Neste próximo 21 de junho, Seth (Moi dix Mois, Redo, Sakura Zensen) e Kouki (D=OUT) voltam para o Brasil depois de uma visita inédita com o vocalista Sui (Megaromania) na Triad Tour, em 2025. Dessa vez, a dupla vem acompanhada de Tsuzuku (Mejibray, DRUGS), formando a Awakening Tour e que passará pelo México, Peru, Brasil, Argentina e Chile.
O Suco de Mangá teve a honra e a grata oportunidade de entrevistar Seth! Nesta entrevista, vemos mais detalhes da vida e carreira deste artista cheio de ternura e entusiasmo em sua expressão, seja com seu canto, seja com suas vívidas palavras trocadas conosco.
Com vocês, nossas dix perguntas para Seth!
Suco: Quando você voltou da primeira turnê na América Latina, seus amigos no Japão ficaram curiosos sobre a experiência no nosso continente?
Seth: Pois é, nossa última turnê teve bastante repercussão! Nos perguntaram sobre como era a plateia, quanto tempo levou a viagem, esse tipo de coisa. As pessoas da América do Sul são bastante animadas, se empolgam nas músicas e isso me divertiu a beça, foi esse sentimento que passei para os meus amigos!
Uma coisa que chama a atenção no seu começo no AFTER IMAGE, é o quanto a banda parece se divertir durante a gravação dos clipes. Você tem alguma lembrança de bastidores para compartilhar conosco?
Era uma época onde eu ainda era muito novo e tudo o que eu fazia era bem divertido.
Tanto você quanto Mana são de Hiroshima. Alguma vez essa coincidência ajudou a tornar vocês dois mais próximos?
Somos de Hiroshima sim, mas eu já conhecia o primo do Mana! Um cara muito gentil e que também trabalhava duro em Tokyo assim como eu e ele nos apresentou. Se não fosse por ele, eu não acho que estaria ativo no Moi dix Mois hoje em dia.
Parte de sua vida oscila entre sua cidade natal e Tokyo, onde você construiu sua carreira como cantor. Além dessas cidades, qual outra região do Japão você gosta de visitar quando pode?
Como sou de Hiroshima, estou sempre voltando para ver minha mãe. Hoje em dia estou viajando por todo o Japão por causa do Redo, de Hokkaido até Kyushu! Cada região tem pratos diferentes e deliciosos e todos da banda saímos pra nos divertir e comer juntos. A gente também conversou sobre a ideia de irmos para Okinawa. Eu adoraria visitar lugares onde nunca fui!
Você mencionou seu gosto por desenhar e algumas postagens suas no twitter fazem menção a obras como Gundam e Hokuto no Ken. Como também somos um site que fala de cultura pop japonesa, qual seria seu top 3 dos melhores animes ou mangás?
Eu assisti tudo de Gundam! Eu também amo Hokuto no Ken. Principalmente o Shachi, que aparece na última temporada “A Terra de Asura”. Ele apoia o Kenshiro até o fim e seu tapa olho é muito bacana! Eu fico com Hokuto no Ken, Gundam e Yu Yu Hakusho.

Você também gosta de luta-livre né! A ponto de você comentar com bastante entusiasmo sobre um livro sobre o Tiger Mask, um sucesso do nicho. Você ainda acompanha o esporte? Ou existe outro esporte que te chame mais a atenção?
O Tiger Mask original foi reprisado várias vezes e depois lançaram o Tiger Mask II. Eu já gostava muito da vibe heroica e admirava muito o personagem. Daí apareceu o Tiger Mask na luta-livre profissional. Ele era bem atlético, pulando e saltando pra lá e pra cá, suas disputas pareciam impossíveis para um ser humano fazer e além disso ele era bastante forte lutando pra valer. Sua máscara, com o rubi na testa e o design das calças eram idênticos ao Tiger Mask II! E quando eu era estudante, eu joguei futebol por um tempo.


Entre o Moi dix Mois, Ruiza Band (agora Redo) e Sakura Zensen, sua atividade como cantor é intensa. E ainda sobrou tempo para lançar uma música solo em 2024, Kyozou no Kimi ~ Sagashite. Conte-nos mais um pouco sobre sua composição nessa estreia independente!
Essa é a primeira música que lancei como Seth. Sinto que muita gente percebe o Seth como o vocalista do Moi dix Mois, mas com essa música eu queria que as pessoas percebessem que o Seth é um artista próprio que serve como vocalista tanto para o Moi dix Mois quanto para o Ruiza BAND. Como não sei até quando na vida poderei continuar cantando, talvez esse foi um jeito de me confrontar e dar um senso de direção motivacional, uma estrela guia para seguir em frente.

Você teve a oportunidade de cantar músicas de bandas antigas de visual kei como o Rouage em outras ocasiões e em 2021 você participou de um show com a banda Gilles de Rais, que também foi bem ativa nos anos 90 e que, pessoalmente, gosto bastante! Conta um pouco pra gente sobre a experiência e sua relação com a banda!
Na verdade, nessa jam onde cantei Rouage, era minha primeira vez cantando as músicas da banda, então lembrar as letras foi meio difícil. Tive essa oportunidade de dividir o palco com o Gilles de Rais porque o guitarrista, JACK, estava em Tokyo e ele me perguntou se eu queria participar de uma jam. Daí pude cantar as músicas do Gilles de Rais, uma banda que eu adoro desde quando participei de minha primeira banda.
Desde então venho cantando de vez em quando com o Gilles de Rais como vocalista suporte, junto com o JOE (vocalista) e o SINN (baterista). Eu fico bem nervoso, mas é um imenso aprendizado!

Você mencionou ter encontrado desafios inéditos quando começou a cantar enka, e isso te deu mais ambição como vocalista. Esses desafios também apareceram quando você começou no Moi dix Mois, com algumas músicas usando berros?
O mundo do enka é algo completamente diferente, então foi bem desafiador. Mas eu jamais pensei que isso iria me deter. Isso é de minha personalidade e todas as experiências, atuais e passadas, fazem de mim quem sou, também como Miyoshi Seiji. Mas até hoje eu tenho dificuldade em gritar no Moi dix Mois.
Até estrear no Moi dix Mois, eu nunca fui de gritar, então minha garganta dói! Sendo bem sincero, eu achava que gritar era um jeito de enrolar pra quem não soubesse cantar bem, então nunca achei que gritar fosse algo bacana, daí nem acabei tentando. Agora que eu sei que isso também é uma forma de expressão, eu grito às vezes, mas nessa minha garganta leva a pior. (risos)

Sua vida é rodeada por um mundo de interesses para além da música: começou buscando as artes visuais, virou cantor de rock e de enka e agora é até dono de um café, o VegeNeko. Para você, o mundo sempre foi esse lugar vasto de possibilidades ou houve algum momento na vida em que você percebeu isso?
Eu pensei em trabalhar com arte, mas percebi que era bem difícil e vi que não conseguiria viver disso. Nesse momento, eu descobri a música em Tokyo e comecei uma banda. Eu ainda era bem novo, então foi bem divertido. Enquanto os anos passavam, descobri novos interesses musicais, novas coisas que queria fazer e meu mundo se expandiu quando comecei a cantar enka, até que a pandemia paralisou todas as minhas atividades musicais. Nem Seth, nem Miyoshi Seiji recebem um salário fixo, então quando essas atividades cessaram, minha renda cessou junto.
Eu sinto que minha vida foi um timing atrás do outro. Tudo resultado de coincidências!! De certa forma, consegui me divertir com todas essas coisas, então me sinto bem feliz. E é porque existem pessoas que sentem necessidade das minhas canções que eu consigo cantar hoje em dia. Desenho por hobby, tenho uma loja e ainda consigo ser chamado pra cantar no exterior. Jamais imaginei que eu conseguiria viver uma vida assim tão livre. Eu não sei o que os outros imaginam o que seja uma vida bem sucedida, mas eu tenho certeza que minha vida é um grande sucesso!
O Suco de Mangá – e este colunista muito emocionado em especial – agradece de montão ao Seth pelas generosas respostas a esta entrevista!

Os ingressos para o show de São Paulo estão disponíveis pelo link da Passline: passline.com/eventos/awakening-tour-2026-voices-of-visual-kei-brasil




