A edição do Anime Friends em 2013 trouxe diversas novidades, dentre elas o anúncio de três mangás da editora Nova Sampa, dentre eles Hakoiri.

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Da questão técnica

Hakoiri veio através da editora Nova Sampa e tem a assinatura de roteiro e arte de Cuvie. Particularmente, não conheço outros trabalhos da autora – Nightmare Maker, lançada pela Nova Sampa, também tem seu nome – e este trabalho foi lançado na revista bi-mensal ‘Young Champion RETSU‘.

O mangá conta com 180 páginas e 9 capítulos, sendo 7 da história central e 2 one-shots. Diferente do que muitos imaginam, Hakoiri vende sob a cunha de ‘Seinen/Ecchi/Romance‘ e não chega à ser considerado um Hentai, porém, isto gera algumas dúvidas, visto que o mangá apresenta cenas de copulação um pouco mais ‘hardcore’ às vistas num trabalho Ecchi.

Quanto à relação dos desenhos e arte de Cuvie – que alcança seus 38 anos em 2014 – a autora esbanja tranquilidade num traço ‘comum’ e não tão característico e um pouco mais sobre a autora, Cuvie é especialista em hentai, colecionando mais de 25 títulos! Um adendo: Ela fez um Shounen de nome ‘Kenrantaru Grande Seene’ para quem se interessar! 😀

Capa japonesa de Hakoiri (Imagem Divulgação)
Capa japonesa de Hakoiri (Imagem Divulgação)

Do andamento da obra

Hakoiri apresenta um roteiro altamente linear e não possui janelas; ou seja, o foco fica sempre com o protagonista Tanaka. Dos sete capítulos, os dois iniciais servem como “introdução” a até mesmo são denominados como: ‘Preparando o Palco‘.

Quanto  aos cinco capítulos na sequência, onde a trama realmente se desenrola, a composição da obra poderia ser esta aqui – baseando no conceito ‘Jornada do Heroi‘:

  • 3. Apresentação;
  • 4. Provação;
  • 5. Aproximação;
  • 6. Clímax;
  • 7. Recompensa/Fechamento;

Pelo fato de não haver algumas surpresas e da autora abusar do humor non-sense, Hakoiri aparenta ser deveras forçado. Talvez, o fator surpresa venha com o que o Avô da garota vai caçar o jovem “pobreta“: Ora com um grupo de agentes ou helicópteros do exército. 

Com relação à dinâmica, a obra vai bem. Como já dito, a linearidade dá fluidez e não dá pra se perder em momento algum na leitura, esta que é bem rápida. E falando em leitura, a superficialidade da trama não vai fazer você  ler buscando mais detalhes, a não ser que queira reparar nas cenas mais picantes.

Mas até agora você deve estar se perguntando: E os capítulos finais?

São dois capítulos extras que andam fora da trama do volume. O primeiro de título: ‘Paixão do Jovem Lobo‘, conta a história de um romance entre dois jovem onde ele, um mentiroso e aproveitador dela; O rapaz volta para sua cidade natal, conhece uma guria, transam e ele já pensa em viajar novamente, enquanto ela, a coitada, sofre de uma paixão um tanto que incondicional.

Já o segundo e último one-shot do volume, tem o título de: ‘Anormal‘ e representa muito bem o que é: Uma cena de um time de vôlei onde uma das jogadoras não se sentem confortáveis com a utilização de um short mais largo. Com isto, o técnico pervertido acaba “demonstrando” as utilidades e vantagens de se usar um short desse tipo e mais, com ajuda de mais uma garota – se é que vocês me entendem.

Servo x Chefe

A questão principal trabalhada no mangá de Hakoiri é quanto a diferença social. Tanaka é filho de um empregado da empresa de Ayase e sofre um baita preconceito do avô/líder da tal empresa.

É com isto que o tal avô coruja, trata a neta como o maior tesouro de sua vida, contratando agentes e até mesmo a força militar.

É possível uma pessoa de classe mais baixa namorar uma herdeira da alta classe? 

No início da trama, parece que tudo é impossível para Tanaka. Sua amada Ayase, além de estudar fora, tem problemas para despistar o avô e ficar um pouco a sós com seu parceiro. E olha que o casal busca qualquer lugar, e digo de novo, qualquer lugar MESMO para a troca de carícias e outras coisinhas a mais.

Além das diferenças sociais, sempre tem alguém para atrapalhar a união do casal. Sabe aquela história de princesa onde: “Você está prometida para a família X”, sim, isto ocorre por aqui também. Mas o legal é que o príncipe charming é tão babaca quanto o tal Tanaka – desculpa pelo trocadilho 😛 – e desde o início, não apresenta muito perigo por parte do tesouro em jogo, no caso, Ayase!

Além desta questão do “casamento armado”, o nosso protagonista tem de passar por uma provação, e digo literalmente. Há sempre uma amiga que por dor de cotovelo, tá afim de arruinar o caso entre os dois. Isto está presente por aqui e este fato é o que desencadeará para o clímax da história.

Hentai ou não, eu devo ler?

Hakoiri não possui uma trama tão original ou uma arte característica. Você pode ser atraído para a leitura se for um fã de um romance mais picante. Quanto ao humor, as cenas de toque non-sense não são muito bem exploradas não: O nível de cenas no conceito “forçado” é maior que o de “exagerado”.

Se a questão é ser hentai ou não, Hakoiri apresenta uma história de romance real. Tirando as cenas de caça do avô, as situações e diálogos entre o casal se enquadram num cotidiano de diversos parceiros que se vêem por aí. Há diversos casais que enfrentam barreiras para provar o amor à suas respectivas famílias e com essa ferramenta, Cuvie trabalha em Hakoiri.

Dá pra concluir que, pelo fator de ser um volume único, você sendo fã de Ecchi/Hentai pode tentar arriscar a leitura, se não, arrisque outras obras do gênero!

Hakoiri da edição da Nova Sampa (Imagem Divulgação)
Hakoiri da edição da Nova Sampa (Imagem Divulgação)