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Deuses de Dois Mundos – O Livro do Silêncio
PJ Pereira
Da Boa Prosa
Livro de Mitologia
2013
261 páginas

A literatura atual engloba várias vertentes da mitologia, mas convenhamos que os deuses mais queridinhos são os gregos, romanos, nórdicos, dessa frota de histórias famosas e impulsionadas pela mídia que adoramos ver nos quadrinhos, filmes, livros e tal. Em Deuses de Dois Mundos – O Livro do Silêncio, de P.J. Pereira (2013), os deuses da mitologia africana são a inspiração para uma narrativa que une duas histórias, em tempos diferentes, e quebram um pouco do preconceito com a até então praticamente negligenciada cultura iorubá, de um dos povos que foram trazidos ao Brasil durante a escravidão.

deuses de dois mundos
Deuses de Dois Mundos – O Livro do Silêncio (Capa Divulgação)

Site Oficial

Newton Fernandes

A história começa com um acontecimento incomum para o jornalista Newton Fernandes (ou New, como é tratado na maioria das vezes) em um famoso restaurante em São Paulo, quando a conceituada chef vomita em cima dele depois de ter “baixado o santo” nela. Mais para a frente, a história do homem com uma mecha branca nos cílios, uma marca de nascença, transcorre por meio de e-mails trocados com Laroiê, que promete ajudá-lo a encontrar as respostas de que necessita. Além das interferências dos orixás na vida de New, ele precisa lidar com a sua vida profissional dentro do jornalismo, entre entrevistas e denúncias de pessoas que possuem muito poder político, e seus relacionamentos afetivos com colegas e chefes de trabalho. Neste processo, percebemos que ele não é o tipo de personagem politicamente correto que muitas vezes define o protagonista, mas sim alguém que fará o que considerar necessário para elevar seu status dentro da imprensa nacional.

Em paralelo, em uma época muito antiga, o autor conta a trajetória do babalaô Orunmilá, o maior adivinho daqueles tempos, depois que seus búzios silenciam e ele não recebe mais as mensagens dos orixás. Descobre então que as Iá Mi Oxorongá (feiticeiras com interesses contrários aos dos orixás) sequestraram os odus, os dezesseis Príncipes do Destino, que são os responsáveis por transmitir informações ao babalaô.

Riqueza de uma cultura

Na mitologia iorubá, as histórias das pessoas foram escolhidas pelos odus e sempre se repetem, ou seja, o que aconteceu no passado está acontecendo no presente e acontecerá no futuro da mesma forma. Com o sumiço dos odus, as Iá Mi teriam liberdade para reescrever todas as histórias das pessoas, o que poderia resultar em um caos ainda maior. Para impedir este acontecimento, Orunmilá foi instruído a reunir sete guerreiros e resgatar os odus, garantindo que o mundo permanecesse como estava. Nestes trechos, podemos conhecer mais sobre as personalidades de nomes conhecidos como Exu, Oxum, Ogum, Xangô e Iansã, sem a névoa do receio que muitas vezes recai sobre as religiões africanas e nos impede de buscar mais conhecimento sobre elas.

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P.J. Pereira nos prova que outras culturas possuem tanta riqueza de conteúdo quanto aquelas mais divulgadas pelo mundo. Muitos termos característicos são utilizados no texto, mas o glossário ao final do livro ajuda a orientar e relembrar o que cada palavra significa. De início, achei que eu ficaria perdida, mas a leitura flui bem e com o tempo acostumei com as novas palavras.

E para a alegria de quem descobriu agora este universo, Deuses de Dois Mundos é uma trilogia. Os outros volumes são “O Livro da Traição” (2014) e “O Livro da Morte” (2015). Existe também um booktrailer (logo abaixo) que, confesso, só assisti agora e achei bem bacana – e adoraria ver esta história em filme.

 

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