Hollywood resolveu dar um tempo nos incansáveis reboots e apostar em cinebiografias, desde Bohemian Rhapsody, outras do gênero começaram a ser anunciadas no mundo inteiro, como Tolkien!

Dessa vez o foco é a origem de um escritor aclamado na cultura nerd, John Ronald Reuel Tolkien, famoso pelas obras literárias O Hobbit, Senhor dos Anéis, O Silmarillion, entre outros, causou impacto com suas histórias e mais ainda com as franquia de filmes inúmeras vezes premiadas, dessa vez a história é sobre o criador, focando todos os acontecimentos em sua vida, transformando em uma história de amor e de reconhecimento de sua genialidade, trazendo as lágrimas os fãs de suas obras e o público nerd em geral.

Filme de Época

Sem medo de manter padrões de romances clássicos, Tolkien constrói uma trama bem apresentada em muitos filmes de época, e nesse caso trabalha no mesmo nível de qualidade para uma história linda onde o romance caminha de mãos dadas com a carreira do escritor, onde o mesmo não encontrava o seu lugar até conversar com seu professor de línguas, mantém uma ligação de amor entre seus amigos, o qual essa parceria se torna a base para superar tudo, e apresenta os traumas da guerra que o inspiraram para iniciar o seu caminho e marcar a história da literatura e, porque não, do cinema.

De certa forma foi surpreendente, por ser uma cinebiografia, espera-se uma história mais dramatizada e focada na carreira do protagonista citado, dessa vez foi além, contou-se o crescimento do escritor da terra média antes dele iniciar a sua carreira, e funcionou perfeitamente, literalmente um filme de época que muitos colocariam como chato, velho e ultrapassado, conquista os corações daqueles que não sabem quem foi J.R.R. Tolkien, e daqueles que já leram sua biografia e se tornaram fãs de tudo que ele já escreveu, manter o roteiro em uma linha já feita em muitos outros filmes te pega de surpresa e te conquista pelos laços emocionais e conflitos envolvendo a vida do protagonista.

Fotografia e Visuais Fantásticos

A técnica cinematográfica desse filme não podia ser abaixo do esperado, pensando em O Hobbit e Senhor dos Anéis, alguma coisa seria gravada naquele nível, só não era esperado que seria nos mesmos padrões de fotografia, nada referente a cenas envelhecidas ou efeitos visuais fantásticos, o jogo de cenas te coloca de volta no que foi assistido na maior adaptação cinematográfica de livros já feita, aparecem alguns dragões, cavalos e até o próprio Sauron em meio a névoa, mas funcionando como se fosse uma visão ou delírios do personagem, mostrando as sequelas da guerra para o escritor, os acontecimentos durante toda sua vida mostra o porquê ele se mostrou genial para seus livros, e isso está nítido nesse filme para fãs e não-fãs.

O elenco está muito bem, inclusive em antagonistas, mas o destaque para o protagonista precisa ser feito além dele ser, claro, o protagonista, o ator Nicholas Hoult trás uma ingenuidade para o personagem que te cativa e te mostra o quão comum foi o escritor em sua vida, esse ator é jovem e se mostrou muito bem em atuação para um personagem tão bem trabalhado, principalmente se você colocar na balança a carreira de Nicholas Hoult, onde é lembrado como Nux de Mad Max: Fury Road, Fera na franquia dos X-Men e Meu Namorado é um Zumbi, filmes questionáveis e que não geram boas expectativas para Tolkien, porém dessa vez como protagonista, se mostra um ator de alto nível, além de muitos exaltados hoje em dia.

Cinebiografia Rica

Se Bohemian Rhapsody foi uma obra perfeita para apresentar aos desconhecidos quem foi a banda Queen, Tolkien se mostra muito mais incrível e bem trabalhado em roteiro e edição, muito bem dirigido por Dome Karukoski e impecável com as trilhas de Thomas Newman, um gênio da sonoplastia, colocar esse filme em padrões de obra de arte não é um absurdo, aos fãs de carteirinha do criador da terra média, levem lenços, porque lágrimas serão derramadas ao assistir a história maravilhosa e tocante daquele que marcou os corações dos nerds de todo o mundo.