A música têm invadindo as telas do cinema cada vez mais e mais, dessa vez saindo das cinebiografias e entregando uma obra mais simples para bom fã de Beatles e para os amantes de histórias românticas, Yesterday é aquele filme esquecível que conquista o público geral por sua bela trama, carregada por antagonistas marcantes e sutilmente colocada como um possível cult para o mundo moderno e toneladas de fanservice para os fãs de plantão.

Romance entre Jack e Ellie

O ponto que te conquista é o romance de Jack (Himesh Patel) e Ellie (Lily James), um desenvolvimento comum na vida real, tão comum que você que está lendo já deve ter vivido um parecido, aquele amor que sempre esteve do seu lado e você não percebeu, o arrependimento bate e você corre atrás para corrigir o seu erro, sendo que ela já está com outro que dá o devido valor a ela.

Essa é a reflexão de muitos, correr atrás de um amor não correspondido porque você é cego, ou descobrir o que é o amor de verdade e deixar ela livre com quem realmente dê valor, o padrão de filme romântico é aquela coisa: o errado corre atrás de quem ele perdeu e apela para reconquistar a pessoa graças ao emocional fraco que ela se encontra, logo ela volta para você porque ainda te amava, com isso você vive feliz para sempre com ela e o novo namorado que dava o devido valor se lasca, mas enfiam qualquer personagem aleatório do nada para te fazer dizer: “que fofo, ele também encontrou uma pessoa”, romance hollywoodiano barato para corações sensíveis é fórmula mais básica para um “bom filme”.

Essa lição de moral da trama joga Yesterday para o padrão cult de qualidade, não entenda como algo ruim, alguém que não têm a maturidade ou conhecimento com conflitos amorosos pode colocar essa simplicidade em algo muito mais profundo, transformando em uma lição moral para muitos, a minoria verá mais um filme “alternativo”, vêm de emocional de cada um, a verdade é que Yesterday mexe com os sentimentos das pessoas e os sensíveis colocará como uma grande obra.

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Alívio Cômico

Simples e bobinho, o rótulo cult é o escudo protetor que esconde a trama fraca e sem graça que desenvolve do início ao fim, o alívio cômico é um elemento que equilibra sua experiência, te mantêm preso ao te fazer rir ou te perde por ser tão sem sal que te faz torcer o nariz, Yesterday é balanceado entre legal e chato, os quais qualquer argumento desses dois lados estarão corretos.

A alavanca da trama principal é ativado por um acidente que foi retirado de filmes sci-fi, um blackout que joga nosso protagonista em uma realidade paralela, onde metade das coisas nunca existiram, a princípio você já cita que a culpa é do Thanos, mas não foi como um estalar de dedos, e sim que nunca foram criadas, um exemplo, nesse mundo paralelo só existe Pepsi, Coca-Cola nunca existiu, assim segue com muitas outras coisas, pode parecer estranho, mas funciona para uma descrença mais elevada, até aí existem outros furos que se mostram mais esquisitos do que o primeiro passo da trama, fazendo desse acontecimento algo aceitável enquanto você coça a cabeça.

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Elenco Chamativo

Um elenco pouco chamativo, impressionante o tanto de personagens fracos que compõem uma trama rasa, incluindo os protagonistas que só funcionam juntos, ao separar as histórias, os dois somem da trama por completo, e quando isso acontece, aparece algum personagem que você simpatiza, nesse caso um que rouba a cena até quando ela não está em tela, a agente Deborah (Kate MacKinnon) é caracterizada como aquela empresária filha da mãe e arrogante onde o que importa é o seu “grande e talentoso artista” fazer sucesso.

Entenda como lucrar milhões em prol do “talento” do protagonista, só que o jogo de diálogos, frases feitas, toda aquela mentira dita por empresários do mundo musical é elevado a décima potência, trazendo uma personalidade cretina e gananciosa que te faz idolatrar McKinnon nesse filme, conhecida pelo Saturday Night Life, a comediante é sádica no papel e carrega nas costas os protagonistas, ou até mesmo o filme, pode ser uma visão conturbada por um elenco bem fraco, mas que só engrandece-a na carreira e se torna a melhor coisa de Yesterday.

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Simplicidade te conquista!

Falhas a parte, a simplicidade é a arma que te conquista, vira e mexe tem pontos que te questiona a qualidade do filme, mas a base da trama no romance faz com que ele saia de um fanservice para fãs dos Beatles e se torne uma história romântica e uma lição para os doentes de amor, isso prova que não é necessário procurar remédio na vida noturna.

Yesterday é o filme que te joga no debate do que importa para você ou para seu parceiro/parceira, e provoca a reflexão do que deu errado nas suas vidas amorosas, esquecendo por completo tudo o que roda a trama – inclusive com participação do Ed Sheeran.

REVIEW
Yesterday
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Baraldi
Editor, escritor, gamer e cinéfilo, aquele que troca sombra e água fresca por Netflix e x-burger. De boísta total sobre filmes e quadrinhos, pois nerd que é nerd, não recusa filme ruim. Vida longa e próspera e que a força esteja com vocês.