Procurando algo com conteúdos sensíveis para ler? Garota à Beira-Mar é a história de jovens que encontram nas margens da sociedade um novo sentido para viver. Uma publicação da Editora JBC, o autor da obra é Inio Asano, o mesmo de Boa Noite Punpun.
Com pouco mais de 400 páginas, o mangá me impressionou quase na mesma medida que decepcionou.
Adolescentes sem rumo
Bom, o enredo gira em torno de Koume, uma estudante do fundamental, e Isobe, o seu quase namorado. Ambos são jovens que estão à deriva, sem grandes motivações na vida, nem ambições e muito menos responsabilidades.
Mergulhados nas próprias desolações, eles procuram no outro um escape da vida, descontando em sexo e autosabotagens a falta de interesse na vida.

Assim, enquanto Isobe nutre sentimentos por Koume, a garota deixa claro que está apenas usando o garoto, que aceita essa condição. Nesse contexto, acompanhamos mais ou menos um ano da vida desses adolescentes que não sabem o que fazer.
Prometeu muito, entregou pouco
Quando eu li a descrição de Garota à Beira-Mar estava esperando ler quase uma versão japonesa da série Skins, ícone dos jovens sem futuro dos anos 2000. Porém, o que eu encontrei foi uma história frágil com muitas red flags.
Primeiro, a protagonista. Que coisa sem sal nem tempero. Acredito que a intenção era sim fazer ela chata e completamente tóxica, mas por quê? Quais as motivações ou os dramas dela? Pois é, eu também não sei.
Entendo o Isobe, acho que a condição dele é totalmente compreensível, mas a Koume? Não li nada que me fizesse ter o mínimo de empatia ou entendimento do porque ela ser tão insossa e problemática.
Também, todos os aspectos mais chocantes e éticos da obra não merecem a devida atenção. O uso de drogas, abusos, sexualização precoce, abandono escolar, violência, todos são temas que aparecem com a profundidade de um pires. Tem uma questão óbvia sobre depressão e atentado a própria vida que mostra o impacto e as consequências disso. Mas é a única coisa que eu consegui absorver.

Descreveria a história como meia bomba, pois quando você acha que vai engatar, toma um banho de água fria. Por exemplo, Koume foi abusada mais de uma vez, isso é mostrado, mas qual a dimensão disso? Não sabemos.
Problemático
De qualquer forma, o que mais me incomodou foi a quantidade de cenas de sexo. Garotas à Beira-Mar é para maior de 18 anos, então obviamente o público-alvo não tem a mesma faixa etária dos personagens da história.
Mesmo assim, de cada dez páginas, três devem ter uma cena explícita, nudez e momentos muito gráficos. Sim, a intenção é mostrar como esses jovens estão perdidos, negligenciados e feridos. Que eles encontram nos lugares errados um jeito de lidar com seus sofrimentos. No entanto, discordo da maneira que o autor desenvolveu isso.
Principalmente por se tratar de adolescentes, algumas coisas não precisavam ser tão abertas assim. É possível sim mostrar a mesma coisa, passar a mesma intenção sem o destaque que teve.

Na minha opinião, pareceu uma forma de o autor escrever um conteúdo adulto com a fachada de ser uma denúncia sobre problemas sociais. Podia ser muito melhor, muito mais profundo e muito menos problemático.
Vale a pena?
Olha, eu queria muito ter gostado desse mangá. Tem personagens que me afeiçoei, tem temas que me fizeram sim refletir, mas pra apreciar isso eu tenho que ignorar muitas outras coisas. Inclusive, profundidade narrativa.
Sei que o autor é famoso por abordar assuntos delicados e tem obras consagradas, porém, nesse caso, senti que ele atirou para muitos lados, ao invés de focar em um ponto e fazer ele bem-feito.
Não acredito Garota à Beira-Mar seja um bom exemplo de narrativa crítica sobre jovens vivendo nas margens da sociedade. Não me arrependi de ler, mas dificilmente é um mangá que eu leria de novo.





