Eu conhecia o nome de Adrienne Cowan de ouvir falar. Circulava bastante nos grupos de metal, nas discussões sobre frontwomans e vozes femininas de destaque. Mas foi a confirmação do Seven Spires no Bangers Open Air 2026 que me fez de fato sentar e ouvir a discografia da banda. Não demorou muito para entender o hype.
E no palco, ao vivo, tudo fez ainda mais sentido.
A Voz Que Já Conhecia e a Banda Que Não Conhecia
Adrienne Cowan não é novidade para quem acompanha o circuito do metal sinfônico. Ela já excursionou com o Kamelot e integrou o Avantasia — inclusive esteve no Bangers 2025, onde sua performance chamou atenção com aquela voz linda e alcance impressionante. Mas o Seven Spires é outra história. É o projeto dela. É onde o talento não tem limite de espaço.
Ao vivo, a transição entre vocais limpos e guturais soa completamente natural e sem esforço aparente, sem quebra de performance. É técnica de alto nível executada com leveza. O baixista Peter de Reyna complementa bem essa dinâmica, assumindo as camadas mais graves e criando dobradinhas vocais que ampliam o alcance sonoro da banda.
De Nightwish a Dimmu Borgir em Segundos
O que torna o Seven Spires diferente de praticamente tudo que existe no metal sinfônico hoje é a dinâmica radical. A banda pode estar num momento de grandiosidade orquestral digna do Nightwish e, em poucos compassos, mergulhar numa densidade extrema que lembra o Dimmu Borgir e isso não soa forçado, soa como composição intencional e madura.
Para mim, é o ápice do que o metal sinfônico pode atingir hoje. E o fato de a banda ter menos de cinco álbuns na discografia torna isso ainda mais impressionante. O futuro é brilhante e deve se tornar dos grandes nomes. Anota aí!
O destaque absoluto da noite foi “Love’s Souvenir”. A forma como a música evolui, camada por camada, tensão crescente, clímax preciso, é uma aula de composição. Quem estava na sala sabe do que estou falando. Bom, é minha música preferida até então.
Teatro Lotado, Palco Errado
O Waves Stage estava cheio. Fã-clube oficial presente, camisetas personalizadas, público cantando junto. Para uma estreia oficial no Brasil, foi um sucesso inequívoco.
Mas foi uma injustiça. Com aquele nível de show e aquela resposta de público, o Seven Spires merecia o Sun Stage. Se estivessem no palco principal, o impacto teria sido ainda maior e mais gente teria saído do festival sabendo o nome da banda de cor. A escalação foi um erro do festival, não da banda. Mas devem voltar e tenho certeza que num palco maior.
Vale o registro histórico: esta foi a primeira passagem oficial da banda norte-americana pelo Brasil. E o baterista Chris Dovas, presente no show, é o mesmo que o Testament revelou ao mundo e mais um dado que mostra o nível do entorno desta banda.
Habemos Veredictus
O Seven Spires foi a melhor surpresa do Bangers Open Air 2026. Não porque ninguém esperava, quem pesquisou sabia o que estava vindo. Mas porque ao vivo a banda superou qualquer expectativa razoável. Show completo, vocalista excepcional, composições de altíssimo nível.
Se você ainda não ouviu a discografia: comece agora.
GALERIA SEVEN SPIRES NO BANGERS OPEN AIR 2026
SETLIST SEVEN SPIRES NO BANGERS 2026
- Songs Upon Wine-Stained Tongues
- Almosttown
- No Words Exchanged
- Oceans of Time
- Unmapped Darkness
- Succumb
- Shadow on an Endless Sea
- Portrait of Us
- Architect of Creation
- Love’s Souvenir
Cobertura: Suco de Mangá, Fotos: @brunobellan | Bangers Open Air 2026 — Memorial da América Latina, São Paulo, 25 de abril de 2026




