Vamos com mais um daqueles filmes que concorrem ao Oscar 2018, A Forma da Água, o mais novo filme de Guillermo del Toro.

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O diretor mexicano sempre demonstrou um interesse bem interessante por monstros e uma fantasia que só ele sabe fazer nos cinemas; mais uma vez com sua característica fórmula, ele encanta e trabalha um romance com um quê de conto de fadas – mas bem mais grotesco!

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Michael Shannon e Sally Hawkins em A Forma da Água (Imagem Divulgação)

O Monstro da Lagoa Negra

A Forma da Água não apresenta um argumento original ou inovador. Na verdade, segundo o próprio del Toro, é uma homenagem a um filme dos anos 50 que gostava muito, O Monstro da Lagoa Negra.

A fórmula aqui é o padrão do que já conhecemos bem em longas de monstros e humanos, particularmente, de Monstro e Donzela, vide A Bela e a Fera, como maior exemplo. O que surpreende aqui, é de como ele conduz a história com um plano de fundo da Guerra Fria, personagens xenofóbicos e racistas, e claro, da motivação das personagens – todos trabalhados milimetricamente muito bem.

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Doug Jones encarna a criatura em A Forma da Água (Imagem Divulgação)

Conto de Fadas Grotesco

Lá nos anos 60, entre os embates da Guerra Fria e a corrida da supremacia do ego mundial, os Americanos encontram uma criatura humanoide que acreditam ser a chave para derrotar os Russos – até mesmo ajudar na corrida espacial.

Dentro desta instalação militar, vive o vilão da trama, Michael Shannon, o cabeça por trás de comandar as pesquisas dentro da base, e as faxineiras Zelda e Eliza, a última vivida por Sally Hawkins, muda e que começa a ter uma afeição pela criatura – sexual também!

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Michael Shannon vive um dos melhores vilões de 2017 em A Forma da Água (Imagem Divulgação)

Linguagens

Eliza e a criatura, Doug Jones, se comunicam apenas por linguagens de sinais (quem viu Koe no Katachi vai se identificar um pouco aqui), uma que a protagonista do filme é muda – por conta de um acidente em que perdera as cordas vocais – e a criatura, anfíbia, não consegue proferir uma palavra se quer.

Mesmo assim, é um trunfo de Guillermo dar um dinamismo ao filme, onde tudo parece ser normal e real – e não algo filmado para ser cinematografado. As reações, afeições e sentimentos das personagens são passados intrinsecamente ao telespectador, e toda essa vivência traz um apego – ou desgosto, principalmente pelo personagem de Shannon – não deixando de citar o ótimo trabalho que Richard Jenkins faz, sendo um artista de meia idade, aposentado e vizinho da faxineira muda.

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Richard Jenkins e Sally Hawkins em A Forma da Água (Imagem Divulgação)

Fantasia pé no chão e um pouco na água

Tudo no filme parece correr bem, com atuações, direção, roteiro bem estruturado, fotografia de época bem explorada – e regionalizada – e claro, adicionado aos toques mirabolantes e fantasiosos de del Toro.

Marcado como um diretor que explora o gênero Fantasia, é interessante comentar que em A Forma da Água, tudo parece bem mais perto da realidade do que se vê em outros filmes – como Labirinto de Fauno, ainda meu preferido. As ações, as cenas, são críveis na maioria das vezes – lembre-se, na maioria, já que a cena do banheiro cheio de água passou um pouco dos limites.

Se del Toro queria fazer seu filme de Donzela e Monstro, ele conseguiu, renovou e mostrou mais uma vez que é o mestre do cinema da Fantasia atual.