Com este anime, vimos muitas cenas relaxantes, típico do que foi esperado em nosso Primeiro Gole. A verdade é que é de lei cada temporada ter pelos menos um anime como Tonari no Kyuuketsuki-san: garotas fofinhas fazendo coisas fofas reagindo de forma fofa.

Nessa Temporada de Outono 2018 tivemos outro anime que se encaixou bem nessa categoria, que foi o Anima Yell, uma história de meninas fofas e alegres que fazem parte de uma equipe de torcida. Não dá pra ficar mais alto astral que isso, dá?

De qualquer modo, eu tenho uma regra pessoal em jogo. Esse tipo de anime moe faz bem, encanta os desencantados e conforta os amargurados, mas tudo deve ser bem dosado.

Assim como muito açúcar pode melar um bom suco (sem qualquer pretensão de trocadilho aqui), muito moe pode te deixar enjoado e te deixar incapaz de aproveitar direito um bom anime. Então, se fizemos uma escolha, devemos começar pela seguinte pergunta:

Por que Vampiros?

Nos idos de 2006, quando descobri a saudosa Animax, dois animes me fisgaram de jeito. Hellsing, Blood+ e Trinity Blood faziam parte de uma febre generalizada com os livros da Saga de Darren Shan e Crepúsculo. Apesar de toda uma geração ter se fissurado em vampiros, as brigas de torcida eram comuns. Afinal, a ideia de vampiros brilhantes soava estranho para os mais apegados aos vampiros de Anne Rice e ao Drácula de Bram Stroker.

Mesmo assim, os vampiros brilhantes fizeram escola, pois agonizar de dor enquanto o corpo vira cinzas não faz bem o estilo do anime de Sophie Twilight. Nossa vampira otaku e anti-social só pena sob a luz do dia para as tarefas mais cruciais e incontornáveis, como encontrar sua mangaká favorita. Quando o sol a toca, Sophie começa a brilhar, brilhar e brilhar… mas tudo volta ao normal depois no final do dia. Só é muito desconfortável para essa vampira light.

Parece estranho que um anime tenha puxado de volta um tema que ficou um tanto esquecido nos últimos anos. Muito antes de ter sido anunciado para esta temporada, eu já havia assistido o trailer no início do ano e a reação foi apenas “Wow…! Vampiros?!”. E a boa notícia disso tudo é que Tonari no Kyuuketsuki-san não sobreviveu apenas de minha nostalgia em particular.

Ele é mais do mesmo, sim, mas divertido mesmo assim. Seus personagens com os seus mesmos trejeitos e as piadinhas que brotam em cada episódio, não de qualquer jeito, fazem aquilo que um anime lotado de moe faz de melhor: botar um sorriso leve o suficiente para aquecer de leve o coração. Pode ser dito que essa descrição é excessivamente romântica de algo tão banal como o moe. Mas não penso que ele é capaz de agarrar a audiência de tantas pessoas apenas porque elas “sejam estranhas”. Esses elementos afetuosos não são difíceis de serem percebidos em vários aspectos do anime que não cabem nesta Análise (diálogos, estética, design, traços e por aí vão). E por falar em afeto…

Tonari no Kyuuketsuki-san
Tonari no Kyuuketsuki-san (Imagem Divulgação)

Triângulo Amoroso: “Real pero no mucho”

Esse aspecto de mim não coube na minha bio, mas quem me conhece sabe que eu amo cozinhar. E se eu tivesse que dissecar Tonari no Kyuuketuski-san pelos seus vários ingredientes, eu diria que ele tem uma pitada de yuri na sua mistura. Não, não chega a ser uma xícara ou uma colher de sopa. Com certeza, a coisa que mais atrai as imaginações de n escritores e escritoras de fanfic é justamente a falta de clareza na relação entre as personagens. Essa falta dá asas para todo o tipo de imaginação e as doses de carinho entre as personagens são um pouco mais intensas que em outros animes como Slow Start ou Comic Girls. Mas antes que ponhamos a carroça na frente dos bois e transformemos o anime num Bloom Into You, que é bem mais nítido e bem mais direto ao ponto como yuri, vejamos um pouco as personagens em si para daí visualizarmos esse triangulo amoroso Hinata-Akari-Sophie, ou se essa é interpretação é plausível.

Akari e Sophie se encontram numa floresta à noite. A pequena vampira está apenas dando uma volta por aí, como recomendada aos seus vizinhos. Faz bem para a saúde. E Akari, viciada em pequenas (e assustadoras) bonecas, vê em Sophie uma boneca viva. Uma boneca com quem ela quer brincar para ontem, escovando seu cabelo e vestindo várias roupas nela. Temos aí a impressão de que Akari ama Sophie, pois Sophie é a boneca perfeita, que jamais irá envelhecer e continuará fofa, mesmo com 360 anos de idade. Essa obsessão por bonecas permite a uma humana a proeza de assustar uma vampira. Uma vampira que, aliás, já se assusta fácil com fantasmas e história de terror. Mais um ponto cômico para o anime aí. Sophie tem um jeito meio kuudere ao retribuir esse carinho. Meio, porque ela não é completamente apática à companhia da Akari, mas ainda prefere manter sua distância. Até porque ficar muito íntima de uma humana que daqui a pouco irá morrer, uns 70 ou 80 anos no máximo, não é lá a coisa mais saudável a se fazer.

Tonari no Kyuuketsuki-san
Tonari no Kyuuketsuki-san (Imagem Divulgação)

Se Akari pena em ganhar um pouco mais de afeto de Sophie, mal sabe a menina que ela própria faz girar a roda do vácuo. Afinal, sua amiga de longa data, a Hinata, é apaixonada pela amiga. Hinata é a pitada de yuri mencionada lá em cima. Nesses tipos de anime moe, há sempre uma menina mais “masculina” que as demais e que tem uma quedinha por uma das garotas. Leia esse “masculina” com muitas aspas, pois merece. O retrato de uma menina masculina nesses tipos de anime ainda é feminino demais até para os padrões japoneses, se bobear. Em Kin Iro Mosaic havia uma mesma personagem nesse perfil. Mesmo sendo mais arquetípica do que o aceitável, ao menos Hinata poderia ter sido um pouco melhor aproveitada do que ser apenas a garota que tem um crush na Akari e que tem um shiba inu de estimação muito fofo. Okay, essa última parte podemos perdoar, já que é um shiba inu muito fofo…

Se há um triangulo aí, ele está bem aberto e só fecha com a intervenção divina de uma fanfic. Fora dela temos a Ellie, a amiga mais velha de Sophie que mesmo tendo quase 500 anos, ainda assim parece uma criança. Uma criança embaraçosamente sensual para o seu tipo físico. Ela não tem muita escolha, já que foi transformada em vampira cedo demais para ter chance de crescer. Ellie sabe disso, o que a deixa com um baita complexo com o seu corpo, odiando ser confundida com uma criança. Esse complexo faz com que ela faça questão de provocar as outras meninas, para parecer a mais velha do grupo. E de fato ela é, coitada.

Conclusão

Levando tudo em consideração, Tonari no Kyuuketsuki-san foi um anime bem okay. Genérico demais para ser considerado bom, mesmo com todas aquelas preferências pessoas por vampiros levadas em conta. Mas que fez bem aquilo que se propôs, quase que autoconsciente de suas limitações. O que é muito melhor do que querer abocanhar mais do que a boca pode morder. Foi uma boa escolha afinal!

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