Blade dispensa apresentações. O mangá já circula no Brasil há muito tempo; na verdade, deve ter sido o primeiro mangá que pus em mãos na vida, ou esse ou Rurounin Kenshin (Samurai X). O fato permanece o mesmo: mangás de samurai eram bem comuns para crianças dos anos 90 e inícios dos 2000, num sebo ou banca de jornal mais perto de casa.

FINALMENTE UM BOM ANIME DE BLADE?

A coisa mais impactante em Blade é a sua violência nua e crua, metendo a real sobre espadas e aquilo que elas servem de fato: matar. Claro, Blade se permite alguma fantasia em fazer do corpo humano algo tão resistente quanto uma folha de papel. Mas ora, essa é uma liberdade fantástica do mesmo tipo que Tarantino faz em Kill Bill e parte daquilo que o torna um gigante do cinema!

Fora do mundo dos mangás, entretanto, Blade sempre sentiu falta de uma boa adaptação para anime. Até um live-action foi feito e, devo admitir, foi uma produção bastante decente. Parece que os japoneses sabem interpretar dramas históricos muito bem, já o resto… (ainda traumatizado com a atuação do live-action de Ace Attorney)

Isso tudo mudou agora em 2019 com o lançamento de Mugen no Juunin: Immortal. Produzido pelo estúdio LIDENFILMS e dirigido por Hiroshi Hamasaki, apesar de Blade ser bem conhecido e a essa altura não apresentar nenhuma novidade em termos de roteiro, não se deixem enganar. Estamos diante de uma das melhores produções do ano em termos de direção!

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O BÁSICO DA HISTÓRIA

Coloquemos o básico da história para quem nunca ouviu falar de Blade: Rin Asano é a filha de um mestre que foi assassinado por um novo clã, o Itto Ryu. Para buscar vingança, ela recorre à ajuda de um mercenário conhecido por ter matado cem homens. Esse homem, Manji, é um espadachim amaldiçoada com a vida eterna, e deve buscar redenção pelos seus feitos para poder enfim morrer. Por motivos pessoais, Manji aceita o pedido de Rin e os dois se aventuram para eliminarem o Itto Ryu.

Simples como Kill Bill, não? Mas como dito antes, a pérola de Mugen no Juunin está acima de tudo em sua execução. E com isso eu me refiro: ambientação, trilha sonora, sequência de frames que compõe as lutas (para alguns isso pode soar como um defeito, principalmente se compararem com a animação absurdamente fluida de Attack on Titan) e principalmente a atuação dos dubladores em seus diálogos.

Kenjirou Tsuda está fazendo um excelente papel como Manji após atuar como um detetive quarentão casca grossa em Cop Craft, então pra quem viu o anime (pouquíssimos imagino; foi bom, mas não foi grande coisa), a voz deve estar bem fresca na memória. E Ayane Sakura também está dando um show de atuação, dando à Rin uma voz estridente de uma autêntica mulher sedenta e desesperada por vingança. Fugir do moe também faz bem, obrigado!

A abertura foi uma surpresa à parte, já que o autor deste Primeiro Gole é um fã inveterado de visual kei: a abertura, Survive of Vision, é cantada por ninguém menos que Kiyoharu; um dos pioneiros do visual kei como vocalista da banda Kuroyume e que inspirou bandas como a gigante DIR EN GREY e que já colaborou com grandes artistas da cena visual kei como Sugizo (LUNA SEA) e Morrie (DEAD END). Quem for arriscar comparar sua voz nesta abertura com um dos seus clássicos de carreira, “for dear”, vai notar como em mais de 25 anos sua voz não mudou absolutamente nada!

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UM PEQUENO PROBLEMÃO

Ao que tudo indica, Blade também será exibido pela Amazon Prime. E talvez (não tenho certeza) tenha sido por exigência da mesma que o anime tenha feito a horrorosa remoção do símbolo manji que caracteriza o próprio Manji. Enorme pena: um rico símbolo budista apagado por causa de desleituras nazistas no passado e medos atuais de represálias e cancelamentos. Justificarei melhor esse horror na review, mas a repulsa é forte demais pra deixar isso sem menção.

Mas a experiência de assistir Blade não é de toda arruinada por isso (pelo menos não enquanto você não vê Manji de costas). Seu traço é bem feito e fiel ao mangá, sua animação é bela e sua trilha sonora é de deixar em um estado de transe, principalmente nos encerramentos. Algo que eu nunca achei que aconteceria de novo desde que assisti Mushishi, o anime que mais me cativou até hoje.

NÃO PERCAM ESTA JOIA!

Então esse Primeiro Gole não pede, ele quase implora pra que se assista Blade. Talvez ele tenha a chance de se tornar popular no meio do caminho como aconteceu com Dororo. Teremos 24 episódios de Manji e Rin para aproveitarmos, apreciarmos e definir de uma vez por todas se Blade finalmente recebeu uma adaptação que fizesse jus à sua grandeza.

Um chute adianto de minha parte aposta todas as minhas fichas que: sim, habemus ótima adaptação!

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