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A década de noventa é marcada por muitas produções envolvendo guerras, inclusive pelo Studio Ghibli, com Porco Rosso: O Último Herói Romântico, que trás uma bela história de um ex-veterano de guerra que trabalha como caçador de recompensas, e por mais dramático e profundo que seja todo esse cenário pós guerra, a animação se mostra um dos filmes mais divertidos e emocionantes do famoso estúdio.

Um mundo pós-guerra

Lançado em 1992, os tempos no filme se mostram muito mais antigos, várias facções de piratas do céu frequentam os ares para novos crimes. Nisso surge nosso protagonista Marco, que é conhecido como um pirata do céu, mas não ganancioso e sim honrado, o mesmo prefere caçar outros piratas pensando em justiça e não em lucro, tanto que Marco se mostra afundado em dívidas.

Um mundo pós guerra que foi de certa forma romantizado nessa animação, claro que deve-se relevar por causa da época, porém é naqueles momentos de grande terror de guerra e possíveis bombas caírem no quintal que fortalece essa história, um medo ofuscado pela beleza cinematográfica e história feliz de um grande herói, esse que quebra todo o glamour da vida de um ex-veterano em plena época fascista, Marco é o típico protagonista mais querido e aclamado na cultura pop, sem casal, sem busca pelo sucesso, apenas um protagonista solitário com um passado triste que o faz quebrado, esse é tipo de personagem que é quase unanimidade o seu favoritismo.

Homenagem

A trama desenvolve sem grandes saltos de tempo ou exageros visuais, preferem trabalhar algo mais juvenil e simples para agradar todas as idades, tanto que conseguiu, alguns jornais da época colocam Porco Rosso entre as 50 maiores animações do cinema de todos os tempos e muitos acreditam ser subestimada pelo seu nível leve e simples, cada um têm a sua opinião, isso não impede dela estar errada, quem considera Porco Rosso uma animação infantil demais é porque não deu o devido valor e muito menos conhece de história.

Como dito, a época de Porco Rosso apresenta tempos de guerra e o filme presta uma homenagem aqueles tempos, hoje seriam chamados de referências, ou “fan-service” por mais errado que seja usá-lo nesse filme, algumas realmente é perceptível para todos que entendem um pouco de história. Contudo pesquisando mais afundo se encontra referências muito mais específicas, e fica aqui a mais curiosa delas: Em Porco Rosso, o amigo de Marco dos tempos da Força Aérea chama-se Ferrain, inspirado em um piloto que existiu com o mesmo nome, Arturo Ferrain fez um voo de reconhecimento de Roma a Tóquio em 1920, o mesmo pilotava um avião conhecido como modelo Caproni Ca 309, apelidado de “Ghibli”, esse que inspirou o nome do estúdio em questão.

Eu prefiro ser um porco a ser um fascista

Entretanto a genialidade de Porco Rosso é algo tão sútil, tão simples, que ao perceber a referência, você já sente a dor do soco no estômago tempos depois do mesmo ter sido dado, de frases marcantes como “Eu prefiro ser um porco a ser um fascista” até cenas da Fio comentando sobre o problema de ser uma mulher e não poder pilotar um avião, corta a cena e o avião está sendo montado em uma oficina só com mulheres, é magistral como Porco Rosso consegue trabalhar tantas mensagens importantes e que são extremamente fortes. Essa é uma fama conhecida dos Studio Ghibli que provavelmente se repetirá esse ano com “Como Você Vive?”, filme que será lançado antes das Olimpíadas desse ano.

A desconstrução do herói que busca a sua amada ou um propósito para a vida já aconteceu a muito tempo, e Porco Rosso é uma prova disso, incrível e genial, uma glamourização daqueles tempos que é desfeita na própria animação, com tons de humor e aventura que escalam para um belo filme blockbuster, mas esconde tantas referências que pode ser colocado como cult. É por essas e outras  que Porco Rosso é uma obra de arte em forma de animação.

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