Trazer questões sobre racismo em filmes traz um peso gigantesco para a sociedade, uma discussão que deve ser sempre trazida à tona pelo fato de que existem pessoas que acreditam ser frescura, e O Ódio que Você Semeia mostra isso de todas as formas, se passando por um filme simples, em alguns momentos divertidos, mas reflexivo e forte ao ponto de te agonizar com a mensagem passada, e ainda ser um filme lindo de se ver.
Trama romântica adolescente?
A história já traz detalhes sobre questões raciais na primeira cena do filme, aparentando ser uma trama romântica adolescente, a história muda no primeiro ato de racismo, a partir desse momento, cada alívio será aproveitado ao máximo, pois não é uma trama simples e muito menos alegre, as questões raciais são destaque do início ao fim, extrapolado ao ponto de sair da mensagem e colocar na cabeça de quem assiste de que racismo não é frescura
Essa extrapolação não estraga o filme, pelo contrário, ele te deixa aflito em cada situação, diálogos de preconceito e cenas de protestos pacíficos que acabam em caos e destruição, conflitos com traficantes de bairros perigosos e a opinião sobre o assunto com a pessoa que você considera melhor amiga, acrescenta a trama uma discussão real do que acontece ao redor do mundo e principalmente no Brasil, o julgamento equívocado dos brancos perante aos negros, o pensamento precoce de achar que todo negro é traficante, fez alguma coisa errada ou anda armado, o roteiro se desenvolve se apoiando exatamente nessas cenas fortes e trabalhando os alívios para um filme que não te deixa respirar na maioria do tempo.
Explorando o Racismo
Mesmo que a ideia do filme foi explorar o racismo, ainda sim conseguiu divertir em poucas cenas, funcionando como alívio e podendo aproveitar o filme sem cansar, mas que pela sua densidade, não pode ser chamado de blockbuster, e claramente nem deveria.
A atriz Amandla Stenberg se destaca não só por ser a protagonista, mas pelo amadurecimento da personagem, uma jovem negra que não ligava para o que acontecia ao seu redor, cheia de amigos brancos que não entendiam o que era racismo, vivia julgada pelas loirinhas de classe alta por ter um namorado branco, mesmo sabendo que era julgada pela sua cor, ainda não conhecia o que era o racismo, até o primeiro acontecimento, a escalada de situações racistas na trama crescem junto com a visão da personagem, a fazendo entender o que um negro passa em uma sociedade de supremacia branca, um único momento racista, já causa a divisão da sociedade, perda de amigos e até conflitos familiares.
Assustador saber que essa trama é real e está presente no dia a dia, o que explica não só na vida real como no filme, porque o negro não pode ficar calado, nunca engolir as palavras, e sempre lutar contra o racismo, mensagem passada a todo momento, é gritada por muitos na atualidade, e deverá sempre ser dita para não se esquecer, mensagem que apaga mais do que por completo o fato desse filme existir um romance por trás, certas coisas ficaram esquecidas em cena, mas que não incomodaram o simbolismo desse filme.
O Ódio que Você Semeia…
O Ódio que Você Semeia poderá ser lembrado nas premiações da academia, junto com Infiltrados da Klan e até Pantera Negra, colocando questões como representatividade, preconceito e o pensamento burro de alguns que realmente acreditarem que racismo é frescura, mas Este traz um critério diferente, uma escalada do racismo que precede ao caos e a guerra onde o ódio ultrapassa a razão, mensagem que explica exatamente o título do filme, essa obra de arte deve ser vista por todos, sem exceção, principalmente aos que não sabem como funciona o racismo, é uma produção maravilhosa e uma lição para a vida.