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Acredito que assim como eu, uma boa parte da galera não sentiu muita atração com a sinopse de Tokyo Ghoul ou até mesmo com o primeiro episódio (muito bem construído, por sinal).

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Claro, isso vale para quem não teve contato com o mangá. Mas de fato, a surpresa foi muito boa!

Basicamente, o plot principal é a luta entre duas raças, dos Humanos e Ghouls. Com isso, tem a clássica jornada do herói.

O protagonista, sozinho no mundo – sem família – é jogado à força na trilha da aventura. Muitas vezes, o protagonista Kaneki lembra Shinji Ikari (Evangelion). Principalmente em uns momentos de bebezão chorão 😛 

Tokyo Ghoul (Imagem Divulgação)
Kaneki e Rize, em Tokyo Ghoul (Imagem Divulgação)

Bem vindo à Anteiku… 

Muito da história, se passa por aqui: Anteiku. Uma pequena cafeteria do 20º distrito. Poderia ser um local mundano… poderia. Assim como já dito na sinopse, o protagonista Kaneki adora tomar um café por aqui. Papear com o amigo, ler um livro depois da escola. Era tudo tão comum, até ele conhecer Rize, uma garota apaixonada por leitura, tanto quanto ele! 

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Tokyo Ghoul se passa em Tóquio (dãã) e em específico em um distrito (algo como bairro), o vigésimo. A sociedade humana convive com os chamados Ghouls, algo que podemos também chamar de Carniçais. O problema da vivência em comunhão entre essas duas raças é apenas uma: Ghouls se alimentam de carne HUMANA.

Eles não sentem prazer ou gosto por nenhum tipo de alimento, à não ser café. Mas né, quem aguentaria viver tomando café a vida toda? Esse é um dos motivos de fachada da cafeteria Anteiku. Ao contrário  da maioria, os ghouls que vivem no 20º distrito – e sob uma espécie de jurisdição do líder da cafeteria, Yoshimura – eles tentam viver em um clima de “paz” com os humanos. Eles apenas se alimentam de suicidas!

Cafeteria Anteiku, em Tokyo Ghoul (Imagem Divulgação)
Cafeteria Anteiku, em Tokyo Ghoul (Imagem Divulgação)

Dualidade

Kaneki é um universitário, sem pai (nem chegou à conhece-lo) e que perdeu a mãe ainda quando criança. Tentou se virar sozinho e pegou o vício da leitura. Em uma dessas estadias na cafeteria, foi que conheceu Rize, uma ghoul!

Fato é que os dois se atraem, mas né, cada um com seus motivos. Os dois vão se conhecendo mais, até que em um destes encontros a ghoul tenta comer o pobre Kaneki. Por infelicidade – ou felicidade – as pilastras do local onde estavam acaba cedendo e BUM, cai em cima dos dois.

O médico acaba que salvando a vida de Kaneki com ajuda dos órgãos da ghoul Rize. Mas é aí onde mora o problema, ele acaba virando um meio-humano, meio ghoul!

Humanos vs Ghouls

Perdido no mundo, Kaneki parece não ter mais chão para viver. Ele não quer virar um assassino e se alimentar de humanos. É nessa que ele acaba morando e trabalhando na tal cafeteria Anteiku.

Como já dito, os ghouls são criaturas vis e são incessantemente caçada por organizações especiais, no caso a CCG. Cada distrito de Tóquio é minuciosamente inspecionado e a quantidade destes inspetores é conforme a demanda. Quanto maior o número de assassinatos, maior será força tarefa!

Ao contrário de todos os outros distritos, o líder da cafeteria Yoshimura, tem punho firme para controlar os ghouls do 20º distrito. E é aqui que de fato a trama começa a tornar forma. O interessante da série é de que mostra os dois lados da moeda: Há os ghouls que não querem o mal da sociedade humana. Em contrapartida, há os humanos que caçam os ghouls à bel-prazer.

Tá para nascer uma entidade ou força política que una estas duas sociedades? E se ele for de AMBAS as raças? É mais ou menos esta a esperança que você telespectador vê em Kaneki. Ele pode de fato unir as duas raças? Ele teria poder para isso?

Tokyo Ghoul (Imagem Divulgação)
Tokyo Ghoul (Imagem Divulgação)

Aproveitando muito bem (ou quase) o +17

Não tenho conhecimento sobre a versão blu-ray de Tokyo Ghoul, porém, quem assistiu sabe da censura da série. Não dá pra falar se isto estraga, mas posso te dar a certeza de que atrapalha. Se você puder esperar para ver a versão blu-ray, e no caso, for sem censura, espere por ela!

Outro fator interessante, e claro, devido à ótima direção de Shuhei Morita (concorreu ao Oscar por Possessions/Short Peace) é que a animação não entrega nada mastigado. É de suma importância o telespectador estar atento, ou o roteiro vai embaralhar na sua cabeça. *fica a dica*

Ritmo Thriller

As coisas em Tokyo Ghoul acontecem de forma muito rápida! Das viagens psicológicas de Kaneki às lutas energéticas, a quantidade de informação passada é transbordante. Creio que não há um respiro se quer nesta temporada, o que causa um furor gigantesco para ver o próximo episódio.

Muitas vezes para o telespectador, o mundo pode passar a impressão de “mal-construído” ou “mal-explorado”. Talvez a premissa da série, não seja dar esta abrangência. O foco é a cafeteria Anteiku. O núcleo principal é o de Kaneki. A construção do “meta-mundo” vai de cada um imaginar e refletir o que quiser. Sabe ‘Walking Dead’? Provavelmente nunca saberemos a verdade por trás de tudo, mas vamos acompanhar o desenrolar definitivo de Rick/Kaneki

A Máscara

Os ghouls tem a mesma aparência dos humanos, à não ser quando se transformam, onde ganham poderes (Kagune) e ficam com o globo ocular avermelhado. Quando são reconhecidos pela população – em especial pelos agentes da CCG – passam a utilizar máscaras de disfarce.

Um dos personagens mais bacanas da série, Uta. (Imagem Divulgação)

Tokyo Ghoul tem uma gama bem interessante de personagens. O mais interessante é de que há o “bem” ou “mal”. Há o lado que cada um personagem defende. O protagonista Kaneki é muitas vezes aquele “chorão” que tenta fazer o bem para todos, ficando em cima do muro. Seu contraponto, é Touka Kirishima, ghoul e parceira da cafeteria Anteiku. De personalidade forte, é a parceira de missões e que no fundo,  nutre uma afeição sentimental por Kaneki.

Os destaques vão para Rize, a bela ghoul “implantada” no corpo de Kaneki e que funciona como “segunda personalidade” de Kaneki e para Uta, que confecciona máscaras, com estilo e personalidade bem marcante!

Não dá para deixar de citar – e reparar – no ghoul gourmet Shuu. O cara é uma mistura de ‘Dorian Gray’ com o estilo ‘Romero Britto’ de ser, principalmente na combinação de roupas. Claro, não dá pra não esquecer a referência com Hannibal!

Pierrot e Produção

Este é mais um belo trabalho do estúdio Pierrot (YuYu Hakusho, Naruto) e o destaque é para animação do início e fim de temporada de Tokyo Ghoul. As lutas são extremamente bem feitas – tirando a censura 🙁 – e a trilha sonora dá aquela base gore-thriller que a série merece.

O ponto alto da série são os episódios 11 e 12. Não dá pra assistir de forma separada, ou pelo menos, não recomendaria. O trabalho com que a produção dá para cada Kagune (o poder dos ghouls) é minuciosa e faz com que cada um tenha seu próprio estilo de luta – e nem sempre todos sabem lutar – e estética.

O Que Mais Posso Esperar? 

Algo próximo do Attack on Titan, onde humanos “tentam” viver com titãs. Algo próximo – talvez – de Terra Formars ou mesmo, próximo de True Blood. Seriam os ghouls uma forma de vida mais desenvolvida? Os humanos não estão mais no topo da cadeia alimentar? São pontos bem interessantes da série e vale ressaltar que trabalham bem em mostrar o egocentrismo humano e de querer estar no topo de tudo, sempre. *O personagem AMON, um exemplo clássico do macho alpha, por exemplo*

Drama psicológico, gore, sangue – se fosse nos anos 80, teria tripas voando também :p – sexo, tortura, são algumas situações que a série vai lhe escancarar. Sem contar que há momentos de pura tensão e de emoções fortíssimas, já aviso que pode cair um suor dos olhos aí :p

O hype do ano e talvez a melhor animação dos últimos meses, vale à pena assistir. Não crie expectativas, alimente-as conforme for vendo. Não tente adivinhar o que vai acontecer no fim de Tokyo Ghoul…

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