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Até encontrar meu marido | Suco Apresenta

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Como é ser um homem gay no Japão? Quem responde a essa pergunta é Ryousuke Nanasaki na sua obra autobiográfica Até encontrar meu marido. Nessa história, o autor compartilha desde a sua infância marcada pelo bullying até a fase adulta, quando encontra um caminho de felicidade em meio à homofobia.

Originalmente, o relato de Ryousuke foi publicado como livro e, em 2021, adaptado para mangá por Yoshi Tsukizuki. Agora em 2026, quem trouxe a obra para o Brasil numa edição de luxo foi a Editora JBC.

O mangá (edição única) tem capa dura, páginas costuradas, informações sobre o autor e o ilustrador, posfácio, dois capítulos extras e um marcador de páginas.

Então, vamos ao nosso Suco Apresenta!

Da maldição à aceitação

Talvez grande parte das pessoas LGBTQIA+ lembre de algum momento da infância ou adolescência em que pensou que não queria decepcionar a família, queria ser “normal” ou pensou que tivesse algo errado consigo. Pois é, com Ryousuke não foi diferente.

Infância e adolescência

Desde muito pequeno, ele era alvo de chacotas, “xingamentos” (entre aspas, pois em pleno 2026 a gente sabe que “bicha” não é ofensa) e julgamentos. Ryousuke era excluído, hostilizado e colocado em situações vexatórias constantemente, fazendo-o acreditar que carregava uma maldição.

Até encontrar meu marido Editora JBC
Homofobia | JBC | Divulgação: Suco de Mangá

Além disso, na adolescência lutava para esconder sua identidade enquanto sofria em silêncio pelas paixões secretas que cultivava. Entendendo que na sua cidade natal não conseguiria a liberdade que buscava, foi para Tóquio fazer faculdade, esperando encontrar um caminho um pouco mais acolhedor.

Começo da fase adulta

Agora na capital, longe da família que o rejeitou, dos amigos que não o compreendiam e do passado de violência, Ryousuke decidiu conhecer mais do “mundo gay”.

Entre encontros desconfortáveis, negação da sua sexualidade e sentimentos reprimidos, foi com suas amigas que ele encontrou um lugar seguro para se abrir. Assim, conseguiu se assumir e aceitar quem ele realmente era, sem culpa ou vergonha.

Até encontrar meu marido Editora JBC
Encontros da comunidade gay | JBC | Divulgação: Suco de Mangá

Então, acompanhamos Ryousuke em relacionamentos problemáticos, autodescobertas, situações engraçadas e doloridas, enfrentando a homofobia enraizada nas pessoas, na sociedade e no próprio governo.

Mesmo assim, essa não é uma história triste. Ryousuke conseguiu se aceitar, encontrar o apoio e amor das pessoas importantes para ele, se casar com o homem que amava e encontrar um meio de compartilhar sua história com tantos outros LGBTQIA+ pelo mundo.

Além disso, hoje ele é fundador da empresa Juerias LGBT Wedding, voltada para a produção de casamentos de pessoas LGBTQIA+.

Japão, um país não tão evoluído assim

Compartilhei rapidamente a história de Ryousuke para não dar muitos spoilers e deixar espaço para compartilhar com vocês algumas reflexões que tive lendo Até encontrar meu marido.

Acredito que, muitas vezes, temos uma visão muito romantizada do Japão. “A terra dos robôs, da tecnologia, educação e do respeito ao próximo.” Quase como um paraíso na Terra. Não é bem assim.

Afinal, não bastasse o casamento entre pessoas do mesmo sexo ser proibido no país, essa é uma lei constitucional. Ou seja, a lei soberana do Estado reservou um espaço apenas para proibir o casamento consentido entre adultos, puramente por um preconceito que, em outros países (como o Brasil), é considerado crime de ódio. Tudo isso no país visto como “avançado, respeitoso, evoluído”.

Até encontrar meu marido Editora JBC
Casamento entre pessoas do mesmo sexo é proíbido no Japão | JBC | Divulgação: Suco de Mangá

O Japão é o único país do G7 (formado por Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão e Reino Unido) que ainda proíbe o casamento entre pessoas do mesmo sexo.

Homofobia estrutural

Nesse contexto, não surpreende que os japoneses sejam extremamente preconceituosos, como o Ryousuke deixa bem claro em sua obra. Provocações constantes, rejeição, violência física e constrangimento são sofridos desde a primeira infância. Inclusive, algumas vezes até mesmo de LGBTs, apesar de serem casos mais raros.

Até encontrar meu marido Editora JBC
Bullying | JBC | Divulgação: Suco de Mangá

O número de suicídios entre a comunidade LGBTQIA+ é significativamente maior do que na comunidade heterossexual. Também, o abuso de substâncias, homicídios e depressão. Ou seja, claramente temos um problema social aqui.

Peso de uma obra

Por isso uma história como a de Até encontrar meu marido é tão significativa. Mesmo sendo um relato autobiográfico, é também um desabafo sobre uma sociedade estruturada desde — literalmente — sua constituição para calar nossas vozes.

Tem um peso tão grande que começou como um livro, se tornou um mangá e se espalhou por diversos países, em um contexto mundial em que o conservadorismo está em ascensão.

Agora, trago também meu reconhecimento à Editora JBC que trouxe o mangá para o Brasil, ainda numa edição tão cuidadosa e trabalhada. Um mangá feito para ler, mas também pra admirar, guardar e presentear.

Pelo menos, é assim que eu enxergo Até encontrar meu marido, como um presente à comunidade LGBTQIA+. É uma denúncia, um desabafo de todo o sofrimento, mas também um lembrete à esperança de que existe um caminho. Não estamos sozinhos e, mesmo que existam milhares de pessoas pra nos julgar, vão existir outras milhares para nos apoiar.

E, se você não é LGBTQIA+, ainda pode ajudar e apoiar a comunidade consumindo obras de artistas que são, falando sobre o assunto, pesquisando, nos ouvindo e respeitando.

Então, seja pra ler ou presentear, Até encontrar meu marido é um mangá que merece reconhecimento e destaque nas nossas prateleiras.

Até encontrar meu marido Editora JBC
Um final feliz | JBC | Divulgação: Suco de Mangá

Conheça o mangá

Jaqueline
Jaqueline
Um pouco avoada, a doida das teorias da conspiração e leitora compulsiva do Nome do Vento. Adoro escrever sobre aleatoriedades, observar a natureza e ser engraçadinha em momentos impróprios, afinal esse é meu jeito ninja de ser.

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