O cinema nacional está com tudo. Depois do incrível Bacurau, que conseguiu (finalmente) conquistar as plateias nacionais, chegou em outubro Morto Não Fala. filme de gênero que já fez sua estreia lá fora, mas esperou um pouquinho para aparecer nas telonas nacionais.

O motivo? Uma bela estratégia dos produtores e diretores que primeiro reproduziram o longa em festivais estrangeiros para obter aqueles famosos “selos” e comentários da gringa, a fim de incentivar as plateias aqui.

Trama de horror, suspense, sobrenatural e gore, a história gira em torno de um plantonista noturno do IML, Stênio, que possui um dom macabro: o de falar com os mortos. Sozinho, a noite, enquanto ele faz a limpeza, preparação dos corpos e autópsia, ele aproveita sempre para bater um papo com os falecidos. A conversa em geral só ajuda na identificação dos corpos, às vezes em fazer os defuntos entenderem o que foi que os fez parar ali, mas mesmo sabendo segredos da tumba, há algumas regras para o “superpoder” do protagonista: Segredo de morto é segredo de morte.

Em uma relação complicada com sua esposa, e dois filhos, a vida de Stênio muda quando na mesa aparece um conhecido dele, e pior, ele tem um segredo escabroso para o protagonista. A partir desse ponto, o sobrenatural, o cruel e o macabro invadem a vida do plantonista, que descobriu – da pior forma – o que significa utilizar as informações do outro lado.

Trabalho do diretor Dennison Ramalho, o roteiro foi construído a partir de contos de horror do jornalista do Marco de Castro, e conta com Daniel de Oliveira (o muso dos filmes nacionais) no papel de protagonista.

Misturando suspense, sobrenatural, gore e mistério, Morto Não Fala se revela um filmão de gênero, sendo surpreendente, criativo e carismático. Como pontos negativos temos que apontar alguns efeitos de CGI que deixam a desejar, principalmente nas cenas dos cadáveres que falam. Algumas atuações também carecem de mais trabalho, e eu achei a fotografia meio escura demais em um ponto ou dois, dificultando um entendimento imediato. O último ato é meio rápido, mas eu não tive problemas com isso, sai da sala satisfeita e muito contente de ver como o terror está chegando com tudo nas produções nacionais.

Filmão para perder todos os preconceitos com o cinema nacional, e arrancar muito fã de horror da cadeira, muito melhor que várias produções enlatadas americanas. Morto Não Fala convence, assusta e diverte, sendo uma ótima pedida para fãs do gênero.