Antes de jogar OXENFREE II: Lost Signals fiz o exercício de “rejogar” o primeiro título e digo que a diferença é da água para o vinho. A Night School Studio e o diretor do jogo, Bryan Cannon, apresentam novidades interessantes no gameplay e amadurecimento narrativo notáveis.

Enredo de OXENFREE II

Riley (Elizabeth Saydah) caminha pela pacata Costa Camena, cidade onde nasceu, para realizar um trabalho simples. Entretanto, estamos falando de OXENFREE e, como o primeiro jogo, um misterioso portal de espaço-tempo é aberto assim que ela e Jacob (Joe Bianco) terminam o que foi pedido.

Lá vai o jogador tentar fechar outro portal, mas, mesmo com a mesma premissa, Lost Signals parece diferente: seu desenvolvimento é lento e diversas camadas dos personagens vêm à superfície de forma orgânica. Os diálogos entre Riley e Jacob apresentam o passado, medos e sonhos deles e isso contrasta com a idade e crise pessoal dos personagens.

O portal aberto força a protagonista a vivenciar o passado e o futuro, mostrando o impacto de suas escolhas. É fácil encontrar obras que usem o espaço-tempo para isso, mas OXENFREE fez antes que fosse legal, então mérito para a equipe.

OXENFREE II: Lost Signals review
Divulgação: Suco de Mangá

A narrativa não é tão intensa como a do primeiro jogo, com um grupo de adolescentes com nervos a flor da pele. Entretanto, mostra amadurecimento do universo onde se passa a história — talvez não agrade os jogadores que buscam a tensão caótica do primeiro.

Dublagem

É impossível falar de OXENFREE sem mencionar a dublagem, pois assim como o primeiro jogo, o segundo mantém o mesmo nível. Fluidez e naturalidade evidenciam o excelente trabalho de direção de Bryan Cannon em conduzir os atores.

Não há interrupções, mesmo quando o jogador entra em uma tela de carregamento ou interage com algo do cenário. Os personagens simplesmente voltam ao tema em seguida e com todas essas características, ouso dizer: está no mesmo nível de gigantes como The Last of Us Part II, Uncharted 4 ou Death Stranding.

OXENFREE II encanta visualmente

Heather Gross, líder de arte da Night School Studios, junto com Beverly Chain, Alex Chavez, Daniel Garcia e toda a equipe de arte responsável pelo jogo não merecem só palmas, mas o Tocantins inteiro — sim, eu meti essa.

Em nenhum momento o visual de OXENFREE deixa a peteca cair e o jogo é um deleite visual. Montanha, caverna, praia, igreja e até o estacionamento parece sair de um delicioso sonho, daqueles que não queremos acordar.

OXENFREE II: Lost Signals review
Divulgação: Suco de Mangá

O estilo de arte e animação feitos à mão, usando técnicas de aquarela, destacam o game na indústria e vale a pena conferir como foi o processo da criação da estética da franquia.

Além do encanto pelo visual do jogo, OXENFREE fica mais interessante quando distorce a apresentação. Existem cenários em que o jogo fica na diagonal e confunde o jogador. Perfeito para um jogo de mistério e ficção científica.

OXENFREE II: Lost Signals review
Divulgação: Suco de Mangá

OXENFREE II passa por melhorias necessárias

Jogar o primeiro título e, em seguida, o segundo foi o melhor exercício para escrever esse texto. Afinal, sete anos se passaram desde OXENFREE e é perceptível que o jogo tinha animação rígida e faltava variedade de quebra-cabeças.

Quebra-cabeças

Lost Signals não força o jogador a utilizar tanto o walkie-talkie, que era principal ferramenta para solucionar puzzles. Máquinas, exploração e interação com o cenário ou simplesmente o diálogo são usados para melhorar a experiência.

OXENFREE II: Lost Signals review
Divulgação: Suco de Mangá

E, claro, nos principais momentos dramáticos da narrativa o walkie-talkie, marca registrada do game, volta a tomar protagonismo.

Navegação

A Night School Studio verticaliza o game apresentando as cordas de escalada. Como o jogo exige muitas idas e vindas pelo mapa, uma vez que você instala o equipamento cria atalhos que encurtam distâncias.

Essa escolha é outro grande avanço do primeiro jogo que exigia que você apenas andasse ou escalasse.

OXENFREE II: Lost Signals review
Divulgação: Suco de Mangá

Além da corda de escalada, o mapa interativo é a cereja do bolo na navegação do jogo. Você vê as anotações da personagem sobre as missões e pode dar zoom para ver com detalhes a direção até o próximo objetivo.

Veredito

OXENFREE II: Lost Signals é um daqueles casos em que o segundo jogo é tão bom quanto, ou talvez melhor, que o primeiro. Assim, a Night School Studio melhorou exatamente o que tinha que ser melhorado e entregou uma experiência com perfeito balanceamento entre gameplay, narrativa e estética.

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