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Antigo advogado e empresário, Tancredo Neves foi eleito presidente da república após o longo período de ditadura militar, contudo não tomou posse por ter adoecido e ficar um bom tempo internado, o qual foi um mistério por um longo período da história brasileira.

Toda essa névoa densa sobre a situação de Tancredo Neves causou dúvida as quais criaram teorias sobre seu caso por não ter sido divulgado nada para o povo na época.

Em 2010, foi lançado o livro O Paciente: O Caso Tancredo Neves que conta todo o ocorrido do momento em que ele começa a ter os problemas de saúde até sua morte, e hoje temos a adaptação desse livro para os cinemas, que nos mostra de forma ilustrativa, toda a obscuridade dos procedimentos médicos e politicagem envolvida com o ex presidente.

Direto ao ponto!

O filme não enrola, faz uma introdução breve sobre as Diretas Já, a votação para presidente e a comoção do povo quando Tancredo Neves é eleito presidente da república. A partir disso, toda a história foca na saúde dele, o conflito dos cirurgiões, assessor de imprensa que abraça a situação mas sucumbe com a morte de Tancredo, a família passando por uma agonia constante e a comoção do povo após sua morte que combinou com o fim da esperança por um Brasil melhor, pois com a morte de Tancredo Neves, José Sarney assumiu em seu lugar como o “primeiro presidente civil”.

O que mais impacta é o que era mais óbvio nessa história, o relacionamento dos médicos com a família e políticos, pelo lado familiar, o médico fazer o seu papel de confortar esposa e filhos, acalmá-los e estar preparado de todas as formas para todo o tipo de conclusão, pelo lado político há uma pressão gigantesca deles estarem operando o presidente da república e dar alta o quanto antes para ele assumir seu cargo, qualquer erro que ocorre, o profissional da área médica teria sua carreira finalizada com o rótulo de péssimo cirurgião ou até “assassino” que os senadores e principalmente a mídia iria usar do sensacionalismo em cima do erro, que caiu em cima do Profº Dr. Henrique Walter Pinotti, papel de Paulo Betti,que se achava o máximo porque em São Paulo tinha mais estrutura que Brasília, isso era fato, mas em tela se mostrou bem orgulhoso e ignorante, que chegou a roubar a cena várias vezes.

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O Paciente: O Caso Tancredo Neves (Pôster Divulgação)

Pontos Importantes

Por ser um filme quase que documentário, a trama desenrola lenta o bastante para cair na monotonia, o que faz colocar um ponto importante, se você considera qualquer situação política dentro de uma trama cinematográfica algo de extrema importância, prepare-se para um filme inteiro dessa barriga conflitante, é muito interessante, impactante e de certa forma educativo, mas não espere um filme maravilhoso.

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Em coletiva, o elenco explicou a importância desse filme, os seus respectivos papéis e falaram um pouco do emocional sobre a morte de Tancredo Neves, pois uma parte dos atores viveu aquela época, o autor do livro Luís Mir esclareceu sobre a história de Tancredo Neves ter morrido em uma data histórica, e também derruba a teoria de que ele foi assassinado, ou não dependendo daquilo que você acredita – muitos ainda culpam o Dr. Pinotti pela morte.

Um mix de documentário com alívio cômico

Uma mistura de documentário com alívio cômico, faz a adaptação do livro O Paciente: O Caso Tancredo Neves ser um ótimo filme, mas direcionado apenas para um público engajado na história nacional ou que viveu a época do ocorrido em si.

Em 2015 fez trinta anos de sua morte, as teorias ainda rodam pela internet, e cada lado político conta uma versão da história, mas seja você uma pessoa com a cabeça mais aberta, indico que leia o livro e assista o filme para tirar as próprias conclusões, e que guie um pouco a cabeça dos leigos, principalmente em épocas de fake news e sensacionalismo nos tempos de eleições para entender o que foi o fim da esperança de um povo desesperado, e de uma mídia que se aproveitou da situação.

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