Desde o começo do ano ando ouvindo Trovão. São dois discos — Prisioneiro do Rock’n’Roll (2021) e Diamante (2025) — curtos, concisos e uma delícia de som. Hard’n’heavy com pegada AOR e aquele clima de tokusatsu dos anos 80 que qualquer criança que cresceu vendo Jaspion vai reconhecer de imediato, inclusive no visual do vocalista.
Queria muito ver ao vivo. O Bangers 2026 deu a oportunidade. E bicho, que performance.
Rocky, Anos 80 e Imersão Total
O show abriu com o tema de treinamento de Rocky. Já era. O tom estava dado antes de uma nota ser tocada.
O que o Trovão faz ao vivo não é só tocar as músicas, mas também constrói um ambiente. A estética dos anos 80 está presente sem forçar a barra: não é fantasia, é identidade. A movimentação no palco é intensa e precisa, e o vocalista Gustavo “Trovão” Eid comanda a cena com domínio total — cada seção da música tem uma resposta física no palco que puxa o público junto. Você vibra porque a banda vibra primeiro.
O som estava equilibrado, o que fez toda a diferença. O Trovão é o tipo de banda que ganha muito quando a engenharia de som está no lugar — e dessa vez estava.
A Banda, a Música, o Momento
Alexandre Gatti e Igor Senna nas guitarras entregaram as harmonias que são marca registrada do estilo, com aquele peso melódico que remete ao heavy clássico britânico. Lucas Chuluc no baixo, Alan Caçador na bateria e José Lucas Fuza nos teclados completaram uma banda coesa e profissional do início ao fim.
“Seres da Noite”, “Princesa do Fogo” e “Até o Fim” foram os picos de energia da plateia. Cantadas em português, com letras de pegada sociopolítica que não perdem a força melódica, uma combinação rara e bem executada.
O público estava animado, com uma presença notável de fãs vindos do Chile — sinal de que o alcance da banda já começa a cruzar fronteiras.
Waves Stage É Pouco
Assim como o Seven Spires no dia anterior, o Trovão merecia um palco maior. O Waves Stage ficou pequeno para a energia que a banda trouxe. Mas diferente de uma injustiça definitiva, aqui parece mais uma questão de tempo: essa banda vai voltar, e vai voltar num palco maior. É a trajetória natural de quem entrega o que o Trovão entregou no Bangers 2026.
Gustavo Eid carrega na bagagem passagens por bandas como Selvageria e Tiger. Experiência que aparece na maturidade de palco de alguém que sabe exatamente o que está fazendo.
Veredicto
O Trovão foi uma das alegrias do festival. Heavy metal brasileiro cantado em português, com identidade visual forte, músicos de alto nível e uma energia ao vivo que poucos conseguem replicar. Para quem ainda não conhece: Prisioneiro do Rock’n’Roll e Diamante são o ponto de entrada. Mas a experiência completa é ao vivo.
O futuro é brilhante. E começa agora. E que venha o próximo álbum!
GALERIA TROVÃO NO BANGERS OPEN AIR 2026
TROVÃO NO BANGERS 2026
- Preso ao Passado
- Trovão
- Princesa do Fogo
- Até o Fim
- Olhos da Cidade
- Diamante
- Prisioneiro do Rock ‘n’ Roll
- Insanidade
- Seres da Noite
- Não Lembre Mais de Mim (Vapor cover)
- Linha de Frente
Cobertura: Suco de Mangá, Fotos: @brunobellan | Bangers Open Air 2026 — Memorial da América Latina, São Paulo, 26 de abril de 2026




