Smokin’ Parade é outra série da dupla Jinsei Kataoka (história) e Kazuma Kondou (arte) e segue a história do protagonista Kakujou Youkou. Em um mundo onde a medicina está deveras evoluída e é possível fazer transplante de órgãos, a principal empresa que domina ramo é a Ame no Tori (Rain of Birds ou Chuva de Pássaros) – que domina 60% do ramo mundial e promete fazer transplante de qualquer órgão.

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A história começa com Youkou nos contando que tudo começou quando, ironicamente, ele morreu. A irmã de Youkou, Mirai Kakujou, que recentemente fez um transplante de pernas, está preparando uma surpresa para o seu estimado irmão. Eis que, na verdade, os implantes da Ame no Tori não são 100% perfeitos e infalíveis como afirmam. Na realidade, parte deles gera um tipo de reação na qual transformam seus pacientes em monstros – com cabeças de bichos de pelúcia – que são denominados de Spiders (aranhas). E, como todo protagonista sortudo, Youkou é atacado no dia de seu próprio aniversário de 15 anos pela irmã transformada.

Então, prestes a morrer, ele é “salvo” pela Jackalope – uma divisão especial criada para eliminar esses monstros, basicamente, uma organização anti-Spider. Digo, “salvo” pois os mesmos não sabiam que ainda havia um sobrevivente no local. Youkou assiste Mirai (ou o que sobrou da irmã) ser morta pela Jackalope e, no entanto, ainda tenta protegê-la. A priori, o grupo é composto de três indivíduos, que remetem à demônios – por causa dos chifres e suas próteses mecânicas com armas de combate, os Gears.

Por fim, o ruivinho acaba sendo convidado para se juntar a Jackalope, recusando-se. Ele opta por pegar partes mecânicas mais simples e seguir com sua vida. Entretanto, acaba presenciando novos ataques de Spiders. Uma coisa leva a outra e ele é novamente salvo, mas também salva o dia, juntando-se a trupe mecânica. A série segue a partir daí.

Da Obra

O mangá está em andamento e é publicado pela Monthy Shonen Ace da Kadokawa Shoten e, diferente de outras revistas, ela tem um público mais específico – tendo publicado títulos como Eureka Seven, Deadman Wonderland, FateStay Night, Mirai Nikki, Samurai Champloo, Blood+, dentre outros.

Simbolismos

Vou começar falando de algo que achei bem simbólico. Curiosamente, ‘mirai’ significa ‘futuro’ em japonês; assim como ‘youkou’ é uma variação de ‘youkai’ que é ‘monstro’ ou ‘demônio’. (Aqui não tenho certeza se são os mesmos kanjis, mas achei bem simbólico comentar.) Não obstante, ele logo de cara fala que tudo começou quando ele ‘morreu’. Pode parecer uma sopinha de palavras, porém, acredito que tenha alguma trama por trás disso. Não me parece uma escolha tão aleatória assim.

Ademais, dê cara percebemos que ele não é nem de longe um personagem típico. Muito menos para protagonista, o que cria certa estranheza – ao invés do sentimento de identificação e vínculo. É difícil entender o que ele pensa e, mais ainda, o que sente. Youkou tem uma maneira bem particular de agir e pensar. Além disso, é marcante como o personagem segue fielmente suas próprias regras de conduta e como elas são de suma importância para si – vulgo “regras da família Kakujou”, que ele mesmo criou.

O que torna alguém humano?

Uma questão que particularmente me intrigou é o fato dele ser bem apegado ao que é ‘humano’, ao ser humano. Tanto que o embate ‘monstro’ e ‘humano’ é levantado repetidas vezes. O que confere a condição de humanidade à alguém? E o que seria um monstro? Tais perguntas são ainda mais enfatizadas quando ele entra na Jackalope e conhece os demais personagens ou em sua luta com os Spiders. Uma passagem também alarmante é a (possível mãe) mulher que tenta matá-lo ainda quando criança e o chama de monstro. (Mais alguém ficou com a pulga atrás da orelha?)

Para encerrar, queria deixar a provocação: o que torna alguém humano?

Bom, com base no que lemos até agora, a série é só elogios. Quem curte sci-fi, steampunk, ação, drama e um bom mistério fica a recomendação!