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HYBE CINE FEST 2026 leva grandes astros do K-pop aos cinemas em outubro

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Pôster Divulgação

Os fãs de música pop sul-coreana terão um encontro marcado nas telonas globais no final de outubro. A Trafalgar Releasing e a HYBE anunciaram o HYBE CINE FEST 2026, um festival cinematográfico com duração de uma semana que ocorrerá entre os dias 24 e 31 de outubro. Após edições anteriores na América Latina em 2024 e na Ásia em 2025, o projeto expande seu formato pela primeira vez para mais de 60 territórios ao redor do mundo.

O circuito cinematográfico apresentará seis atrações exclusivas ao longo da semana temática. A grade inclui transmissões ao vivo da turnê mundial do BTS com paradas na América do Sul, filmes-concerto com apresentações completas de grupos consagrados como SEVENTEEN, TOMORROW X TOGETHER e ENHYPEN, além da estreia da dinâmica interativa HYBE CHEERING PARTY in 3D.

Venda de ingressos mundial e exibição das transmissões ao vivo

A comercialização das entradas começa oficialmente no dia 30 de setembro, uma quarta-feira, a partir das 10h pelo horário de Brasília. As informações de salas participantes e horários locais ficarão disponíveis no portal hybecinefest.com. Enquanto os shows transmitidos ao vivo contam com agendas rígidas ou ajustes de fuso no site btsliveviewing.com, as demais produções serão exibidas em rotação ao longo de toda a semana festiva.

Marc Allenby, CEO da Trafalgar Releasing, destacou que a união de apresentações históricas transmitidas em tempo real, longas musicais completos e experiências tridimensionais oferece uma oportunidade ímpar para o público se reunir e festejar o catálogo dos grupos nas salas de cinema.

Programação dos shows e experiências exclusivas nas telonas

A grade do evento traz a transmissão BTS WORLD TOUR ‘ARIRANG’ IN BUENOS AIRES: LIVE VIEWING nos dias 24 de outubro nas Américas e 25 de outubro no restante do planeta, marcando a estreia do grupo em palcos argentinos. Mais adiante, nos dias 30 de outubro nas Américas e 31 de outubro nos demais países, ocorre o BTS WORLD TOUR ‘ARIRANG’ IN SÃO PAULO: LIVE VIEWING, celebrando o desfecho da perna sul-americana da turnê no Brasil.

O público também poderá acompanhar o filme-concerto SEVENTEEN WORLD TOUR ‘NEW_’, que retrata a fase comemorativa de dez anos do grupo com performances intensas. A quarta turnê do TOMORROW X TOGETHER chega com o registro ‘ACT : TOMORROW’, destacando a narrativa cinematográfica do grupo e sua conexão com a base de fãs MOA. Já o ENHYPEN marca presença com a turnê ‘BLOOD SAGA’, filmada em Seul, mesclando estética vampiresca, banda ao vivo e passos milimetricamente coreografados.

A programação interativa é complementada pela HYBE CHEERING PARTY (IN 3D), que convida o público a empunhar seus bastões luminosos oficiais e cantar através de legendas com efeitos 3D ao som de clipes de BTS, SEVENTEEN, TOMORROW X TOGETHER, ENHYPEN, LE SSERAFIM, &TEAM, BOYNEXTDOOR, TWS, ILLIT, KATSEYE, aoen, CORTIS e SANTOS BRAVOS.

Ambientes temáticos e ativações nos complexos de exibição

Em complexos selecionados, o festival disponibilizará o programa de imersão presencial Special Location, expandido para América do Norte e Europa após estrear na Ásia e América Latina. Os espaços catalogados como Special Location Plus oferecerão áreas interativas completas, brinquedos colecionáveis de edição limitada e produtos oficiais.

As salas designadas como Special Location terão murais de mensagens e espaços temáticos montados para fotografias de fãs. Determinadas localidades também receberão lojas temporárias oficiais do HYBE CINE FEST, funcionando como pop-ups exclusivas para aquisição de lembranças e itens temáticos ao longo dos dias de evento.

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Aviãozinho do Tráfico 4 resgata a nostalgia dos shooters clássicos com humor nacional

aviaozinho do trafico 4
Imagem Divulgação

Esqueça o lançamento de Wolverine e a pré-venda de Zelda: Ocarina of Time, você tem apenas um único motivo para ser feliz hoje! AVIÃOZINHO DO TRÁFICO PRÉ 4::SOBRARAM DEMONIOS DO PORTAL PRO INFERNO NA FAVELA QUE ABRI E AGORA TENHO QUE SALVAR OS MAMADAS DO RONALDO, chegou! E com o Suco você poderá desfrutar o que a continuação de um clássico brasileiro alcança a nostalgia do boomer shooter e a história “memistica” brasileira.

Sem tempo para relaxar!

Em Aviãozinho do Tráfico 4, você continua a aventura de seu antecessor após a tentativa de reviver Mit Aia que resultou na abertura dos portais do inferno e seus demônios. Você salva Mit Aia e nisso resulta numa festa no céu com Mackie Jackie e Os Mamadas. Imagino que se você não pegou a ideia desses nomes é claro que falta aquele tempero a mais da cultura musical, em suma, Tim Maia, Micheal Jackson e Mamonas Assassinas! Tá tranquilo né parça? Que nada Os MAMADAS desaparecerão cara, vai lá salvar eles pô!

Porém a aventura não fica travada nas favelas do Rio, então prepare-se para embarcar numa aventura frenética pelo Brasil, passando por São Paulo, Salvador e o próprio Inferno! Claro, tem Rio de Janeiro também, mas ali você passa rápido com a nova mecânica implementada de Pulo Duplo e Investida, o Dash, que você pode combinar elas para dar uma mobilidade extra e alcançar lugares não esperados pelos inimigos…. ou será que não?

Toda a franquia Aviãozinho tem em sua essência os clássicos hack room baseados em shooters como Doom e Quake da era 2000, que eram encontrados em qualquer barraquinha na praça e se passavam como jogos novos. Provavelmente você pode ter visto versões de Futebol e até mesmo de jogos musicais que eram modelados também!

De Chinelada a Berimbau, seus tiros são um escambau!

Em Aviãozinho 4, suas armas ganham ainda mais a feição da cultura brasileira, as clássicas escopetas do inicio do jogo vão dar lugares a armas exóticas como, berimbau que lança cocos explosivos, uma cuia de chimarrão que é um lança-chamas, estilingue de feijoada que lança farpas mortais entre outras maravilhas que não vou explanar para não perder a graça, mas o aviãozinho, esse está de volta e é mortal!

A campanha te prende bem, com os objetivos de matar todos os inimigos e/ou encontra também todos os segredos dela. Os inimigos você consegue seguir pelo contado na tela, os segredos que vão fazer você retornar e explorar ainda mais um pulo ou uma entrada que você passou direto e por ai vai. A evolução dos inimigos também vão escalonando para dificultar sua vida e até mesmo te dar um jump-scare com uma gritaria inconfundível de demônios kamikazes e seu AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA! Uma grande abraço a referência de Serious Sam e os Beheaded Kamikaze! E assim que você matar qualquer inimigo, chute a parte do corpo que sobra para aliviar a tensão!

Um grande diferencial é uma fase de SKATE! que muda a perspectiva de como o motor ID Tech 2 pode ser criativo, e dessa forma o desenvolvedor e compositor Joeveno mostra do que ela pode ser capaz. Será é esse momento é um aperitivo do que vem por ai? Mas voltando para a campanha e para história é uma dos 32 mapas disponíveis que se dividem entre momentos de exploração e quebra-cabeças com arenas de horda, clássicas desse estilo de jogo. Então você vai descobrir o vilão do game e ainda mais porque você é necessário para enfrentar Mc Daleste!

Entra no ritmo vai, vai, vai!

Você pode até ficar desconfortável com a proposta visual do jogo, mas isso é claro por se tratar de uma homenagem e um trabalho sobre uma plataforma antiga. O show de cores e as construções para trazer o Brasil e suas áreas,  os pontos turísticos recheados de plataformas e demônios para você atirar. Mas o que importa é como ainda é possível modelar e deixar uma originalidade para a engine e deixar divertido uma proposta que é o Aviãozinho.

Porém como todo game,e principalmente um shooter necessita é aquela trilha sonora motivacional para você focar a adrenalina e conquistar. Com todo o tempero da letras de funk carioca, clássicos da música brasileira e renomadas batidas clássicas, não tem como você não ficar parado uma vez para ouvir a faixa toda e ficar absorvendo a mágica criativa de Joeveno. Claro que essa parte, fica para você quando jogar, eu não tenho mais nada a declarar, vai “senta na….” página da Steam e compre já! Há!

O jogo tem seu pace e sua descoberta inicial muito boa, claro que após você jogar uma vez o desafio é a maior dificuldade e descobrir todos os segredos. O balanço das armas é o clássico quanto mais nova fora da curva, mais forte é mas tem as munições escassas. O Modo Multijogador está ainda em desenvolvimento e Aviãozinho 4 tem espaço para Mods e futuros mapas.

Você pode escolher níveis para treinar ou só explorar os segredos que faltaram durante a campanha, ou se quiser um grande desafio, entrar no modo de hordas e enfrentar um real desafio. Mas e os controles? Simples antigo de qualquer shooter, para um Orelhão de Telefone Público como eu, o pause e seu menu é tão nostálgico, que é simples. E outra tem a localização para te ajudar também! Aqui é BRASIL!

De antemão, agradecer ao Joeveno e a galera da JF Games pela chave cedida por essa obra que continua um sonho e alegra a indústria nacional com a nostalgia de um gênero e de uma era que o “simples” é o suficiente dessa época! Você já pode comprar Aviãozinho do Tráfico 4 na Steam no valor de R$19,99 e como descontinho de lançamento tá menos que uma coxinha de posto de rodovia! Salve o MAMADAS do Ronaldo!

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Jaadugar: A Witch in Mongolia | Obra da Science Saru retrata o Império Mongol

Jaadugar A Witch in Mongolia capa
Imagem Divulgação / Science Saru / Crunchyroll

A Temporada de Verão 2026 dá os primeiros sinais de adeus com a conclusão de uma das melhores estreias do ano na Crunchyroll. Jaadugar: A Witch in Mongolia (Tenmaku no Jaadugar) encantou públicos dos lugares mais diferentes e das mais diferentes posições de maneira unanime. 

Ficção histórica de alta qualidade? Drama de vingança e ressentimentos ambíguos? O covil das bruxas que não puderam queimar? Ou apenas mais um trabalho dedicado de corpo e alma à uma adaptação sublime que a Science Saru entrega como poucos? Por ter ganhado tantos corações, pelos mais variados motivos, é fato que projetadas não faltarão. Mas por ora, falemos sobre o que vimos.

Jaadugar A Witch in Mongolia capa
Imagem Divulgação / Science Saru / Crunchyroll

O FATO MONGOL

Jaadugar consegue um feito e tanto ao reproduzir um dos períodos mais turbulentos e violentos da história humana com um estilo cartunesco, sem em nada suavizar o impacto dramático de sua história. Como vimos em Angolmois, a expansão mongol no século XIII foi um horror para chineses, coreanos e japoneses. Nestes últimos, as histórias das invasões mongóis ganharam forma mítica; os ventos divinos que destroem os barcos e frustram as investidas dos khans rumo ao extremo oriente inspiram a lenda do kamikaze, que ganharia conotações mundialmente traumáticas em 1941, com o atentado a Pearl Harbor. Além disso, a expulsão dos mongóis foi pedra fundamental no prestígio do que viria a ser o samurai, que a partir desse conflito se dedicará não somente à arquearia, como ganhará a forma tão conhecida de espadachim.

Porém, a aurora mongol foi sentida ao ocidente. Na cidade de Tús, no atual Irã, o assassinato de um mensageiro mongol pelas tropas do Xá selará o destino de incontáveis homens mortos e mulheres e crianças escravas. E entre estas últimas, Sitara, a protagonista de Jaadugar. Se o Islã foi conhecido pelas suas conquistas por todo o Oriente Médio, o norte da África e parte da Europa até a Reconquista, não faltaram momentos onde muçulmanos passaram de dominadores para dominados, de maioria impositiva à minoria submetida. 

UM MUNDO AMACIADO?

O próprio anime não dá muito bem essa dimensão no seu primeiro episódio. A cidade de Tús, pacífica, harmônica, rica em vida cultural e intelectual, reluz tanto o brilho de Alah ao ponto da escravidão soar um mero passatempo, com a fileira de crianças sorridentes torcendo para serem compradas por Fátima, a recém viúva que procura uma criada para acompanhar sua experiente escrava loira de olhos verdes como esmeralda (que por isso mesmo, é chamada de Zumurrud).

Se a convivência de Zumurrud e Fátima é amistosa, como foram amistosas muitas relações entre senhores e escravos ao longo da história, isso em nada diminui o fato violento que funda a escravidão. No caso de Zumurrud, onde ela e o irmão são mencionados como vindos “do extremo oeste, nas terras que beiram o mar”, tudo indica que eles são dos balcãs, próximo ao Mar Negro. E, na história da região, bastante indiferente para o nosso dia a dia, milhares de eslavos e eslavas caíram em mãos otomanas, raptados como escravos. Foi essa realidade histórica que a equipe croata do Eurovision 2026 demonstrou em “Andromeda”. Se nos dias atuais, a tatuagem é um escândalo evangélico, as mulheres sicanje tinham na tatuagem o lembrete de quais terras cristãs pertenciam essas cativas.

Jaadugar A Witch in Mongolia capa
Imagem Divulgação / Science Saru / Crunchyroll

E quanto à ciência? Se em anos mais recentes o mundo islâmico ficou conhecido pelo obscurantismo e, como um todo, é conhecido por apagar os traços das civilizações antigas por onde passam, Jaadugar tem o mérito de resgatar e popularizar um fato do mundo muçulmano: sua riquíssima tradição intelectual e científica. No jovem Mohammed, amigo que desperta a curiosidade de Sitara, enxergamos como a fé não deixa de ser um motor para a busca da verdade. “Creio para entender e entendo parar crer” disse Santo Agostinho, condensando a realidade da teologia não só cristã, como geral. Entendendo o mundo e a verdade como benesses reveladas por Deus, o mundo pré-laico não deixava de se encantar e perseguir as verdades de um mundo criado por um Deus verdadeiro. Daí o nome antigo da ciência: filosofia da natureza. E os centros intelectuais do mundo persa não faltaram com contribuições marcantes nas mais variadas ciências: matemática, anatomia, medicina, astrologia (que historicamente é bem diferente de saber o horóscopo do dia), contribuições essas que a própria ciência moderna, do alto de sua pomposa arrogância, é obrigada a reconhecer até hoje.

Jaadugar A Witch in Mongolia capa
Imagem Divulgação / Science Saru / Crunchyroll

É nesse ambiente que Sitara desperta para o encanto do mundo e seus mistérios, lendo clássicos gregos traduzidos e preservados pelo mundo muçulmano, como Euclides. Só é uma pena que um fato histórico tão elementar do mundo medieval só tenha seu reconhecimento reservado ao mundo islâmico. Quando as ficções históricas voltam seus olhos para o mundo feudal, como em Orb e qualquer isekai de inspiração medieval, a curiosidade científica dos monastérios é ocultado com o mais puro suco de mito da Idade das Trevas, exagerando um obscurantismo religioso pintado e panfletado pelo Iluminismo que o sucedeu.

O DIREITO DE ODIAR

Mas se o blá-blá-blá de um historiador tentando enxergar além das frestas que Jaadugar deixa aberto tende mais à irritação do que qualquer outra coisa, talvez um comentário sobre aquilo que Jaadugar sem sombra de dúvidas expõe de melhor seja melhor recebido. Pois no drama de Sitara, que arroga para si o nome de sua ama assassinada, Fátima, sobreviver sob o cativeiro mongol significa jamais esquecer da dor infligida pelos seus invasores, muito menos deixar esfriar a chama do ódio que clama por vingança.

Jaadugar A Witch in Mongolia capa
Imagem Divulgação / Science Saru / Crunchyroll

É assim que Fátima conseguirá se aproximar de Töregene, uma das esposas de Ogedai Khan e vítima da dominação sobre as várias tribos da região da Mongólia, unificadas violentamente sob Genghis Khan. As duas se unem pela dor da perda de seus entes queridos e pelo sentimento odioso de viver em terras inimigas. Se em Vinland Saga aprendemos que ninguém tem inimigos, Fátima e Töregene juram pelos seus passados trágicos ser o fogo que atiçará um barril de pólvora sobre o império mongol.

Desse encontro, Jaadugar passa os últimos episódios mostrando as intrigas políticas entre os mongóis após a morte de Genghis Khan. Os conhecimentos químicos de Fátima ajudam a orquestrar uma conspiração para matar um homem forte demais para continuar vivo. Concubinas, servas, mães, as longas tendas exploram os bastidores da política pelos manejos de mulheres que, ao lado de generais, comandantes e imperadores, orquestravam os rumos para onde o poder seria executado.

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Imagem Divulgação / Science Saru / Crunchyroll

E se por vezes o convívio com os mongóis arrisca que Fátima naturalize sua nova condição de vida, a memória dos Elementos de Euclides manchados de sangue renovam suas energias. E Jaadugar é intransigente com esse sentimento. Afinal, a vítima do absurdo, o inocente que sofre a injustiça, tem o direito de odiar? É fácil imaginar que sim, pois a vingança é praticamente um instinto. Nenhuma criança pronta a apontar o dedo com um “foi fulano quem começou!” deixa mentir. O ato de responder e se legitimar diante de uma violência prévia (real ou imaginada) é quase que marcada no DNA, de tão instintivo e automático que soa.

Mas conforme assistia a revolta de Fátima e Töregene, exemplos concretos de vítimas reais reivindicando o direito de não perdoar e seguir odiando a injustiça sofrida vieram à mente. Falo, sobretudo, de Jean Améry, sobrevivente do holocausto nazista que, diferente do otimismo esperançoso (e necessário!) de um Viktor Frankl ou de uma análise visceral da vida sob Auschwitz de um Primo Levi (“É Isto Um Homem?” é leitura obrigatória), Améry, numa coleção de ensaios autobiográficos chamado de “At The Mind’s Limits”, expõe o óbvio de vários corações que decerto ressentiram em silêncio. 

Pois o que um judeu tem em comum com uma muçulmana? O mesmo que um apache tem com um visigótico, ou um chinês com um japonês, ou um haussá com um alemão. Todos os povos um dia foram vítimas da violência ao longo de suas histórias. Sem exceções. Os algozes um dia foram vítimas e as vítimas podem perfeitamente virar carrascos no futuro incerto. O que torna o testemunho de Améry dilacerante é a forma crua com que ele expõe suas razões do porquê odiar. Peguemos um curto trecho:

“Wajs, o homem flamenco da SS que – inspirado pelos seus mestres alemães – me batia com o cabo de uma enxada na cabeça cada vez que achava que eu não trabalhava rápido o bastante, sentia que o cabo era apenas a extensão de sua mão e os golpes apenas a manifestação de uma dinâmica da física. Só eu possuía, e ainda possuo, a verdade moral dos golpes que até hoje ecoam em meu crânio e, por isso, tenho mais direito de julgar não só o culpado como a sociedade – que pensa apenas na preservação de sua existência. O corpo social se ocupa apenas em se resguardar e não está nem aí para uma vida que foi danificada. No melhor dos casos, ela cuidará do futuro, para que essas coisas não se repitam. Mas meus ressentimentos estão aqui para que o crime vire uma realidade moral para o criminoso, a fim de que ele seja arrastado para a verdade de sua atrocidade” (AMERY, 1980, p.70)

Se trocarmos o homem da SS por, digamos, Tolui, para quem a conquista, a pilhagem e o assassinato é um fato tão natural quanto respirar. Quem dirá que não é Sitara quem detém a verdade moral de seus feitos, que viu seu lar destruído e seus entes queridos mortos? E não é Sorghaghtani, ignorante dos custos do livro que recebe de seu marido, quem entende a verdade moral da morte apenas quando Tolui morre vítima de uma conspiração assassina?

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Imagem Divulgação / Science Saru / Crunchyroll

No mesmo espírito de quem reconhece o direito de não perdoar, por mais escandaloso que isso seja para o senso comum, Thomas Brudholm escreve sobre as virtudes do ressentimento a partir de sua leitura de Jean Améry, um tanto cansado de tanto se falar em “reconciliação”. Reconciliar por que? E com quem? Por mais absurdo que seja exigir do ressentido que se volte no tempo e se desfaça o que aconteceu, é exigida justiça pelos crimes cometidos. E no caso de Fátima, sua justiça será feita com a cumplicidade de Töregene; o intelecto de uma com a influência de outra. Elas serão “as bruxas” que trarão justiça à Mongólia. Declaração oportuna, uma vez que a admiração pelas bruxas voltou à moda. 

CONCLUSÃO: O FÓSFORO DA REVOLTA

Jaadugar dá um final catártico a uma história difícil de reproduzir. Muitas espectadoras se empolgaram com a ideia, tão revolucionária quanto gasta, da girlboss que samba na cara da sociedade e grita altas verdades na cara do khan. Muitos fiéis se empolgaram com a representação fiel dos costumes islâmicos, ainda que num momento de derrota. E para manter o momentum, é importante expor o ímpeto dessas mulheres aptas a corroer o mundo por dentro. Jaadugar acaba de punho em riste, expondo a chama cintilante da revolta feminina.

E é bom que pare por aqui. O mangá continua, mas havendo uma segunda temporada, já pipocariam indícios do destino da revolta, que acende como um fósforo para terminar queimado e retorcido. Quem quer que já tenha pesquisado o fim dessa história, sabe que não importa o quão Fátima tenha sido influente e justificada em seus anseios por justiça, a revolta não poucas vezes atua como a antessala da tragédia. E tão trágico como mórbido foi seu fim nas mãos do filho de sua aliada.

Como quer que seja, todos os pensamentos remexidos na cabeça e exposto nestas linhas dão prova da riqueza de Jaadugar, um anime que nos convida a falar além de mongóis e matemáticos. Ele traz o melhor de uma ficção histórica: a aproximação das pessoas que o assiste com sua dimensão histórica, uma vez que esses passados são de pessoas comuns a nós, pois também sangram, ri, choram e vivem, assim como nós, por enquanto, vivemos.

APÊNDICE: A ALEGRIA DE MISAKI KUNO

Não consegui enfiar esse comentário no meio do texto, mas não dá pra enviar essa review sem falar da empolgação de milhões da Misaki Kuno, dubladora da Sorghaghtani e que pela primeira vez em sua carreira dublou uma mulher adulta! Pobre Kuno, seu maior talento virou-se contra si. A dubladora de 33 anos possui, ao lado de Natsumi Haruse e Maria Naganawa, uma das melhores vozes para dublar crianças desta geração. Ela fez a Dou de MaoMusu na temporada passada, uma explosão de fofura, uma protagonista forte em Hikari no Ou, e a passarinho mais fofa de Fate Grand Order, Beni-Enma. Mas com Sorqhaqhtani, Kuno finalmente pôde dar esse passo à frente na carreira, interpretando uma mulher adulta, esposa e mãe. Não faltaram palavras de agradecimento da atriz pela oportunidade, desde a estreia até o último episódio de Jaadugar!

Jaadugar A Witch in Mongolia capa
Imagem Divulgação / Science Saru / Crunchyroll

Do mesmo jeito que os papéis de Misaki Kuno mexeram nos instintos paternos do autor destas linhas, é com sentimentos quase paternos que desejo que esse passo se multiplique no seu futuro!

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iKON faz show eletrizante em São Paulo e prova que espera de quase 11 anos valeu a pena!

iKON no Brasil
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O iKON finalmente veio ao Brasil pela primeira vez. Na noite do último domingo (30), o palco da Audio, em São Paulo, recebeu a “FOUREVER WORLD TOUR” que celebrou uma década de carreira do grupo sul-coreano de k-pop. BOBBY, CHAN, JAY e SONG comandaram uma apresentação de aproximadamente três horas.

Antes de chegar à América Latina, a turnê já passou por cidades como Bangkok, Macau, Manila, Singapura e Tóquio. Depois de São Paulo, o iKON viaja para Santiago e, em seguida, Lima.

Uma noite inesquecível

iKON no Brasil
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Para quem imaginou que a primeira apresentação do grupo no país obedeceria ao padrão clássico do kpop, surpreendeu-se. BOBBY, CHAN, JAY e SONG subiram ao palco acompanhados por uma banda ao vivo. Nada de playback, melodias gravadas e coreografias extenuantes. A FOUREVER WORLD TOUR estreitou a conexão entre os membros e as iKONICs através da essência, da genuidade.

Com músicas que combinaram hip hop, pop e elementos eletrônicos, o grupo mostrou os motivos pelos quais permanece a tanto tempo na indústria da música. Não foram apenas os grandes hits que fizeram o público vibrar intensamente. Toda setlist contagiou do início ao fim.

“Ah Yeah” abriu o show, seguida por “Tantara”, BLING BLING”, “Sinosijak” e “DRAGON”. A sequência transmitiu uma das principais característica do grupo: a intensa energia. Os membros deixaram o palco e a banda preencheu o espaço com solos de guitarra, baixo, teclado e bateria. O público acompanhou cada nota nas palmas, arrancando risos de contentamento dos instrumentistas.

Chan apareceu sentado ao teclado, iluminado apenas por uma luz de recorte. “YOU” transformou completamente o lugar. As iKONICs embarcaram na atmosfera mais intimista. Em seguida, JAY subiu no palco e cantou “ANGEL”, com uma voz doce, aveludada e romântica. Já “OBEY” trouxe um ritmo mais provocante, preparando as fãs para o próximo solo.

BOBBY performou ‘F” e “No TIME” sob gritos ensurdecedores. Ninguém manteve os pés no chão. A batida do hip hop e a cadência do rap fizeram a Audio virar um verdadeiro caldeirão. SONG incendiou ainda mais o palco. No melhor estilo trot, “FIGHTING” e “IT’S CALL” encerraram com chave de ouro as apresentações individuais da noite.

Depois disso, um medley passou pelas diversas fases dos dez anos de trajetória. A maneira como o público cantou todas as músicas impressionou o grupo.

O momento mais aguardado chegou. “LOVE SCENARIO”, “KILLING ME”, “FREEDOM” “DUMB & DUMBER” e “RHYTHM TA” provocaram uma catarse coletiva. As vozes se fundiram, tornando-se uma só. A energia tomou conta. Foi impossível se manter inerte. Hits não são hits à toa. SONG comentou que, pela primeira vez em uma apresentação, não conseguiu ouvir as músicas no retorno (aparelho intra-auricular).

BOBBY, CHAN, JAY e SONG receberam bandeiras e camisas da seleção brasileira das iKONICs durante o encore. Visivelmente emocionados, agradeceram a recepção calorosa e prometeram retornar no próximo ano. Também se desculparam pela demora de quase onze anos para visitarem o país. O grupo se despediu. Pareceu o fim de uma noite incrível.  

Entretanto, após deixarem o palco, o iKON voltou. “Vocês realmente estavam preparadas para irem embora?”, perguntaram. De repente, a Audio virou uma balada eletrônica. Batidas e luzes coloridas deram novos contornos a “Tantara”, “RHYTHM TA”, “BLING BLING”, “DUND & DUMBER”, entre outras. O público cantou, dançou e pulou como se as músicas não tivessem sido performadas antes.  

Certamente, a noite ficará para sempre na memória das iKONICs brasileiras. A apresentação, que durou aproximadamente três horas, foi marcada não somente pelos grandes hits, mas também pelos solos que exploraram as identidades musicais de cada membro, além da energia contagiante e da presença de palco do grupo.

O início de tudo

iKON no Brasil
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Formado por BOBBY, Jung Chan-woo, Kim Dong-hyuk, Kim Jin-hwan, Koo Jun-hoe e Song Yin-hyeong, o iKON estreou oficialmente em setembro de 2015. Através de sucessos como “LOVE SCENARIO”, “RHYTHM TA” e “KILLING ME”, o grupo conquistou destaque internacional, reunindo uma base de fãs apaixonada em diversos países.

A “FOUREVER WORLD TOUR”, turnê que celebra os dez anos do grupo, conta com BOBBY, CHAN, JAY e SONG. DK e JU-NE estão afastados temporariamente devido ao cumprimento do serviço militar obrigatório na Coreia do Sul.

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O outro lado do fandom do BTS: a força do B-ARMY

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BTS durante show da turnê mundial ARIRANG, em Los Angeles, nos Estados Unidos, em 2026. HYBE/DIVULGAÇÃO

Se você não mora em outro planeta, provavelmente já ouviu falar do BTS.  Sim, aqueles sul-coreanos que estão a menos de um mês de voltar ao Brasil, que fizeram história no show do intervalo da Copa e que disseram “não” ao quê mesmo? Ah, sim: ao Grammy.

Para um grupo tão forte, só poderia existir um exército à sua frente.

São sete integrantes e milhões de “ARMYs”, como o fandom do BTS é conhecido. E, em 2026, esse exército voltou a mostrar sua força: enquanto ARIRANG quebrava recordes e a turnê mundial levava milhares de pessoas aos estádios, o ARMY brasileiro também se mobilizava… mas não apenas para assistir aos shows. Há anos, fãs do grupo transformam a inspiração encontrada no BTS em organizações, projetos e campanhas que ultrapassam o universo da música.

Um desses projetos é o ARMY Help The Planet (AHTP). O Suco de Mangá entrevistou Mariana Faciroli, advogada, mestra em Direito e Desenvolvimento pela USP e co-diretora do projeto. Ela conheceu o BTS em 2018, depois de assistir no YouTube ao videoclipe de “Blood Sweat & Tears”. Na época, não imaginava que aquele primeiro contato com o grupo a levaria, anos depois, a ser uma das representantes dos fandoms em uma cerimônia no Palácio do Planalto, ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, durante a assinatura de decretos voltados à proteção dos consumidores na compra de ingressos para shows. 

DIVERSOS FANDOMS DE DIVAS POP E K-POP PARTICIPARAM DA ASSINATURA DO DECRETO AO LADO DO PRESIDENTE LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA NO PALÁCIO DO PLANALTO. REPRODUÇÃO/DIVULGAÇÃO

Antes de existir o AHTP, Mariana já participava de algumas ações pontuais organizadas pelo fandom. Mas foi em agosto de 2019, durante a onda de queimadas que atingiu a Amazônia, que ela percebeu que aquela mobilização poderia ser algo maior.

Naquele período, a fumaça das queimadas chegou a transformar o dia em noite em São Paulo, a milhares de quilômetros dos focos de incêndio. Diante da repercussão, o fandom começou a se mobilizar de forma espontânea nas redes sociais, levantando a hashtag #ArmyHelpThePlanet para chamar atenção para o que estava acontecendo. A campanha ganhou força e logo deixou de ser apenas uma mobilização nas redes.

Em setembro daquele ano, o recém-formado coletivo lançou a ARMY Help The Amazon, sua primeira grande campanha de arrecadação. Em parceria com a Iniciativa Verde e o IPAM Amazônia, os fãs conseguiram reunir R$ 8.897 em 351 doações, valor destinado ao plantio de 400 árvores nativas em uma área de preservação na região Transamazônica, em Altamira, no Pará.

Mas o fandom não parou por aí. No mesmo mês, o ARMY Cleaning Day levou mais de 300 voluntários às ruas de 16 estados e do Distrito Federal para mutirões de coleta de resíduos. Ao todo, foram recolhidos cerca de 47 mil litros de lixo.

Para Mariana, a própria existência do projeto já é uma demonstração de como a arte pode ultrapassar os limites de uma música ou de um palco. O reconhecimento que o AHTP recebeu ao longo dos anos — em prêmios, reportagens e parcerias — ajuda a mostrar que a mobilização está funcionando e, segundo ela, serve como combustível para que mais fãs se engajem. 

“Nosso projeto só existe graças ao ARMY e pelo ARMY”, explica Mariana.

Considerada a maior fanbase ativista do BTS no país, o AHTP já passou por diferentes causas desde que surgiu. Vieram campanhas ambientais, ações emergenciais e iniciativas sociais. A atuação também chegou à cidadania. Com o Tira o Título ARMY, o coletivo buscou incentivar a participação política e mostrar que democracia não termina no dia da eleição.

Uma das metas, conta Mariana, é ver as próximas gerações de ARMYs mais conscientes sobre a importância da participação política. Isso inclui acompanhar o trabalho dos parlamentares, participar de consultas e conselhos, frequentar espaços públicos de decisão e encontrar outras formas de se manifestar além do voto.

Quanto mais consciente e participativa for a comunidade, maior a possibilidade de construir um ambiente político que permita avançar em outras pautas. Mariana gostaria, inclusive, de ver o trabalho ambiental do AHTP deixar de ser tão voltado ao combate de emergências e passar cada vez mais para ações de prevenção e melhoria do meio ambiente.

E há ainda uma característica que Mariana faz questão de destacar: o AHTP não é o projeto de uma pessoa só. “Realmente é um coletivo”, enfatiza. As decisões são discutidas com outras líderes e as campanhas envolvem pessoas de diferentes áreas, que dedicam tempo e conhecimento às iniciativas. É justamente essa diversidade que, para ela, ajuda a explicar a força do projeto. 

Em 2022, o coletivo foi representado no World Peace Forum, em Busan, na Coreia do Sul, por sua diretora Mariana Faciroli, que discursou sobre liderança juvenil, voluntariado da sociedade civil e o alcance dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030.

Três anos depois, o destino foi Belém. Em 2025, o AHTP participou da COP30, em um painel na Blue Zone, como parte da delegação coreana. Para um coletivo que nasceu de uma mobilização de fãs durante as queimadas na Amazônia, estar em um dos principais espaços internacionais de discussão sobre mudanças climáticas era mais um sinal de até onde aquela comunidade poderia chegar.

E os planos não param por aí. O próximo passo é transformar o coletivo em uma ONG formalizada. O AHTP já tem estatuto e voluntários, mas ainda avalia os caminhos jurídicos e contábeis necessários para essa mudança. Enquanto isso, mantém a estrutura de coletivo e segue realizando campanhas em parceria com organizações já formalizadas.

“Esse é um passo que nós gostaríamos muito de conseguir e expandir as nossas ações para que elas alcancem cada vez mais pessoas, que o nosso projeto fique cada vez mais conhecido e tenha mais impacto na nossa comunidade, no nosso país e no mundo”, afirma Mariana.

A mensagem do BTS vive no ARMY 

Se o AHTP encontrou nas causas socioambientais uma forma de transformar a paixão pelo BTS em ação, o Movimento Army Power (MAP) nasceu de outra percepção: a de que a força do fandom também poderia criar oportunidades.

A “comandante” desse movimento é Mary Nunes. Antes mesmo de conhecer o BTS, ela já mantinha um projeto voltado ao apoio de pequenos empreendedores, com parcerias, eventos e divulgação do comércio local. 

Mary conheceu o BTS por acaso, através da neta, que tinha seis anos na época. A menina costumava assistir a vídeos no celular da avó, e foi assim que Mary começou a reparar naqueles sete meninos coreanos. Primeiro veio a curiosidade. Depois, a pesquisa. E, como ela mesma conta, não teve mais volta.

A partir daí, Life Goes On — uma das músicas favoritas de Mary — ganhou, para ela, um significado quase literal: a vida continuou, mas agora com o BTS e o ARMY fazendo parte dela.

“Eu já adotei J.K. como filho! Falo que sou a mãe brasileira dele. Ele ainda não sabe, mas ele tem uma mãe brasileira. Todo mundo já sabe que sou a mãe do J.K. Aí o pessoal me chama de sogrinha”, brinca.

O carinho por Jungkook, que lhe rendeu o apelido de “mãe do JK”, acabou sendo apenas uma das portas de entrada de Mary para uma comunidade que chamou sua atenção pela diversidade e pela capacidade de mobilização. Ela começou a observar fãs de diferentes idades, países e condições sociais se reunindo em torno de objetivos comuns e percebeu que aquela rede tinha algo em comum com o trabalho que já desenvolvia.

a força do b army
MOVIMENTO ARMY POWER DURANTE EVENTO REALIZADO EM 2025. AÇÃO REÚNE INTEGRANTES E VOLUNTÁRIOS DO PROJETO. ACERVO PESSOAL/MOVIMENTO ARMY POWER

O movimento começou a ser estruturado em 2021, poucos meses depois de Mary conhecer o BTS. Foram meses planejando o formato do projeto, que inicialmente tinha apenas duas colaboradoras: uma psicóloga e uma professora de inglês. As primeiras iniciativas foram o Help Me, Army, voltado ao apoio psicológico, e o Bora ReTerapia, que unia arte e terapia.

A ideia, no entanto, logo deixou de caber apenas dentro do fandom. Os primeiros projetos eram direcionados aos ARMYs, mas voluntários começaram a procurar o movimento para pedir ajuda para amigos e familiares que não eram fãs do BTS. A equipe percebeu que não fazia sentido limitar o atendimento. O MAP continuou sendo criado por ARMYs, mas passou a ser aberto a qualquer pessoa que precisasse de acolhimento.

A expansão também ultrapassou as fronteiras brasileiras. Hoje, o movimento está presente em três países: Brasil, onde começou a atuar em 2022; Angola, desde 2024; e Portugal, desde 2025.

Mas crescer não parece ser suficiente para Mary. Ela quer que o MAP continue existindo mesmo quando as pessoas que hoje estão à frente do movimento já não estiverem mais ali.

“Quando criei o MAP, uma das ideias era que ele existisse mesmo quando a primeira formação não estiver mais aqui. Porque a gente sabe que ninguém é para sempre. Mas e se você for capaz de deixar alguma coisa que vai beneficiar futuras gerações?”

Esse futuro já começa a tomar forma em novos planos. Em janeiro de 2026, o MAP conseguiu se formalizar como uma organização sem fins lucrativos, registrada como associação privada, e agora amplia sua atuação também na área socioambiental.

A organização está finalizando dois novos projetos, o EcoMAP e o AgroMAP, com lançamento previsto para o terceiro trimestre de 2026. A expansão ambiental, porém, não substitui as outras frentes do movimento. Educação, saúde, acolhimento, empregabilidade e fortalecimento comunitário continuam sendo a base do trabalho desenvolvido pelo MAP desde sua criação, que também mantém iniciativas como o Roxo Pela Vida – ARMYs Contra o Feminicídio.

Para Mary, essa estrutura também tem uma inspiração que veio do próprio BTS. Ela lembra de uma fala de RM, durante a turnê Love Yourself, em que o líder do grupo incentivou os fãs a usar aquilo que o BTS representa como uma forma de aprender a amar a si mesmos. Em 2018, durante um show em Nova York, RM disse ao ARMY: “Please use me, please use BTS to love yourself”.

“Eu achei aquilo ali fantástico. E muitas vezes eu vejo a galera meio desanimada dentro do MAP e lembro disso. Eu falo: gente, está chegando o momento de vocês usarem tudo o que a gente construiu aqui no MAP. Usem o BTS a favor de vocês.”

Esse “usar” não significa apenas consumir o trabalho do grupo. É a visão de Mary sobre aquela mensagem: transformar aquilo que o BTS representa para os fãs em uma ferramenta capaz de ajudar a mudar a própria vida.

Texto por Amaitê Santos.

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Picolé Capelinha lança sabores inspirados no Japão durante o Bon Odori

picole capelinha bon odori 2026
Foto: @sucodm / Mali

A marca baiana Capelinha trouxe novidades para o primeiro dia da 18ª edição do Bon Odori, realizado nesta sexta-feira (5), no Parque de Exposições, em Salvador. Inspirados em doces e sabores da cultura japonesa, dois novos picolés foram apresentados especialmente para o festival.

Como o Suco de Mangá não poderia ficar de fora, fomos conferir de perto as novidades e experimentar os sabores lançados para o evento.

picole capelinha bon odori 2026
Foto: @sucodm / Mali

Entre as opções, estavam os picolés Suppai e Melô. O primeiro, de cor preta, combina baunilha e limão, trazendo uma acidez marcante inspirada nas balas orientais. Já o Melô aposta no sabor refrescante do melão, inspirado em doces e bebidas populares no Japão.

Além dos lançamentos, o estande da Capelinha também contou com os sabores tradicionais e opções sem adição de açúcar. Os picolés estavam sendo vendidos por R$ 8, mesmo valor dos dois sabores exclusivos. O de caquinha custava R$ 10, enquanto o de pistache estava disponível por R$ 12.

O Suco de Mangá também conversou com Wellington Sá (@wellsa_), funcionário da Capelinha presente no evento. Segundo ele, as vendas foram bastante gratificantes, principalmente por conta do dia ensolarado no Parque de Exposições, que aumentou a procura pelos picolés. Dos nois novos sabores, o mais queridinho do público é o Melô.

picole capelinha bon odori 2026
Foto: @sucodm / Mali

Sabores de picolés exclusivos para o Festival de Cultura Japonesa

Para a 18ª edição do Bon Odori, foram produzidos 2 mil picolés exclusivos dos novos sabores, segundo a chef gelatière Gláucia Parente, representante da marca e responsável pela criação das novidades. Em entrevista ao jornal Correio da Bahia, ela contou que pretende aproveitar a recepção dos produtos em outras campanhas da Capelinha e estender as vendas até o Dia das Crianças, celebrado em 12 de outubro.

Segundo Gláucia, a ideia dos lançamentos foi criar produtos que conversassem com a identidade do Bon Odori, afinal, a Capelinha está presente na memória dos soteropolitanos há 52 anos, enquanto o festival mantém uma relação afetiva com o público de Salvador desde 1992.

picole capelinha bon odori 2026
Foto: @sucodm / Mali

Com os novos sabores, a marca aproveita o Bon Odori para aproximar uma tradição baiana de referências da cultura japonesa, levando ao público uma experiência diferente em meio às atrações do festival.

Texto: Rebecca / Fotos: Mali

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BTS | Shows em São Paulo e Buenos Aires chegam aos cinemas do mundo

transmissão BTS em São Paulo
Imagem Divulgação

Os fãs do BTS terão uma oportunidade histórica de vivenciar as apresentações do grupo diretamente nas telonas. A Trafalgar Releasing, em parceria com a HYBE e a BIGHIT MUSIC, anunciou o projeto BTS WORLD TOUR ‘ARIRANG’ IN BUENOS AIRES AND SÃO PAULO: LIVE VIEWING. O evento marca a primeira vez em que performances do septeto na América do Sul serão transmitidas ao vivo para salas de cinema do planeta inteiro.

As exibições encerram a passagem do conjunto pela América Latina e fazem parte de sua primeira turnê de grande porte em cerca de quatro anos. O show na Argentina representa a estreia do grupo em território argentino, enquanto a data no Brasil sela o encerramento da etapa latino-americana da turnê. Ambas as transmissões prometem levar toda a intensidade dos estádios aos cinemas em outubro.

Datas de exibição e início das vendas mundiais

O público poderá conferir as apresentações completas de RM, Jin, SUGA, j-hope, Jimin, V e Jung Kook. O show de Buenos Aires será transmitido nas Américas no sábado, 24 de outubro, e nos demais países no domingo, 25 de outubro. Já a exibição de São Paulo acontece na sexta-feira, 30 de outubro, para as Américas, e no sábado, 31 de outubro, para as outras regiões.

Os horários variam entre os territórios, havendo ajustes com atraso de transmissão em certas localidades para adaptação aos fusos horários locais. As entradas começam a ser vendidas na quinta-feira, 17 de setembro, a partir das 10h pelo horário de Brasília. O público pode consultar as sessões e cadastrar-se para avisos no site oficial btsliveviewing.com.

Sucesso estrondoso e histórico de transmissões da turnê

Estas serão a quarta e a quinta sessões de transmissão simultânea da ARIRANG World Tour. Anteriormente, exibições semelhantes levaram milhões de pessoas às salas escuras com apresentações filmadas em Goyang e Tóquio, durante o mês de abril, e no Busan Asiad Main Stadium, em junho, ocasião que celebrou o retorno do conjunto à Coreia do Sul e seu aniversário de estreia.

Marc Allenby, CEO da Trafalgar Releasing, celebrou a parceria com a HYBE e o alcance das transmissões, ressaltando o orgulho de levar a energia das apresentações de Buenos Aires e São Paulo para admiradores espalhados pelo mundo durante este retorno de grande relevância na década.

transmissão BTS em São Paulo
Imagem Divulgação

Palco 360 graus e marcas históricas em 2026

Contando com uma estrutura de palco em 360 graus, a turnê acumula recordes comerciais expressivos, tendo arrecadado mais que o dobro do segundo colocado na parada Top Tours de abril da Billboard.

A fase atual do grupo é respaldada por outros momentos grandiosos em 2026, que incluem a performance na final da Copa do Mundo em 19 de julho e a vitória de Artista do Ano no American Music Awards pelo segundo ano consecutivo, reafirmando o impacto do BTS no cenário musical global.

Leia também: BTS faz comeback histórico na Netflix com show ao vivo em Seul e lança álbum ARIRANG

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Always Lalisa: Documentário de LISA ganha trailer e abre venda de ingressos

Always Lalisa
Imagem Divulgação

Os fãs da superstar global LISA já podem garantir seus lugares nas telonas. As vendas de ingressos para o documentário em longa-metragem Always Lalisa começaram oficialmente nesta quarta-feira, dia 9 de setembro. A produção é estrelada pela cantora, rapper, dançarina e atriz, que acompanha de perto as transformações de sua carreira.

Junto à abertura das bilheterias, a distribuidora Trafalgar Releasing divulgou o trailer oficial da obra. O filme terá exibição global em salas tradicionais e no formato IMAX a partir de 12 de outubro, em uma temporada estritamente limitada. As entradas e informações sobre salas e sessões estão disponíveis no site oficial alwayslalisa.com, que receberá atualizações constantes conforme novos cinemas forem confirmados na programação.

Assista abaixo:

Os bastidores de um ano decisivo e a busca pela independência

Com direção assinada por Sue Kim e produzido em 2025, o longa-metragem registra um momento crucial na trajetória da artista. Pela primeira vez desde a sua infância, LISA vive um período de afastamento do BLACKPINK para encarar um ano de total independência artística e profissional.

A narrativa aborda o relógio correndo contra o tempo antes do retorno planejado ao grupo sul-coreano. Em meio a esse cenário, o documentário expõe o medo e a grande pressão para consolidar sua carreira solo, ingressar no universo da atuação e estruturar sua própria marca, enquanto a artista tenta preservar a intimidade de sua vida pessoal longe das câmeras.

Always Lalisa
Imagem Divulgação

Conquistas históricas e consolidação no entretenimento mundial

O documentário retrata LISA no ponto mais alto de sua visibilidade internacional. A estrela marcou presença na cerimônia de abertura da Copa do Mundo da FIFA de 2026, onde cantou a faixa Goals ao lado de Anitta e Rema, feito que a consagrou como a primeira artista tailandesa e a primeira mulher do K-pop a se apresentar no evento esportivo.

A artista também subiu ao palco do festival Coachella 2025 em apresentação individual e estampou a capa da edição de verão de 2026 da revista Vanity Fair. Ela ainda quebrou barreiras ao ser a primeira figura do K-pop a integrar o comitê anfitrião do Met Gala em 2026, além de atuar como apresentadora na cerimônia do Globo de Ouro no mesmo ano.

Always Lalisa
Imagem Divulgação

Expansão nas telas, residência esgotada e estreia no streaming

No campo da atuação, LISA fez sua estreia na conceituada série The White Lotus, da HBO. Seus passos no audiovisual incluem ainda dois projetos confirmados com a Netflix, onde assume os papéis de protagonista e produtora executiva no longa de ação TYGO e em uma comédia romântica em desenvolvimento inspirada no clássico Um Lugar Chamado Notting Hill.

Nos palcos, a performer estabeleceu outro recorde histórico ao se tornar a primeira artista de K-pop a comandar uma residência de shows em Las Vegas. Intitulada VIVA LA LISA, a série de quatro apresentações no The Colosseum at Caesars Palace, agendada para novembro de 2026, teve todas as entradas esgotadas em menos de dez minutos.

Após a passagem pelas salas de cinema de todo o planeta, Always Lalisa terá distribuição exclusiva na plataforma YouTube Premium ainda neste ano. Site e ingressos: alwayslalisa.com

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