Existe um ditado antigo que vale até hoje: Em time que se ganha, não se mexe; essa é a fórmula de Zumbilândia: Atire Duas Vezes, no primeiro filme temos aquele filme que é ruim mas te conquista por causa do elenco e do humor no início ao fim, fazendo dele um ótimo filme.

Logicamente que a sequência não seria diferente, mesmo passando dos limites em alguns pontos e até problemas na trama intragáveis, a sequência de Zumbilândia acerta naquilo que já foi apresentado uma vez, porém te diverte do início do filme até a cena pós crédito.

Depois do apocalipse zumbi…

Antes de mais nada entenda que essa história já foi contada, o pós-apocalíptico zumbi e a tentativa de sobreviver, todos estamos saturados de história de zumbi, The Walking Dead têm uma parcela da culpa, contudo Zumbilândia trouxe o que restou de tirar alguma coisa nova do gênero zumbi, uma comédia escrachada.

O primeiro filme foi um sucesso e lógico que o segundo filme levaria o hype para as alturas, pois bem, as expectativas foram supridas e Zumbilândia: Atire Duas Vezes se mantém no nível daquela comédia que divide entre piadas sádicas, momentos extrapolados e todos os artifícios do alívio cômico, com poucos momentos que se leva a sério e te prende em um desenvolvimento bem feito da trama, lógico que o roteiro ali é quase que inexistente, mas ninguém se preocupa com roteiro nessa produção, pois as partes mais engraçadas estão nas atrapalhadas do grupo.

zumbilandia atire duas vezes

Personalidade cativante de Tallahassee

Por mais que Columbus (Jessie Eisenberg) e Wichita (Emma Stone) sejam o casal e protagonistas da história, mais uma vez Tallahassee (Woody Harelsson) rouba a cena com seu emocional estourado e essência do tradicional norte americano, e mesmo se ele passasse desapercebido, a trama toma um rumo o qual o foco é totalmente virado para o drama dele ser o lobo solitário, o caçador, a qual faz parceria com Nevada (Rosario Dawnson), literalmente o mesmo tipo de personalidade, unidas por um só sentimento, amor ao rei Elvis Presley.

Ainda que não se pode pensar em roteiro em um filme escrachado como Zumbilândia, não se esconde o defeito de coisinhas pequenas porém tão descaradas que atrapalham o decorrer da história, começando com uma das piadas mais ultrapassadas e desgastadas da história da comédia, a loira burra, Zoey Deutch foi um alívio cômico forçado e até desagradável de ser ver em alguns momentos, mas não foi um grande problema, aliás foi uma jogada certeira, pois em certos momentos se tornou importante na trama, nas cenas de ação o grupo principal caiu para a barbárie contra os zumbis para se protegerem, com isso toda a carga cômica foi jogada para ela, e por ser algo simples e já conhecido da comédia, conseguiu suprir essa responsabilidade de forma espetacular e roubou a cena em boa parte do filme.

Little Rock (Abigail Breslin) não existiu nesse filme, por mais que trabalharam um conflito interno na personagem e trouxe uma reviravolta que acorda ela para a realidade, a mesma se mostrou apagada nas poucas cenas presentes e foi jogada para escanteio, mas nada foi mais esquecido e aleatório que a dupla que espelhavam Columbus e Tallahassee, os derivados interpretados por Luke Wilson e Thomas Middleditch fizeram um jogo de cena para trazer aquela comparação entre dois personagens iguais a qual parecia que iria agradar, mas no fim se mostrou algo mais do que jogado em tela, onde não ligou nada e nem fez ponte a algo importante, a não ser uma informação sobre uma nova espécie de zumbi, mas se gastou tempo milagroso para trazer apenas uma informação, e nem a piada foi tão boa assim, por mais que Zumbilândia tem essa fama de momentos que aparentam ser grandiosos mas resultam em nada, muitas vezes existe alguma explicação para tal momento, aqui se mostrou gratuito demais.

zumbilandia atire duas vezes

Uma sequência muito divertida!

Zumbilândia é um filme excelente que não possui roteiro, sua sequência viria trazer a mesma linha, divertir no mesmo nível e incomodar nas mesmas falhas.

Zumbilândia: Atire Duas Vezes respeita o fã do primeiro filme e/ou do gênero escrachado, conquista pelo humor em todos os momentos e personagens cativantes, tropeça no absurdo e na falha de roteiro, mas te entrega exatamente aquilo que era esperado, ondas de zumbis, tiro pra tudo que é lado e redenção em um final chocho, porém honesto, com toda a diversão desse segundo filme, esperar um terceiro não é um absurdo.

REVIEW
Zumbilândia: Atire Duas Vezes
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Baraldi
Editor, escritor, gamer e cinéfilo, aquele que troca sombra e água fresca por Netflix e x-burger. De boísta total sobre filmes e quadrinhos, pois nerd que é nerd, não recusa filme ruim. Vida longa e próspera e que a força esteja com vocês.