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Os 7 de Chicago foram um grupo de ativistas acusados de organizar conflitos em meio aos protestos contra a guerra do Vietnã. Contudo, originalmente o nome era “Chicago Eight”, com Bobby Seale, porém sua acusação foi retirada no meio do processo, originando assim o nome que intitulou a aula que foi esse filme da Netflix.

Os 7 de Chicago sai de um filme e se torna um documentário dramático entre ativistas acusados por inúmeros acontecimentos contra um tribunal um tanto parcial sobre o assunto, ao qual se esconde no manto da “justiça” e justifica seus ato como “legais”, fazendo desse processo um acervo histórico que ensina o quanto o sistema judicial pode ser falho e o porque a voz do povo deve ser sempre acima de qualquer órgão jurídico.

Antes de mais nada deve-se destacar que esse filme se coloca em um subgênero que afasta muitas pessoas: os filmes de tribunal têm em sua essência o diálogo. Praticamente noventa e nove por cento do filme é amarrado em conversas longas, mesmo assim todo mundo lembra daquela cena onde o personagem dá uma porrada na mesa, ou o tribunal está na gritaria, e no momento do plot todo o diálogo “faz sentido”. A verdade é que muitos não gostam de filmes assim porque não têm ação, pouco movimentado e para muitos rotulado injustamente de chatos, simplesmente porque não têm paciência, uma pena, pois está perdendo um dos melhores subgêneros do cinema.

Infelizmente esse filme sofre com a trama de filme de tribunal em alguns momentos, o excesso de diálogos é necessário e acontece o cansaço de assisti-lo. Graças ao grande trabalho de direção e edição, o filme consegue te prender pelo jogo de cenas e diálogos que amarram todo processo que viveram os ativistas acusados, brincando com o jogo de palavras que retorcia a verdade, enquanto uma coisa era dita em tribunal, o acontecimento era outra coisa fora de contexto.

Enfeitado por metáforas que explodem sua cabeça do quão parelho a realidade é o exemplo de um sistema judicial questionável (para não falar coisa pior), normalmente relacionado a guerra ou até a burguesia, os sete ativistas representavam vários tipos de ideologias que circundavam o momento de guerra dos anos 60, raramente passava por alguma mudança drástica, mesmo que todos do mesmo lado buscavam o mesmo objetivo, todos pensavam de forma diferentes, alguns defendiam o confronto com a polícia, outro acreditava na base do diálogos e outros só tomavam posse de parques públicos. Parece até muita coisa, mas na mão do diretor e roteirista Aaron Sorkin, responsável pelo filme A Rede Social e a cinebiografia Steve Jobs, essa grande produção teve seu equilíbrio entre drama e humor de forma impecável.

Para os amantes de filmes assim, não é só um prato cheio como te envolve em um drama de encher o coração de ódio e destruição, a cada esperança que se mostrava no julgamento era ceifada da forma mais injusta possível, todas elas argumentadas pelo juiz Julius Hoff (Frank Langella), que na época, após todo o julgamento polêmico foi afastado por ser incapaz de exercer tal posto. Porém a a atuação de Langella se sobrepôs a trama pelo momento que foi o julgamento dos sete de Chicago, todo o discurso dos advogados, os ativistas ali como possíveis culpados, os dois hippies como um breve alívio cômico estavam compondo todo o sistema judiciário que era encoberto pelo grande papel que exerceu Langella. Impossível não amá-lo depois de odiar o personagem por quase duas horas, afinal não estamos falando de ficção, essa parcialidade vindo de alguém que não devia escolher um lado no momento do tribunal chega a ser revoltante, elevando a carga dramática da trama.

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Faça uma exceção a filmes de tribunal, sabemos que é só diálogo, mas não gostar de filmes assim porque acha muito parado, é só mera desculpa para não querer assistir esta obra maravilhosa, Os 7 de Chicago é a carga dramática de um momento histórico e vivido pelos Estados Unidos, o ativismo solidário às vítimas de uma guerra que só derramou sangue do povo estadunidense e vietnamitas e toda repressão policial contra movimentos de minorias que foram colocados como vandalismo e vagabundagem, tudo isso mostrado no que pode ter sido um dos maiores tribunais na década de 60 e que moldou muitas mentes jovens da época.

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