Exposição sobre trançado com seda, patrimônio imaterial japonês, começará nesta terça-feira

Exposição Kumihimo - A arte do trançado japonês com seda, por Domyo
Imagem Divulgação
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Tradição, cultura e história se entrelaçam na exposição Kumihimo – a arte do trançado japonês com seda, por Domyo, que começará no dia 24 de maio em São Paulo. Ainda inédita no Brasil, a Japan House São Paulo traz a mostra sobre esta arte milenar japonesa, considerada patrimônio imaterial do país.

A exposição é apresentada pela empresa familiar tradicional Domyo, sediada em Tóquio, que há mais de dez gerações produz artesanalmente cordões de seda. Desta forma, o público poderá conhecer a evolução histórica do kumihimo no Japão, entender sobre a construção dos trançados, além de explorar possibilidades futuras para seu uso.

Para isso, três grandes instalações foram organizadas, onde mais de 30 reproduções de peças de kumihimo históricos, ferramentas utilizadas pelos artesãos e vídeos que contam com recursos de acessibilidade podem ser encontrados.

Exposição Kumihimo - A arte do trançado japonês com seda, por Domyo
Imagem Divulgação

História

Nesta ala, o foco são as origens e evoluções da técnica por meio dos séculos. É fato que os japoneses são muito ligados ao passado e suas origens, então se prepare para conhecer um pouco mais sobre suas tradições.

Em japonês, kumihimo significa “cordas trançadas”. O termo é utilizado para se referir a amarrações de três ou mais feixes de fios de seda, formando cordões a partir da sobreposição diagonal desses fios de maneira regular e uniforme. Os resultados podem ser trançados simples, feitos com três feixes (conhecidos como “trança francesa”), ou mais complexos, chegando a conter mais de 140 feixes de fios. No Japão, o kumihimo foi utilizado ao longo dos séculos para diversas funções, como acessórios para vestimentas e ornamentos para armas e armaduras, apresentando uma evolução única. Um dos tipos mais conhecidos pelos japoneses é o utilizado no obijime – o cordão que se amarra por cima da faixa de um quimono tradicional.

Estrutura

Enquanto na parte de estrutura, poderão ser encontrados os suportes usados na produção dos cordões, chamados de marudai (utilizado para produzir cordões quadrados) e takadai (suporte alto que permite trançados planos). Juntamente com isso, também exibe as ferramentas usadas nos processos de tingimento, preparação dos fios e produção dos cordões.

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Futuro

Por último e com certeza não menos importante, esta área está reservada para as mais recentes estruturas de trançado desenvolvidas pela Domyo, além de peças criadas em colaboração com especialistas de áreas como indústria têxtil e ciência matemática, que apresentam possibilidades de aplicações futuras para a técnica.

Um pouco sobre o kumihimo

O kumihimo se destaca tanto pela resistência quanto pela elasticidade, determinadas pelos métodos de trançado e amarração, além da variação nos ângulos de orientação das fibras, por isso é possível encontrar estruturas de tubos de carbono semelhantes ao kumihimo em uma série de aplicações industriais, desde tacos de golfe e aeronaves até próteses ortopédicas.

Além disso, exclusivamente para esta exposição foi criado um modelo baseado em topologia geométrica em parceria com o Tachi Lab da Universidade de Tóquio. O modelo apresentado é resultado da atividade deste laboratório, onde pesquisadores criam estruturas utilizáveis e materiais celulares com propriedades únicas baseados na geometria do origami, nos sistemas com articulações, na geometria diferencial e assim por diante. Por meio deste trabalho, buscam entender a natureza da forma e da função, por meio da observação e, também, da criação de vários fenômenos. Essa colaboração amplia matematicamente o potencial oferecido pelo kumihimo de criar padrões gráficos, estruturas tridimensionais e sistemas funcionais.

Cerâmicas datadas do início do período Joumon (entre 5 mil e 6 mil anos atrás) já apresentavam padrões decorativos de uma forma primitiva de kumihimo impresso, mas os maiores avanços do kumihimo no Japão ocorreram a partir do período Asuka (592-710). Sua tradição permeia desde ornamentos para armas e armaduras, quimonos e vestimentas para cerimônias, elementos decorativos para santuários e outros objetos religiosos, bem como nas artes cênicas. Hoje, a técnica também vem sendo incorporada à moda contemporânea, como nas criações do estilista japonês Akira Hasegawa (1989). “Eu trabalho para transmitir, hoje, emoções de cem anos atrás. Sou movido pela beleza estrutural e pela sensação de aconchego encontrada em roupas antigas”, comenta Hasegawa. Além dele, Natasha Barzaghi Geenen, Diretora Cultural da Japan House São Paulo comenta sobre o assunto

Para nós é muito importante poder colocar o público brasileiro em contato com esse bem cultural tão significativo do Japão e apresentar a experiência e os conhecimentos adquiridos pela empresa Domyo desde 1652. Exposições como esta reforçam a missão da Japan House São Paulo de apresentar o Japão de hoje com práticas que podem se perpetuar por séculos. E reiteram nossa aproximação com base também em trançados simbólicos.

Sobre a Domyo 

A instituição Yusoku Kumihimo Domyo, foi fundada em 1652 na cidade de Edo (a Tóquio da Era Moderna), e até hoje mantém uma loja na região de Ikenohata, no bairro de Ueno. Durante o período Edo, a casa Domyo comercializava cordões, produzidos principalmente para bainhas e empunhaduras de espadas. A partir do período Meiji (1868-1912), ela começou a vender obijime para se amarrar sobre as faixas de quimonos, bem como haorihimo, um cordão utilizado para amarrar a parte frontal do haori, espécie de jaqueta formal utilizada com quimono e que é aberta na parte da frente. Até hoje todos os produtos da casa são tingidos a mão e trançados por artesãos e artesãs que trabalham exclusivamente para a Domyo. Outro aspecto importante do trabalho da instituição é a pesquisa, a restauração e reprodução do kumihimo histórico, por encomenda tanto do Escritório da Casa do Tesouro Shōsōin da Agência da Casa Imperial, quanto de vários templos, santuários e museus de todo o Japão. Tais atividades produziram uma rica variedade de técnicas e conhecimentos, úteis para fins de pesquisa acadêmica, preservação, disseminação e progresso dessa tecnologia.

Informações importantes

Exposição Kumihimo – A arte do trançado japonês com seda, por Domyo

  • Organização: Yusoku Kumihimo Domyo (Kiichiro Domyo), Mari Hashimoto
  • Período: de 24 de maio a 28 de agosto de 2022
  • Local: Japan House São Paulo – Avenida Paulista, 52 (2º andar) – São Paulo, SP
  • Horários: terça a sexta, das 10h às 18h; sábados, das 9h às 19h; domingos e feriados, das 9h às 18h.
  • Entrada gratuita. Reserva antecipada (opcional): https://agendamento.japanhousesp.com.br/

A exposição conta com recursos de acessibilidade (Libras, Audiodescrição, elementos táteis).

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