRMMORPG. Um dia, seu suporte de vida é desligado, e Keina falece… mas acorda encarnada dentro de Leadale, 200 anos no futuro. Ela agora é a meia-elfa Cayna, detentora de raras habilidades e atributos apelões. Embora não conheça nenhum dos habitantes desta nova era do mundo, dentre eles aparentemente estão três de seus “filhos”?! Uma aventura tranquila cheia de risadas e lágrimas! 
  • The Strongest Sage with the weakest certas: Apesar de ser o feiticeiro mais poderoso do mundo, o poder de Mathias é limitado graças ao brasão mágico com o qual nasceu. Convencido de que a única forma de se tornar ainda mais poderoso é reencarnando com o brasão correto, Mathias renasce no corpo de um jovem com o melhor dos brasões na primeira tentativa! Infelizmente, ele descobre que nasceu num mundo onde muito do conhecimento mágico se perdeu, e todos o consideram fadado ao fracasso. Caberá a Mathias provar que todos estão errados… na base da força bruta! 
  • Platinum End: “Eu vou te dar esperança de viver” Mirai Kakehashi perdeu os pais em um acidente e viveu em tristeza com os parentes que o adoraram. Tendo perdido a esperança, ele pulou do telhado de um prédio no dia da sua formatura. Foi aí que conheceu um anjo.

Já as novas dublagens ainda estão sem data de estreia, elenco e estudio, mas irão estrear na Crunchyroll nesta temporada.

  • Haikyuu! (Temporadas 1 & 2): “Depois de perderem para o Aoba Jousai no intercolegial, o time de voleibol do Colégio Karasuno está se empenhando ao máximo rumo ao torneio de primavera. Por isso, foi decidido que eles irão a Tóquio para um treinamento intensivo de amistosos contra Nekoma e demais times fortes da região de Touhoku. No meio de um treino de resistência, Hinata e Kageyama acabam correndo mais do que deviam e se perdem, encontrando uma pessoa inesperada no caminho…
  • Miss Kobayashi’s Dragon Maid S (OVA): “A Srta. Kobayashi é uma funcionária comum que leva uma vida bem banal e mora sozinha em um pequeno apartamento – até que ela salva a vida de um dragão fêmea em apuros. Esse dragão, chamado Tohru, é capaz de se transformar numa adorável garota humana (com chifres e um longo rabo) que fará de tudo para retribuir seu gesto, queira a Srta. Kobayashi ou não! Com esse persistente e amoroso dragão como colega de apartamento, tudo fica mais difícil, e a vida normal da Srta. Kobayashi está prestes a ir pelos ares!
  • The Ancient Magus Bride (OVA): “Chise está se preparando para seu ingresso à faculdade. Apesar de aparentar estar bem, ela está com um frio incomum para se sentir em pleno verão.
  • That Time I Got Reincarnated as a Slime (Temporada 2): “Mikami Satoru, funcionário de uma megacorporação, é apunhalado por um assassino nas ruas e renasce num mundo paralelo… Mas ele renasce como um slime! Jogado neste novo mundo com o nome Rimuru, ele assume a missão de criar um mundo que seja acolhedor para todas as raças.

Lembrando que obras já estão disponíveis na plataforma, no formato legendado.

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