juan miguel severo
Imagem Divulgação
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A série filipina Gaya Sa Pelikula (Like in the Movies ou Como nos Filmes) foi recebida com muito carinho pelos fãs (nacionais e internacionais) no meio BL em 2020, por conta de sua produção, atuação, trilha sonora e um enredo com muitas emoções.

O drama conta a história de Karl (Paolo Pangilian), um calouro de Arquitetura que se muda para Manila e deve morar um mês sozinho no apartamento do tio, para quem deve pagar o aluguel, sem qualquer outro tipo de ajuda financeira, como parte de um “ritual de passagem” que é tradição em sua família. No apartamento do lado está Vlad (Ian Pangilian), um garoto rico do curso de Cinema e assumidamente gay, que está “se escondendo” da própria família em busca de sossego. Karl arruma um trabalho como ghostwriter freelancer, e depois que ele leva calote de um cliente e perde o dinheiro do aluguel, os garotos armam um esquema que vai beneficiar ambos: Vlad paga o aluguel do apartamento e ensina as bases do curso de Cinema, para o qual Karl quer muito se transferir; em troca, Karl precisa fingir ser namorado de Vlad para conquistar a simpatia e apoio da irmã mais velha do rapaz, Judit (Adrienne Vergara), impedindo-a de levá-lo de volta para casa; com isso, os dois rapazes passam a morar no mesmo apartamento — o típico e adorado clichê “…and they were roommates!”

O enredo cobre a jornada de autodescobrimento e aceitação do jovem Karl perante a própria sexualidade, e é baseado na história real do próprio diretor e roteirista da obra, Juan Miguel Severo, e seu primeiro amor, também chamado Vlad e que acabou falecendo alguns anos depois.

Infelizmente, no começo da semana (21), emergiram acusações de assédio sexual contra o diretor. Severo foi denunciado por quatro vítimas, inclusive pelo ator Paolo Pangilian, que vive o personagem Karl na série, e cuja agência vai processar o agressor. A situação foi um baque para todos os fãs, que ficaram decepcionados e alegaram ter sentimentos conflitantes em relação ao drama após as notícias, mas que esperam apenas que as vítimas encontrem justiça.

Depois que a polêmica veio a público, Severo desativou sua conta no Twitter, enquanto Paolo fez uma postagem declarando (com razão) que assediadores/agressores não devem ser nunca colocados em posições de poder:

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Hoje um dos produtores da série, Quark Henares, escreveu no Twitter uma thread que também foi compartilhada por Paolo, sobre as dificuldades enfrentadas por todos os membros da equipe da série e sobre status da deliberação sobre uma possível segunda temporada, que supostamente começaria a ser gravada ainda esta semana. Por se tratar da continuação de uma obra autobiográfica do diretor e roteirista, fazer ou não a segunda temporada é um assunto que deve ser discutido com muita atenção, considerando todos os fatores que envolvem o processo, incluindo o respeito às vítimas. No fim, ele declarou que ainda não há nenhuma certeza, mas que apesar de tudo:

[A história ainda é nossa]

A equipe continua unida e se apoiando uns nos outros, e Paolo manifestou seu interesse de continuar no projeto, mesmo que este adote uma premissa totalmente diferente e desvinculada do original.

Qualquer que seja a decisão tomada pela equipe, assim como os fãs, desejamos apenas que aqueles que foram ofendidos pelas ações de Severo encontrem justiça e paz, e que cada vez mais as vítimas encontrem forças e apoio para enfrentar seus agressores.

A série está disponível no YouTube, confira AQUI.

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