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Adiantando um pouquinho a temática medieval que faremos no mês de julho, vamos com o filme A Jovem Rainha (The Girl King, no original), já disponível em mídia digital on demand (iTunes, Now, VIVO PLAY e Google PLay) e DVD.

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Do contexto histórico

A Jovem Rainha se passa durante o século XVII, com base numa história real e impactante da rainha da Suécia, Cristina I (ou Cristina da Suécia), protagonizada pela excelente Malin Buska – este que possa ser seu primeiro filme de expressão mundial.

Rainha Cristina em A Jovem Rainha (esq) e num retrato por Sébastien Bourdon

Na trama dirigida pelo finlandês Mika Kaurismäki (O Ciúme Mora ao Lado), temos a pequena Cristina como herdeira do rei protestante Gustavo Adolfo e da sua esposa, a princesa Maria Leonor de Brandemburgo, esta que possui pouco afinco com a filha. Como perdera o pai muito cedo, sucedeu o trono aos 6 anos de idade e por ser a única herdeira e mulher, cresceu em volta de muito preconceito e com pouca voz; até atingir a maioridade e começar a confrontar seus subordinados e principalmente a igreja.

Junto à Cristina, temos outros dois personagens que se desenvolvem em torno da jovem. Primeiro, o que praticamente assumiu o posto de “pai”, o conservador Chanceler Axel Oxenstierna, protagonizado por Michael Nyqvist (da série sueca Os Homens Que Não Amavam As Mulheres) e a Condessa Ebba Sparre (Sarah Gadon), por quem se apaixona fervorosamente – o que acaba prejudicando ainda mais sua imagem diante da população.

Da esquerda: Ebba e Cristina. (Imagem Divulgação)

Ritmo

Diante deste contexto, temos o primeiro ato do filme com a personagem tentando lidar com as situações de forma austera (com pulso firme mesmo), ditando mudanças que mudariam totalmente o curso de seu país, como o fim da Guerra dos 30 Anos e uma aproximação da população com materiais não-sacro, como livros e obras de arte.

Entretanto, quando o longa se aproxima do segundo ato, algumas ações e passagens do tempo começam a ficar um pouco confusas e corridas – o que poderia ser resolvido com uma maior duração, já que ele conta com um pouco mais de 100 minutos e acho que não seria um grande problema para um filme de época, não é mesmo?

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Nada que prejudique o andamento do filme – mesmo que de forma heterogênea – o que chama a atenção é de como Cristina lida com seus serviçais, planos de governo, sentimentos afetivos e o principal: do seu intelecto – já que preferia ler livros de ciência ao invés da Bíblia.

Enquanto temos o povo esperando a gratidão de sua rainha e o clero buscando o conhecimento nos livros religiosos, Cristina começa uma curiosa troca de cartas com uma das maiores mentes de sua época e que influencia diretamente nas suas linhas de raciocínio, René Descartes (Patrick Bauchau), católico e mal visto pelos protestantes de Estocolmo.

Controversa

A jovem rainha era feminista e além de seu tempo, tinha sua própria forma de pensar – e na maioria das vezes era incompreendida – bem como sua orientação sexual ia de frente com o comum e corrente da época. Não deixando o spoiler aqui, mas é fato que a população espera um casamento ou um herdeiro HOMEM para o trono. Com isso, é bem interessante de como ela resolve esta situação.

Destaque para a fotografia do filme (Imagem Divulgação)

Despertando a Cristina

Acredito que muitos não se lembram (como no meu caso) ou mesmo não viram nos livros de escola sobre a curiosa história da rainha Cristina I – e quanto ao rebuliço que causou na Suécia naquela época.

Confesso que após o filme, fui procurar saber mais sobre os fatos que aconteceram naquela época e fico com uma sensação de satisfação pelo filme provocar este tipo de busca ao conhecimento, despertando a minha Cristina.

Com um andamento rápido, o filme preza pelo seu contexto histórico e destaca-se por um elenco seguro dentro de uma ótima fotografia (vide as tomadas na neve).

*Esta cópia do filme foi cedida pela Sofá Digital via iTunes. 

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