Sora yori mo Tooi Basho. Um título-palavrão que pode assustar aqueles que não sabem se virar em japonês.

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O título não é exatamente uma palavra ou duas, mas uma frase. Ela foi traduzida para o inglês como “A Place Further Than The Universe”, ou “Um Lugar Mais Distante Que O Universo”.

Entretanto, literalmente, o título significa “Um Lugar Mais Distante Que O Céu”. Por que a troca de “Céu” por “Universo”? Porque originalmente, quando anunciado na Anime Expo de 2017, seu título original se chamava “Uchuu yori mo Tooi Basho: A Story The Leads to Antartica”, ou “Um Lugar Mais Distante que o Universo: Uma História Que Leva à Antártida”.

Não se sabe o porquê da alteração, mas por que se perder em um parágrafo inteiro apenas pelo título? Explico.

O Tamanho de um Sonho

Tanto o céu, quanto o universo tem a mesma vastidão que os sonhos de nossa protagonista, a estudante do segundo ano, Mari Tamaki. Essa menina se encontra frustrada, tendo já escrito uma pequena lista de deveres para poder aproveitar a adolescência do jeito que gostaria; uma lista que escrevera ainda criança, mas o primeiro ano já passou e ela ainda não conseguiu fazer nada.

Entre seus objetivos, Mari deseja viajar para um lugar bem distante, um lugar que nunca tenha visto. Mas tudo o que está à sua frente é uma vida deveras normal… sem excentricidades, sem nada que a faça sentir que esteja aproveitando esse momento único da vida.

Mari possui uma longa amiga de infância, Megumi, que a acompanha no ensino médio. Certo dia, as duas se despedem na estação de trem ao voltarem da escola, quando Mari acena e corre para pegar a condução, uma estudante passa correndo por ela e deixa cair um envelope.

O susto vem na hora ao descobrir que ali havia nada mais, nada menos que um milhão de ienes (pouco mais de 300.000 reais). Só que não há demora em achar a dona do pacote, que estuda na mesma escola; e aqui, entra em cena a nossa segunda protagonista, tão central ao que está acontecendo quanto a Mari:

Sora yori mo Tooi Basho
Sora yori mo Tooi Basho (Imagem Divulgação)

A Determinação de um Sonho

Shirase Kabuchizawa é a filha de uma expedicionária que sumiu numa viagem à Antártida. Desde então, Shirase resolveu que viajaria para lá também na chance de encontrar sua mãe.

Podemos dizer que ela não “resolveu” simplesmente; ela meteu na cabeça que quer ir para a Antártida e fez disso sua obsessão, a ponto de ganhar o estranhamento e, como não pode deixar de ser, o escárnio do restante da escola, que a chama de “Nankyoku” (Polo Sul), por conta de sua fixação.

Mari nunca havia percebido essa garota antes, ainda que fosse muito motivo de zoação e fofoca. Depois de resolvido o problema da perda do dinheiro, Shirase conta sua história e seus planos para Mari; para surpresa, a menina fica genuinamente interessada nessa viagem. Ir até a Antártida… um lugar além de tudo que ela poderia pensar, era exatamente o que Mari precisava para enfim por seus sonhos para fora da lista.

Enquanto ela arruma um emprego de meio período para conseguir o dinheiro necessário para a expedição civil que virá, Mari e Shirase fazem mais duas amigas que compõe o quarteto: sua colega de trabalho, Hinata Miyake, uma menina sempre com uma citação (de sua própria autoria) na ponta da língua para qualquer situação e Yuzuki Shiraishi, que por conta da vida profissional precoce e bem ativa na televisão, nunca teve a chance de fazer amizades concretas.

Sora yori mo Tooi Basho
Sora yori mo Tooi Basho (Imagem Divulgação)

Jovem, Demasiado Jovem

Dito o suficiente sobre esse anime sem dar demais, umas palavras sobre sua produção. Pois o que realmente impressiona sobre esse anime é como ele é bem executado. Em que sentido ele é bem executado?

Este slice of life faz jus ao termo; ao mesmo tempo que ele sem dúvida não chega aos pés de um realismo ao ponto de retratar “a vida como ela é”, me impressionou como ele transita tão bem entre a ficção e o real.

Ficção talvez por contas das situações meio “Deus Ex Machina” que toda obra de ficção precisa, nem que seja uma pitada, para dar a emoção de que precisa, como no caso de uma expedição aberta excepcionalmente daquela vez para civis que permite que garotas do ensino médio viagem para o Polo Sul.

Já no real, os dramas vividos são bem próximos aos dramas que se esperam na vida de uma adolescente do ensino médio. Não há os exageros costumeiros que a ficção também nos permitem: ali nós vemos amizades se desenvolvendo de um jeito que podemos parar e pensar “Hey, eu posso imaginar essa situação acontecendo”.

Pego aqui emprestado as impressões do Gigguk recentemente postadas no Twitter, um youtuber com opiniões e impressões bastante boas de acompanhar: o estúdio Madhouse soube articular num anime um autêntico clima de adolescência.

As relações, os conflitos, os sonhos, tudo isso tomou a forma de algo jovem, demasiado jovem. Pode ser que o anime seja do desagrado de pessoas já um pouco mais envelhecidas de espírito. Mas recomendo bastante a qualquer um, mesmo a estes últimos. Quem sabe? Sora Yori mo Tooi Basho é capaz de nos ensinar a como sonhar de novo.