Mais um REVIEW de Alita: Anjo de Combate (Alita: Battle Angel), filme lançado nos cinemas em 14 de fevereiro e produzido – e prometido há quase 20 anos – por James Cameron. Funcionou? Já adianto que SIM!

A Longa Espera

Foi em meados de 2003 que conheci Alita (ou Gally) pela editora JBC, com a obra GUNNM: Hyper Future Vision. Tudo era novo pra mim naquela época e não tinha lido nada tão gore e pesado quanto o traço de Yukito Kishiro; foi amor à primeira vista.

Obviamente a expectativa para o live-action vem de longa data – desde que fora prometido por Cameron – e confesso que até mesmo desisti. Achei que com Avatar, o produtor não daria mais “bola” para hiper-futuro e bem, me surpreendi novamente e a expectativa voltou como um tiro!

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Origens

Alita: Anjo de Combate é uma adaptação em live-action do mangá de Yukito Kishiro lançado em 1990, GUNNM: Hyper Future Vision, e que em algumas versões viera com o nome “Battle Angel Alita”.

A premissa é simples do começo ao fim e é calcada na Jornada do Herói clássico, com a evolução de uma ciborgue encontrada num lixão da Cidade da Sucata (Cidade do Ferro no live-action), sem memória e que busca saber sobre seu passado.

Apesar do argumento ser simplório e direto, o que enriquece obra são seus entornos, seus personagens e o que considero a força-motriz da obra: superação! São tantos “perrengues” que a personagem passa que até dá uma forçada de barra para algo meio “superfantasioso” – e que é também exemplificado no longa de Robert Rodriguez – mas em minha visão, nada tão prejudicial.

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Mahershala Ali é Vector (Imagem Divulgação)

“Só o parafuso da sucata”

Alita: Anjo de Combate custou a bagatela de US$ 170 milhões e apesar de muito deste orçamento ter se “perdido” em tanto tempo de pré-produção e desenvolvimento de novas tecnologias, o resultado visual do live-action é o que mais chama atenção – em segundo, as cenas de ação.

James Cameron, já conhecido por ser o “midas de hollywood”, seja com Titanic ou franquia Avatar, também ajudou a alavancar tecnologias 3D e conta com um apreço muito intenso com o “world design” de seus filmes – vide seus filmes de ficção científica.

Junto a ele, temos Robert Rodriguez, conhecido por Sin City, mas que marcou a geração “noventista” com O Mariachi, Um Drink no Inferno e meu preferido do diretor: A Balada do Pistoleiro, protagonizado por Antonio Banderas.

Com isso, esperava-se um nível técnico de primeiro escalão hollywoodiano – o que de fato se provou em tela, com tudo muito conciso e crível, criando um universo imersivo e vívido. A ideia de já apresentar os jogos de Motorball logo de início foi uma boa sacada, o que deu ainda mais cor nesta construção de ambientação. *No mangá, tudo é mais linear e apresentado de forma escalonável. O filme trata o Todo de forma mais homogênea, o que condiz mais com este tipo de mídia. 

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A caracterização está bem fiel aos mangás. No exemplo temos Grewishka (Makaku, no original)

Admirável Mundo Novo de Alita

Com um elenco estelar, quem de fato brilhou por aqui foi com a jovem Rosa Salazar. Depois participações em diversas séries e despontar na franquia Maze Runner e uma breve passagem por filmes como Bird Box, a atriz deu vida a uma das personagens mais carismáticas com o recurso de captura de movimento.

Com um protagonismo convincente e visceral, Alita disputa o posto de ser a mais “humana” entre tantos por ali. Sua característica naive de enxergar o mundo – já que não se lembra de nada – é contagiante, e chega até mesmo ser fofo. É difícil não sorrir com as expressões e descobertas da protagonista.

Outra interpretação que sobressai fica a cargo de Cristoph Waltz, que faz Dr. Dyson Ido – e perfeitamente! Além de sua caracterização ser bem fiel, a relação natural que evolui entre ele e Alita cai harmoniosamente com a premissa do que o filme se propusera a fazer: dar mais ênfase na relação Pai e Filha. Outro detalhe de explodir a cabeça: o “martelo-foguete” foi sensacional! 

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Christoph Waltz é Dr Dyson Ido (Imagem Divulgação)

Os papeis de Mahershala Ali e Jennifer Connely foram breves, e acredito que não tiveram bastante tempo em tela para um bom desenvolvimento, ao contrário de Keean Johnson, que fizera Hugo, o par romântico de Alita. Em muitas situações ele não convence e seus momentos são açucarados demais e contrasta com todo o contexto pesado do universo de Alita, apesar de ser uma peça importante para o desenvolvimento humano da ciborgue.

Outros que valem citar são os ciborgues interpretados por Michelle Rodriguez (Gelda), Ed Skrein (Zapan) e Jackie Earle Haley (Grewishka – ou Makaku, no original), que não decepcionam e que trazem (ou trarão) um papel fundamental na história.

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Ed Skrein como Zapan (Imagem Divulgação)

John Wick e Zalem

Diferente do mangá onde temos pílulas explicativas lineares do universo de Alita, o filme tenta trazer o máximo de informação possível em pouco tempo – e de uma forma que prenda e não confunda o espectador.

De fato, conseguem tal feito de forma funcional e apesar de deixarem brechas para uma possível continuação com um tratamento mais incisivo com Chiren, de Jennifer Connelly e Nova, interpretado por Edward Norton

Assim como em A Vigilante do Amanhã: Ghost In The Shell, o longa se propõe a trabalhar mais com as questões centrais da história, deixando – ou até mesmo banalizando – o teor filosófico de lado; algo justificável para uma película de 2 horas. Imagina somar uma infinidade de personagens num mundo complexo como o de Alita? Espera-se que sua profundidade cresça com uma provável sequência. É com o que estamos contando.

Dentro do contexto de referências – ou às vezes, só eu que tenha enxergado tal fato – foi com relação a cena no bar de mercenários. Desde o início do filme, Alita cria um vínculo com certo cachorro e que acaba sendo morto pelo “vilão da vez” Grewishka. Tal cena de “não mexa com meu cachorro” e dentro de um cenário de matadores de aluguel me remeteu a John Wick – apesar dos propósitos da associação ter uma funcionalidade diferente.

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A Chiren do OVA de 1993. No filme, personagem é interpretada por Jennifer Connelly.

Um vislumbre para os Olhos Grandes

Inicialmente tratado como exagerado – e se não me engano, até diminuíram um pouquinho – o tamanho dos olhos da personagem Alita incomodou muitas pessoas, até chegar o último trailer e todos estarem mais habituados e acostumados com esta “característica” da personagem.

Próximo ao que Tezuka quis causar com seus “olhões” nos mangás, acredito que Cameron e Rodriguez quiseram dar uma ênfase na expressividade da personagem e o que culminou no seu extremo carisma passado. Mas o motivo de fato para seus grandes olhos foi revelado em flashback no filme: ela é de Marte e todos de lá possuem os olhões!

Já aqui do nosso lado, o vislumbre visual é encantador. O live-action traz cenas de motorball de tirar o fôlego em transições de perseguição x batalha, o que dá um belíssimo espetáculo para o próximo filme – caso queiram mostrar mais sobre o primeiro escalão do esporte.

As cenas de luta são muito bem coreografadas e o principal: sem borrão. É possível ver cada quadro de porradaria com extrema nitidez. Recomenda-se, como um dos poucos filmes blockbusters que realmente vale à pena, a se ver em uma tela IMAX 3D. Você não se arrependerá.

Direto como o Soco de Direita Pirueta da Alita

Foi recompensador ver cenas do mangá e do OVA de 1993 nas telonas. Próximo ao que se viu com Watchmen, por exemplo, diversas cenas foram transportadas das páginas para o longa-metragem, vide o “soco pirueta” no olho de Grewishka, a morte de Hugo, o visual de Zalem – e de como o pessoal da Sucata encara a cidade voadora – entre tantas outras cenas.

Mudanças foram necessárias e compreensíveis. Outras, ainda não deram para entender sua real importância, como a personagem Chiren, que falta – e muito – seu desenvolvimento de família com Ido, além de saber que o Cameron adora estes artifícios clichês e diálogos prontos em seus filmes. Espero não decepcionar com este núcleo no futuro.

Alita é uma personagem feminina forte, carismática e que chuta bunda de todo mundo. De fato, é isto que importa por aqui. Esta é sua maior força, a de seguir sempre em frente. Alita: Anjo de Combate com certeza figura entre as melhores adaptações hollywoodianas de um mangá em um ótimo entretenimento cinematográfico.

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REVIEW
Baraldi
Bellan
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BELLAN
O #BELLAN é um nerd assíduo e extremamente sistemático com o que assiste ou lê; ele vai querer terminar mesmo sendo a pior coisa do mundo. Bizarrices, experimentalismo e obras soturnas, é com ele mesmo.