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O ano de 2021 está marcado na sétima arte como a pior temporada de premiações de todos os tempos, filmes medíocres que caem no esquecimento e trabalham pouco nossos pensamentos, mas entre eles existem alguns filmes interessantes como Nomadland ou Judas e o Messias Negro, mas se podemos dizer que existe um filme para se dizer o melhor dessa temporada, o nome dele é Era uma Vez um Sonho, drama familiar que escala para problemas mais pesados aos quais espirram para quem estiver ao redor, trabalha o dilema do abandono e reforça o conceito de família, mesmo que o dito cujo estiver em estilhaços.

Começa literalmente como um filme dos anos 90, com filtros desbotados, casa no interior e família curtindo o verão – só faltou um rock de fundo. De forma leviana, vemos uma família grande que se muda para Ohio para correr atrás de oportunidades, sair da pobreza. O problema de sair do interior é que tudo pode escalonar para o extremo, seja pelo bom ou mal. Apenas o mais jovem, Jay D. Vance (Gabriel Basso) foi quem saiu do lugar que morava para tentar coisas novas, mesmo buscando uma vida melhor, vêm aquilo que já citei, quando se têm grandes problemas na família, em algum momento espirra para alguém, dito e feito, e daí começa o filme de verdade.

A trama escalona junto com os problemas familiares, de uma mãe solteira com problemas com drogas a uma avó de passado sombrio em seu casamento, um garoto que começa a cair para o lado errado da vida, parecido com o da mãe, enquanto a irmã não aparece em tela, e quando aparece, ela diz que estava com o namorado, ou seja, estava fugindo daquela realidade. Como consertar tudo isso?

Pois bem, o modo como a trama trabalha cada arco familiar entre tempo atual e flashbacks, apontando cada momento em que a família se desestabiliza cada vez mais é onde a solução mais se mostra clara, Jay passa por uma infância de normal para ruim em questões de minutos, e quando sua mãe segue rumo a uma vida de dependente química, temos sua avó, que teve um casamento padrão oitentista de problemas e brigas de casal, mas o filme mostra que o buraco foi muito mais embaixo, cuida de seu neto diferente de como foi com a filha. Temos aqui uma redenção?

Pode-se dizer que sim, porque a vida de Jay muda por completo, de notas boas na escola até empregos pequenos para ajudar na casa, e foi dessa criação que Jay teve um caminho a seguir, esse que começou formado em direito pela universidade de Yale, que depois de um certo tempo vai ter que correr atrás daqueles problemas que espirrou em todo mundo, o que destaca uma mensagem importante, o quanto abrimos e mão para ir atrás da nossa vida quando o assunto é ajudar a família, esse drama intensifica a história pelo peso de cada escolha e pelo desenvolvimento de Jay.

Não é exagero chamar essa obra de “filme de personagem”, como se tudo girasse em torno de Jay, mas não é bem assim, só passa por grandes mudanças em sua vida por causa de todos os problemas que envolvem sua mãe, não é só uma mãe solteira tentando cuidar de dois filhos, é a tentativa se manter sã e falhar miseravelmente, cai para as drogas facilmente e busca todos os métodos para tentar uma vida melhor, inclusive casar com alguém bem sucedido. Mesmo assim nada melhora, que resulta em uma mãe que não pode se manter sozinha, e isso não envolve dinheiro, Amy Adams faz uma mãe quebrada, destruída em  saúde, sequelas de uma infância conturbada que escalou para a seus filhos, e hoje os mesmos cuidam dela, mas em uma situação completamente diferente, o que deixa esse dilema para nossas vidas, uma grandiosa lição de moral para quem acha que um usuário de drogas têm que ser tratado como lixo.

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Em uma mar de mediocridade, Era uma Vez um Sonho se salva nessa temporada e a única coisa que a mídia lembrou foi de Glenn Close, a avó de Jay, concorrendo ao Oscar e ao Framboesa pelo mesmo papel… parece que os críticos enlouqueceram com a quarentena e rasgaram a lógica no meio. Glenn Close merece a indicação ao Oscar porque foi talento escorrendo pelas beiradas, em paralelo Amy Adams deveria concorrer junto, mas Framboesa? É muita amargura no coração ou piada de mal gosto, devem ter ouvido um lado da crítica que só gosta de filme de herói ou qualquer coisa que tenha porrada, ignorando qualquer diálogo, tendem a ser as pessoas com gostos infantis, inclusive esse filme está na lista dos mais flopados da temporada, afinal o que deu na cabeça dessas pessoas?

Era uma Vez um Sonho é um drama sentido por muitos e entendidos por outros, belo exemplo de uma dificuldade que gera em torno toda a família, mas que nada justifica ter sua atenção cem por cento nos problemas, pois temos que continuar vivendo e crescendo, impecável em trama, forte em mensagem e grandioso pelo conjunto, deveria ser colocado como amplo favorito ao Oscar, mas parece que o julgamento por “mais um drama estadunidense” ofusca a excelência desse filme, poderíamos dizer que é mais nova obra injustiçada no Oscar.

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