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Estava a procurar um filme para resenhar, quando dou de frente com Kumiko. Ele não é uma adaptação de mangá ou novel nipônica e, tão pouco uma produção oriental.

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O filme estrelado por Rinko Kikuchi (Pacific Rim/Círculo de Fogo) é uma produção – e tem na direção um – americano, mas com uma personagem japonesa, a tal Kumiko. E mais, o longa é baseado em fatos reais!

Kumiko
Kumiko, A Caçadora de Tesouros (Poster Divulgação)

A Conquistadora

Temos em primeiro plano a apresentação da personagem Kumiko, vivida esplendidamente por Rinko Kikuchi, em uma praia e encontrando um suposto “tesouro”. Na verdade, uma fita VHS, surrada e bem comprometida…

Ela leva pra casa e descobre ser o filme Fargo, de 1996, que por sinal, é baseado em fatos reais. Nessa, e fervorosamente, temos Kumiko crente em que a maleta enterrada em um dos trechos do filme, realmente fora enterrada. É aí que ela começa a tramar uma maneira de encontrar este tesouro ou mesmo, um escape de sua pacata vida em Tóquio.

Kumiko
Kumiko, A Caçadora de Tesouros (Poster Divulgação)

Por se tratar de um drama “pessoal”, temos na maior parte das cenas a vivência da personagem em sua blusa vermelha surrada. Ela vive numa Tóquio que não estamos acostumados a ver, numa parte da cidade periférica, simples e nada metropolitana. Kumiko trabalha como “office lady”, mas já está velha para sua profissão, tanto que seu chefe sempre a questiona do que a jovem procura ser na vida.

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Ela não se importa, ela quer ter sua casa, seu trabalho simples, comer seu lamen pré-cozido e claro, poder viver a aventura de sua vida… Viajar até os Estados Unidos, mais especificamente até a gélida Fargo, em Minnesota.

Kumiko
Kumiko, A Caçadora de Tesouros (Imagem Divulgação)

O Casulo de Kumiko

Se você acompanhou o trabalho de Rinko apenas por Pacific Rim/Círculo de Fogo, corra assistir mais filmes desta talentosíssima atriz. Como Kumiko, temos a melancolia, a introspecção e aquele livre e verdadeiro sorriso – quando acontece, é raro – com uma naturalidade exuberante. Não é à toa que concorreu como Melhor Atriz no Spirit Award. 

Bem como uma Tóquio tímida, temos uma vida simples sendo exemplificada na direção de Zellner, com uma Kumiko preparando o café para seu chefe, desviando da bagunça de seu apartamento – lembra o Togashi aqui :p – e falando o mínimo necessário com sua família e amigos.

Kumiko tenta uma socialização com amigos antigos ou mesmo seu seu coelhinho Bunko. Mas na verdade, ela não se importa com o mundo externo, e sua vida está voltada para com Fargo e sua obsessão em encontrar a maleta cheia de dinheiro, que segundo ela, será um grande acontecimento.

Kumiko
Kumiko, A Caçadora de Tesouros (Imagem Divulgação)

 

Obsessão Pelo Objetivo

O que você é capaz de fazer para conseguir o quer? Pode ter certeza que Kumiko é capaz de TUDO!
Uma das questões bacanas do filme é tratar quanto aos valores sociais. Enquanto que para o chefe da protagonista, ter Kumiko como office lady é um atraso, para ela, tanto faz como tanto fez; Ela vive bem do jeito que tá. Da mesma forma, com sua família, em mais específico, sua mãe que só pergunta coisas do tipo: “Está namorando?” “Está grávida?” ou mesmo “Já foi promovida?”.

É nessa que em vários momentos do filmes nos perguntamos: Será que a vida de Kumiko é uma “gaiola” ou na verdade, ela é um ser ímpar que pode transitar para fora dessa “gaiola social”.

“Kumiko é uma chama de esperança num mundo desesperançoso, talvez a única lúcida em um mundo de loucos”. Por Ritter Fan

Kumiko
A fotografia é um dos grandes trunfos de Kumiko, A Caçadora de Tesouros (Imagem Divulgação)

Real Particular

Kumiko sabe que Fargo é um filme e que também é baseado em fatos reais. Mas qual o limite de sua crença, ou melhor dizendo, até onde ela acha que o filme é real? Para ela, apenas o local e a mala são reais?

O interessante é que ela mesmo no filme se auto-intitula uma caçadora de tesouros, uma conquistadora – a lá Indiana Jones. Não dá pra saber se ela teve esta transformação quando achou a fita VHS na caverna da praia ou se fora sempre assim. Mas não importa, parece que em no decorrer de todo o filme, ela “consegue” viver sua realidade particular… Não há nenhum momento de desistência!

Kumiko
Kumiko, A Caçadora de Tesouros (Imagem Divulgação)

Irmãos Zellner

Podemos dividir o filme em dois momentos: Na escala de cinza da Tóquio de Kumiko em seu casaco vermelho, para a monocromática Minnesota nevada e branca de Kumiko, em seu edredom/poncho colorido.

As cenas são muito bem montadas e sonorizadas, mas a cereja do bolo é com a segunda metade do filme.

Os enquadramentos da jovem – com bochechas rosadas – em meio ao “nada” da neve, nos lagos gelados são muito belos. De fato, é um grande trabalho dos Zellner e do grupo musical The Octopus Project.

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Rinko Kikuchi em Kumiko, A Caçadora de Tesouros (Imagem Divulgação)

Esperando Ajuda

Kumiko, a Caçadora de Tesouros não é um filme para todos. Normalmente, se a sinopse te pegar, você vai gostar. Se estiver na dúvida, já assistiu algo como Winter’s Bone/Inverno da Alma? Se curtiu, acho que também pode ter uma grata satisfação com este aqui.Para a galera que não curte dramas melancólicos, passe longe.

Se algo do que podemos extrair do filme, é com toda certeza a “busca de seus objetivos”. Em diversos momentos, temos as sociedade freando a conquista de Kumiko, porém, ela nunca desiste e segue em frente.

Se ela possui algum problema ou é “louca”, isso não vem ao caso. Na verdade, o principal tratado por aqui é de que ela deve viver sua vida do jeito que ela vê, mesmo estranha para outros – ou todos. Cem vão atrapalhar? Continue. Um vai ajudar? Aproveite, mesmo que ele desista depois.

 

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