Quem cresceu assistindo sessão da tarde depois da escola, sabe muito bem o que são grandes filmes, das comédias românticas mais extrapoladas a filmes de ação sem sentido.

O termo suspensão de descrença não era conhecido, e todos aqueles antigos filmes moldaram uma geração que hoje vem a ser os adultos desse novo mundo, em pleno 2019, filmes nesses padrões ainda são feitos e conseguem emocionar a uma geração inteira criada pela sessão da tarde, e outra que começa a ser moldada pelos filmes de heróis, só esqueceram que a linguagem é outra hoje.

Jornada do Herói

Nos mesmos moldes dos filmes da década de oitenta, O Menino Que Queria Ser Rei demonstra a jornada do herói da forma mais simples e objetiva possível, com plots óbvios e roteiro previsível, o filme consegue dividir opiniões quanto a sua fórmula oitentista que traz um sentimento de nostalgia, um arco de história tão repetidamente contado que bate o sono ao assistir.

Muitas pessoas reclamam de filmes dublados porque não conseguem se prender na trama, acham que atrapalham e distorcem o real significado da frase dita pelo ator, porém, para um bom indivíduo criado pelos filmes no padrão blockbuster antigo, sabe muito bem que a dublagem foi o grande ponto do filme, marcando com frases inesquecíveis e imortalizando um uma geração, talvez O Menino que queria ser Rei não seja um filme épico, mas com certeza a dublagem salvou essa fraca produção de jornada do herói.

O Menino Que Queria Ser Rei (Imagem Divulgação)
O Menino Que Queria Ser Rei

Crianças no mundo do Rei Arthur

Misturando a clássica idade média dos livros de Rei Arthur, mago Merlin e bruxa Morgana, a extrapolada comédia de crianças vivendo tempos escolares diverte um pouco e irrita muito, mas mistura bastante absurdos com realidades, como criar um exército de estudantes que usam espadas reais e placas de sinalização de obras como escudo, elas sendo mandadas pela diretora hipnotizada, a suspensão de descrença não é abusada e a experiência se torna magnífica, ao nível sessão da tarde que deve ser.

Contudo há um ponto que deve ser criticado pelo qual te tira completamente do filme, muitos CGis do filme se mostram tão mal feitos que a diferença para o real é gritante e isso começa a te assombrar durante a sessão, pensando o quão amador pareceu a produção desse filme, sendo que essa história não se baseia em efeitos visuais, e sim num roteiro previsível e divertido, infelizmente essa falta de qualidade acaba sim interferindo na experiência desse filme e te desprende por completo, considerando o que era para ser um padrão hollywoodiano um desastre completo.

O Menino Que Queria Ser Rei
O Menino Que Queria Ser Rei (Imagem Divulgação)

Diversão Nostálgica da Sessão da Tarde

Pode parecer uma crítica bem superficial por falar de efeitos visuais, mas há produções que passam desapercebidas, e outra que se mostram nítida, no caso de O Menino que queria ser Rei é a prova dos filmes que sofrem com esse defeito e derrubam atuações simples e roteiro raso ao chão, e o “mais um blockbuster divertido” se torna “mais um filme divertidinho”.

Uma pena por esses problemas destacar a fraqueza desse filme, mas para os que não se incomodam, por mais nítido que seja, pode-se dizer que esse filme é uma diversão nostálgica dos fins de tarde, tanto que dificilmente você não se recordará das aberturas da sessão da tarde, temperatura máxima e entre outros, só faltou começar a rodada do Brasileirão em seguida.

REVIEW
O Menino Que Queria Ser Rei
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Baraldi
Editor, escritor, gamer e cinéfilo, aquele que troca sombra e água fresca por Netflix e x-burger. De boísta total sobre filmes e quadrinhos, pois nerd que é nerd, não recusa filme ruim. Vida longa e próspera e que a força esteja com vocês.