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Orange: Primeiro gole, primeiras lágrimas. Uma das estreias mais aguardadas de muitos foi também, sem dúvidas, a que mais me fez chorar.

Em dois episódios assistidos, eu já lacrimejei mais de duas vezes, e não foi de vergonha da produção, como uns e outros em toda temporada. Pelo contrário. O que falar de tudo de especial que esse anime, que mistura muita sentimentalidade com fantasia e “viagens no tempo”, já teve a nos oferecer nos primeiros episódios somente?

Shoujo ou Seinen? 

Antes de falar isso, vamos fazer uma introdução geral à obra. Orange é baseado em um mangá em 5 volumes, publicado entre 2012 e 2015, de autoria de Ichigo Takano. O mangá, apesar de ter sido publicado aqui em terras tupiniquins como um shoujo, na verdade estreou na revista Bessatsu Margaret – de fato, uma tradicional revista shoujo – mas depois mudou para a Monthly Action, uma revista seinen. Apesar disso, Orange continuou sendo conhecido como um mangá shoujo. Mas, ué, a obra é voltada para garotas jovens ou para homens jovem-adultos afinal?

A verdade é que só por isso já podemos levantar algumas suspeitas sobre o conteúdo de Orange. Oras, se a obra pode ser enquadrada simultaneamente em “shoujo” e “seinen”, fica claro que a demografia seria mais “para todos” do que para um público ou outro. E por que isso? Porque, apesar de sua estética shoujo inegável, Orange é de fato uma obra de ficção científica e drama capaz de agradar todas as tribos. Apesar de já ter ouvido falar isso, eu só fui acreditar mesmo assistindo ao anime, já que pessoalmente não li o mangá.

Quem nunca se arrependeu por erros que cometeu?

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Orange (Imagem Divulgação)

A história é a seguinte: uma garota, chamada Naho, começa subitamente a receber cartas do seu eu do futuro. As cartas dizem a ela não só os eventos que acabam de fato acontecendo nos seus dias, como dizem ainda o que ela deve fazer para não ter os mesmos arrependimentos que esse “eu” de dez anos no futuro. Ela vai observando como os acontecimentos previstos de fato acontecem, e então, conforme ela segue o que as cartas pedem para que ela faça, tudo acaba saindo mais certo. Observando isso, ela resolve começar a seguir os conselhos das cartas.

Se essa premissa pode parecer muito viajada, a execução não tem nada disso. Pelo contrário, a execução tem uma profundidade de sentimentos imensa, e é de uma maturidade notável. Afinal, quem – sobretudo, quem em uma idade um pouco mais avançada – nunca se arrependeu por erros que cometeu? Quem não gostaria de mudar uma ou outra coisinha na própria história? Dada essa oportunidade, é isso que a protagonista faz: ela aconselha seu eu do passado para que ela tenha um futuro melhor. Não dá para dizer que essa premissa é exatamente original. Sei que até poucos anos atrás existia um site para mandar cartas para seu eu do futuro, e ultimamente, o meme do “mande uma carta para o seu eu do passado” também está muito popular. Assim, apesar de não ser exatamente original, Orange conseguiu transformar essa ideia em uma história, pelo que pude ver até agora, muito bem executada.

Em apenas dois episódios, como disse, já chorei pelo menos duas vezes. Por que? Porque várias coisas dramáticas já foram reveladas. Deu para ver que a história não vai ter nada de levinha, e é horrível pensar em como a protagonista pode estar errando novamente, e assim consequentes vezes. Arrependimentos são um sentimento universal, porque que atire a primeira pedra quem nunca errou na vida, então a história de Orange acaba sendo facilmente envolvente e promove muita reflexão. Afinal, ela pode estar “consertando” coisas que não poderiam ficar melhores. E nesse sentido, é uma história definitivamente mais profunda que o shoujo médio. Apesar de também tratar de questões de amor no ensino médio como muito shoujo genérico por aí, trata ainda de outros assuntos que podem torná-la muito querida também entre o público mais velho.

Fidelidade e Qualidade

A estética do anime de Orange está extremamente fiel à obra original, porque é a estética de um shoujo da melhor qualidade – tem muitos rostos redondos, “bishounen” e “bishoujo”, muito brilho, uma ternura no traço que foi transposta do mangá, ainda que o design de um personagem ou outro tenha mudado bastante. Além disso, as músicas são dignas de shoujo da melhor qualidade, e o trabalho do Yukio Nagasaki (Akatsuki no Yona, Itazura na Kiss, Ao Haru Ride) está facilmente reconhecível também. A animação do estúdio da multinacional Telecom (Futakoi, Moyashimon) é decente. No geral, a apresentação de Orange é muito boa e por si só já merece um lugar no top 10 da temporada. E como não é todo ano que temos um shoujo excepcional com “carão de shoujo” e um enredo capaz de agradar todas as tribos (quando foi o último, sinceramente?) eu aprecio demais essa estética.

Com tudo isso, eu – que sou uma mulher mais velha, por acaso mais adepta ao gênero josei que shoujo, e que não era nenhuma conhecedora prévia de Orange – já tenho a série como uma das minhas favoritas da temporada, e estou ansiosa para ver mais das peripécias da Naho com sua “astronauta com cor de primavera”. Sinto que vou precisar de um balde para assistir tudo, mas não devo me arrepender! A conclusão desse Primeiro Gole é clara: eu recomendo a série a todo mundo que gosta de slice-of-life, drama e romance. Já ouvi falar que o mangá é melhor, mas eu acho difícil ser melhor que isso, então… vou parar por aqui para não soar tendenciosa!

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