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Sejam bem-vindos “sucolinos e sucolinas” ao novo quadro do Suco: O Tutti-Frutti. O Tutti-Frutti nasceu da ideia de levar aos leitores e leitoras nossas impressões das animações que se encerraram nessa temporada, bem como dar um norte para quem não conseguiu acompanhá-la.

O texto vai ser divido em três partes: a introdução que abordará sobre o estúdio, autor, adaptação ou original, o desenvolvimento que irá contar um cadinho do universo da obra e a conclusão com um teor opinativo.

Outro fator importante é que o texto será uma espécie de mix de frutas, assim como sugere o nome do quadro, portanto traremos duas animações que em alguns textos e contextos vão dialogar tanto em gênero quanto conteúdo.

Aharen-san wa Hakarenai

Aharen-san wa Hakarenai
Imagem Divulgação

Adaptação do mangá homônimo de Asato Mizu pelo estúdio Felix Film (Nekopara e Otherside Picnic) o ROM-COM escolar ilustra o dia-a-dia dos personagens Aharen Reina, Matsuboshi Raidou e seus amigos. O “ilustrar” aqui vai muito além de uma mera colocação, pois não se trata apenas de algo costumeiro, mas sim elaborado.

De um lado temos a personagem Reina – quieta, de aparência frágil e com dificuldades em calcular a noção de proximidade – enquanto no outro temos Raidou, o rapaz que está sempre tirando conclusões precipitadas e equivocadas.

É explorando essa relação de equívocos que Asato Mizu elabora todo o enredo da obra, seja reforçando os equívocos afim de criar o elemento cômico condizente com o gênero comédia romântica, lidando com as inseguranças ou estreitando os laços entre os dois personagens.

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Os 12 episódios foram muito bem adaptados e aqui abro espaço para dizer que o termo “bem adaptado” não se refere a fidelidade em relação a obra original ou apontar que uma é melhor do que outra, longe disso, pois a adaptação é um processo de criação, transcodificação e recomposição semiótica, mas isso é assunto para outro texto que podemos escrever como tira-teima alguma hora.

Em resumo, Aharen-san wa Hakarenai ao apresentar um ROM-COM que foge da mesmice do fanservice entrega a ideia de que é possível criar boas estórias com o básico, o uso correto dos clichês para gerar os momentos engraçados e os princípios que asseguram seu lugar entre tantas outras obras do gênero”.

Deaimon: Recipe for Happiness

DEAIMON: RECIPE FOR HAPPINESS
Imagem Divulgação

Nas mãos do estúdio Encourage Films (Etotama, Hitorijime My Hero e Isekai Cheat Magician) a adaptação em 12 episódios do mangá homônimo de Rin Asano reforça a afirmação aristotélica de que “a arte imita a natureza”, pois aqui a obra nos aproxima da vida.

Em um sentido mais amplo, simples e nas palavras de Robert McKee:

“A estória arquetípica cria ambientes e personagens tão raros que nossos olhos saboreiam cada detalhe, enquanto sua narração ilumina conflitos tão verdadeiros à humanidade que ela viaja de cultura em cultura (…)”.

É com esse princípio arquetípico que conhecemos o jovem Nagumo Irino – filho único dos donos da loja de doces tradicionais japoneses, Ryokushou – e seu encontro com a pequena Itsuka Yukihira.

Cada episódio fica evidente a habilidade de Asano em criar caracterizações ricas para seus personagens, seja nos mostrando a personalidade gentil de Nagomu ou a falta de confiança em adultos de Itsuka, além disso, outros personagens que complementam a obra não são meros acessórios para preencher espaços, ainda que ocupem menos tempo na narrativa.

O Ryokushou – local onde se passa as estórias na maior parte – reflete em muito a função do ambiente: situar os personagens no tempo, no espaço, no grupo social, enfim nas condições em que vivem.

Contudo, a obra não é feita apenas de personagens, conflitos e relações, isto é, há toda uma sutileza filosófica, própria dos wagashi – tradicional doce japonês – e do trabalho dos artesãos.

“Em síntese, Deaimon: Recipes for Happiness é um encontro com a vida que nos faz usarmos a mente de uma maneira nova, experimental e que ao mesmo tempo flexiona nossas emoções afim de nos divertir e adicionar intensidade aos nossos dias”.

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