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El Capitxn e a turnê “Who Kill El”: a morte simbólica que deu origem a um novo artista 

"Who Kill El" não é sobre assassinato — é sobre o fim de uma era e o começo de uma nova identidade

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O nome da turnê soa provocativo de propósito. Who Kill El não faz referência a nenhum crime, mas à morte simbólica de uma versão de El Capitxn que o mundo conhecia até aqui: a do produtor por trás de bilhões de streams, sempre nos bastidores, contando a história de outros artistas.

Em coletiva de imprensa realizada online, o artista explicou com clareza a transformação que está vivendo e por que foi o público brasileiro que lhe deu coragem para isso.

“Produtor e artista não conseguem coexistir no mesmo espaço”

Por anos, El Capitxn construiu uma carreira sólida como produtor. O problema, segundo ele mesmo, é que esse papel tinha um custo: sua própria voz ficava de fora. “Eu contava a história de outros artistas. Agora quero contar a minha”, disse durante a entrevista.

Essa percepção gerou o conceito central de toda a turnê. Para ele, a versão produtor e a versão artista não conseguem ocupar o mesmo espaço, então foi preciso “matar” uma para que a outra pudesse existir plenamente. O resultado é um show pensado como experiência de storytelling, onde o público sai sentindo que conhece um pouco mais quem está no palco.

who killed el capitxn
Imagem Divulgação

O Brasil no centro da transformação

Não é por acaso que El Capitxn escolhe falar do Brasil como cenário dessa virada. Ele foi direto: o país foi o lugar que lhe deu a certeza e a coragem necessárias para voltar aos palcos como artista, eliminando as inseguranças que carregava.

Na primeira vez que esteve por aqui, veio apenas como produtor, sem músicas próprias, sem o peso de se apresentar como nome solo. Agora retorna com Breaking Through, single em parceria com Taehyun do TXT, que ele define como um novo ponto de partida. A energia do público brasileiro é citada por ele como sua maior fonte de inspiração no país, e ele deixou escapar um interesse genuíno pelo funk brasileiro: com a ressalva de que só quer explorá-lo quando puder fazer isso preservando sua própria identidade artística.

“Breaking Through”: o manual do novo capítulo

A faixa com Taehyun (TXT) não é apenas um single de lançamento estratégico. Para El Capitxn, a música funciona como um guia, um registro da sua vontade de vencer as dificuldades deste novo momento.

Seu processo criativo começa sempre pelo sentimento que quer expressar, e esse sentimento é que determina se a música vai nascer primeiro pela melodia, pela letra ou pelo instrumental. Ele evita seguir tendências de mercado, que considera passageiras, e vai ainda mais longe: quando está imerso em um projeto, evita ouvir outras músicas para proteger o foco e os ouvidos, que descreve como extremamente sensíveis.

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Imagem Divulgação

K-pop, pop ocidental e o lugar da IA na música

Questionado sobre as diferenças entre os dois universos em que transita, El Capitxn foi preciso: o K-pop é, para ele, um sistema perfeito e altamente estruturado, orientado à perfeição técnica. O pop ocidental, por outro lado, é mais “humano” e menos preso a sistemas, com mais espaço para liberdade criativa.

Sobre inteligência artificial, sua posição é clara: a IA nunca substituirá a criatividade humana porque lhe faltam sentimentos e vivências reais. Ela executa ordens; humanos colocam suas histórias de vida na música. É exatamente essa diferença que El Capitxn diz querer explorar na Venders, sua produtora e coletivo, que tem como objetivo não apenas produzir sucessos, mas criar novas possibilidades e conectar artistas globalmente.

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Imagem Divulgação

E a nossa pergunta foi: como ele mantém sua autenticidade como produtor trabalhando tanto com artistas no topo das paradas quanto em projetos independentes, diante da pressão das tendências de mercado?

A resposta foi reveladora. Ele se define como o produtor que menos se esforça para seguir trends e isso é intencional. A lógica dele é simples: tendências começam e terminam rápido. O que está em alta hoje passa antes que o projeto chegue ao público. Por isso, embora reconheça que é possível e até interessante combinar a sua história com elementos que estão fazendo sucesso, ele não é obcecado por isso.

O foco dele está em outro lugar: colocar uma mensagem, uma história, um recorte real do momento que está vivendo. É essa âncora pessoal que garante que o trabalho tenha vida própria, independente do ciclo das trends.

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Imagem Divulgação

A perda da voz e o processo de confiar

Um dos momentos mais reveladores da coletiva foi quando El Capitxn falou sobre ter perdido a voz. O episódio o fez acreditar que nunca mais poderia ser artista e superar esse trauma é o que ele define como seu eterno processo de “confiar no processo”.

É essa história de superação que dá substância ao conceito da turnê. Who Kill El e o que sobrevive quando você tem coragem de deixar uma versão de si mesmo para trás.

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Pôster Divulgação

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O #BELLAN é um nerd assíduo e extremamente sistemático com o que assiste ou lê; ele vai querer terminar mesmo sendo a pior coisa do mundo. Bizarrices, experimentalismo e obras soturnas, é com ele mesmo.

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