O ano de 2020 promete para novos filmes, e quando se fala de “novos”, releve ao extremo a palavra, diante a crise que alguns gêneros vivem em Hollywood, o terror é o que mais sofre para trazer algo interessante, e quando não se consegue criar uma nova história, se copia, e esse é o caso de Ameaça Profunda, o qual poderia ter sido sim um filme incrível, assustador e agoniante, mas trava na enxurrada de clichês e fórmulas repetidas do gênero que satura o terror hollywoodiano e o difama cada vez mais.

Para quem assistiu Alien: O Oitavo Passageiro, vai conseguir relacionar todos os elementos de roteiro e cena com Ameaça Profunda, o conjunto da obra casa quase totalmente com a velha franquia de Ridley Scott, só que troca o ambiente do vácuo espacial e alienígenas com as profundezas submarinas e monstros marinhos, por mais que aparente cópia, a ideia é comprada, pois em alguns momentos o medo se mantém presente.

O Terror Submarino

O terror submarino ainda consegue trazer agonia e desespero, a base da trama já é apavorante, uma escavadora submarina para exploração ambiental, ser humano mexendo com a natureza, só esse conceito já é de assustar, imagina viver em um lugar onde não consegue diferenciar o dia da noite, cercado de um ambiente sem vida e com poucas janelas, e nas poucas existentes se vê água e plâncton, viver a mais de dez mil metros debaixo d’água, isso já é uma fobia para muitos na sociedade, a primeira questão que poderia ser um furo de roteiro se torna o pontapé inicial para o terror absoluto, a pressão do nível do mar é o maior terror desse filme, é esse elemento que te faz segurar na cadeira e se sentir aflito a todo momento, só isso poderia ser o grande marco para um filme de terror incrível, os monstros que era a principal ameaça se mostrou uma forçada de barra tremenda.

ameaca profunda

Desenvolvimento

O que mais chamou a atenção foi o elenco, o desenvolvimento e a ordem de vítimas é gritante de tão óbvia e todo o desenvolvimento é o padrão terror de sempre, mas se mostra bem feito e a ideia é comprada, a protagonista Norah (Kristen Stewart) é a mais sagaz do grupo depois do Capitão (Vincent Cassel), já os outros foi aquela divisão de casalzinho, alívio cômico e primeira vítima, não existe um apego grande pelos personagens, mas em base a uma trama clichê, entregam bem ao decorrer da mesma.

E lógico que toda a fórmula de trilha que precede o susto é algo que nunca é deixado de lado, mas entrega tanto o que era para ser marcante, fica bobo e insuportável, um spoiler dentro do filme, o que é triste, porque as cenas escuras (até demais) e o elementos de estarem no fundo do mar engrandece muito nesse filme, o que só constrói um ponto a ser debatido, a fórmula do terror precisa ser repensada, não irão conseguir mudar da noite para o dia, também não conseguirão inovar, mas precisam acrescentar elementos interessantes como foi o fundo do mar aqui e trabalhar melhor o desenvolvimento de um roteiro “copiado” de outros filmes, a ideia de trazer histórias com skin diferente pode ser tentador e funcional para o público, mas nada grandioso ou impactante, na verdade se mostra uma produção esquecível.

Ameaça Profunda entrega um ambiente rico em terror, mas trava no mesmo defeito dos filmes modernos do gênero, corre atrás de roteiros já feitos, explora a última gota dos clichês, mas consegue bater uma ponta de medo no público em poucos momentos, mais pelo cenário do que pela história, chamar de desastre é injusto, pois por mais clichê que seja, ele têm potencial, para quem nunca viu filmes de terror.