Tem shows que você espera por anos. O In Flames no Bangers Open Air era um desses. Ver ao vivo uma banda que ajudou a moldar o metal melódico das últimas três décadas é uma experiência que vai além da música — é história acontecendo na sua frente.
Quarta Vez no Brasil, Primeira Vez Sem Desculpas
Esta foi a quarta visita da banda ao país, após passagens em 2009, 2017 e 2023. E chegou dentro de uma mini-turnê brasileira que incluiu um side show na Audio (SP) no dia 23 e uma data em Curitiba no dia 26. No Bangers, foram 75 minutos que muita gente considerou o melhor show do dia — com status de headliner, mesmo não sendo o cabeça de cartaz.
Anders Fridén conduziu tudo com carisma e segurança. Voz potente, bom humor, e aquela capacidade rara de tratar o público como parceiro. Os coros de “Olê, olê, olê… In Flames!” foram constantes e genuínos.
Os Momentos Que Ficam
Três músicas dominaram a noite. “Only for the Weak” abriu uma ferida boa em quem cresceu ouvindo Clayman, daquelas faixas que não precisam de contexto pra funcionar. “Meet Your Maker” mostrou o In Flames moderno no seu melhor: pesado, melódico, eficiente. E “Pinball Map” foi o presente para os fãs de longa data, uma das escolhas mais celebradas da noite e que foi colocada como abertura!
A dupla de guitarras com Björn Gelotte e Chris Broderick (sem comentários, né) entregou harmonias marcantes durante todo o show. Broderick é cirúrgico nos solos, embora em alguns momentos parecesse subaproveitado dentro do arranjo. A cozinha com Liam Wilson no baixo e Jon Rice na bateria foi precisa e cadenciada, sem exibicionismo, só serviço.
O Que Divide Opiniões
Para os puristas da fase Gothenburg — The Jester Race, Whoracle, Colony — o show vai frustrar. A banda ignorou quase completamente esse período, focando no material pós-Come Clarity e especialmente no Foregone. Quem esperava ouvir “Gyroscope” ou “Embody the Invisible” voltou para casa em branco. Por sinal, queria ter ouvido Dead End.
Com a ausência do tecladista Niels Nielsen na turnê, os elementos de teclado vieram de bases pré-gravadas, o que funcionou tecnicamente mas tirou um pouco da espontaneidade.
Veredicto
O In Flames de 2026 não é o In Flames de 1999 e claramente não quer ser. O que eles são hoje é uma banda de metal melódico de altíssimo nível, com uma sonoridade consolidada e um domínio de palco que poucos têm. Ver isso ao vivo, depois de tanto tempo esperando, é exatamente tão bom quanto parece.
O debate sobre raízes perde força quando a banda está tocando na sua frente. Naquele momento, só importa o show. E o show foi muito bom.
Fotos: @brunobellan
In Flames no Bangers Open Air 2026:
- Pinball Map
- The Great Deceiver
- Deliver Us
(In the Dark) - The Quiet Place
- Voices
- Cloud Connected
- Trigger
- Only for the Weak
- Meet Your Maker
- State of Slow Decay
- Alias
- The Mirror’s Truth
- I Am Above
- Take This Life




