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Hoje vamos com um artigo especial com o oitavo episódio de Star Wars, onde interpretamos algumas cenas de Os Últimos Jedi, a representatividade e a semiótica das personagens.

Confira também: Star Wars: Os Últimos Jedi | Review

Diferente do REVIEW, neste artigo quero tratar de algumas coisas pontuais que vi em Star Wars: Os Últimos Jedi, ou seja, está repleto de spoilers. Recomendado permitido para quem já viu o filme. 

Fracasso e Esperança

“O fracasso, é o melhor professor”. Esta é a frase icônica dita por Yoda a Luke (Mark Hammil) no filme, e que representa em todo seu âmbito, a mensagem em Os Últimos Jedi.

A começar, com a própria Resistência. A cada filme que passa, o número cai desastrosamente, principalmente pós os eventos da Starkiller dizimar quatro planetas – e frotas – inteiras em O Despertar da Força.

Hoje em dia, a Resistência cabe toda numa Millenium Falcon, como visto no fim do longa dirigido por Rian Johnson. Seria esta, a última centelha que acendeará fogo na tocha da esperança da rebelião daqui pra frente?

Mesmo com um Poe extremamente arrogante – e até insuportável em algumas ações – ele é o cara que “botará” a Resistência nos trilhos da galáxia, demonstrando um ar de liderança e confrontamento a frente de Leia e Holdo.

Arrogância Jedi 

O fracasso também permeia entre os Jedi, e principalmente com a linhagem Skywalker – e não quer dizer que não foram vitoriosos nesses anos todos – mas significa que o sacrifício é necessário.

E parece que chegamos num pronto crítico da finada Ordem Jedi, que Luke nem ao menos conseguiu começar uma nova turma de doze aprendizes.

É explícito nesse filme que não só com Snoke (culminando em sua morte), mas com o Lado Luminoso também acontece, e muito, como bem dito Mestre Yoda. Eu já falei de como adorei o diálogo dele com o Luke? 

Esses pontos são interessantes e dão aquela humanizada nos Jedi. Isto mostra que há falhas, erros e decisões erradas, independente do lado trilhado, tirando aquela visão maniqueísta dos episódios IV, V e VI.

O Sangue Skywalker

O que causou mais burburinho nas interwebs foram as decisões de Luke Skywalker, seja em querer atacar o próprio sobrinho, seja por não querer sair do planeta onde estava refugiado, usando do artifício da projeção.

Primeiro, devemos entender a personalidade do jovem Luke com o de agora. O que mudou – se é que realmente mudou? O que ele deixou pra trás e o que ele aprendeu com seu fracassos?

Pessoalmente, sempre achei o Luke instável em toda a franquia (veja o vídeo de sua luta com Darth Vader, o ódio em seus olhos) e é extremamente louvável utilizar desta característica neste filme. Com relação a fatídica cena com Kylo, ele mesmo disse “foi um segundo de raiva”, e mesmo voltando atrás, foi o estopim de toda a atual situação.

Luke abandonou o treino com Yoda para trilhar o seu coração, salvando seus amigos e deixando de lado todo aquele ensinamento Jedi – principalmente dos livros. Na cena em que temos Luke quase atacando Ben, ele mostra isso: seu lado emotivo fala mais alto, já que mesmo sabendo que o mal consumiu toda a alma de seu sobrinho – e que ele poderia dar um fim ali mesmo – o amor a família falou mais alto.

A Natureza da Força 

Nessa, ele procura a reclusão e parte para Ahch-To, local onde surgiram os primeiros Jedi, e um local onde poderia conseguir respostas – principalmente quanto a natureza da Força.

É ali que dá o entendimento de algo muito interessante e que dá um dos fechamentos belos para o legado de Luke: Não adianta destruir o mal pelo mal, e sim descobrir do porquê do bem (no caso Ben ou Anakin, por exemplo) cair no Lado Sombrio da Força. Com isso, mesmo que relutante, ele tem uma paciência maior com Rey – mesmo ela aparentando ter um grande poder latente – do que teve com seu sobrinho.

Com relação a sua projeção, este foi um artifício de inteligência, provando que Luke adquiriu grande sabedoria nesses anos – uma que talvez ele não conseguiria chegar a tempo na luta final contra as tropa de Kylo-Ren.

A cena em que ele “dá beijinho no ombro” após receber uma alvejada de tiros é impactante não por seu ato em si, e sim pelo o que a LENDA LUKE SKYWALKER representa em toda a galáxia.

Claro que ele sozinho não derrotou uma Estrela da Morte (há um exército por trás) ou desviou de todos aqueles tiros, mas escolher este artifício da projeção, dá um poder maior a Lenda Jedi na galáxia, cria motivações (como no garotinho com a vassoura no final) e claro, renova a esperança. Mais uma vez, a cena foi um tapa na cara na arrogância!

Mais Conversa e Menos Maniqueísmo

Enquanto que nos episódios IV, V e VI tínhamos os dois lados bem divididos, e sabíamos de modo escancarado o que era o Bem e o Mal, na nova trilogia – em especial neste último filme – os lados se “conversam”.

Primeiro com o contato entre Rey e Kylo (protagonizando cenas belíssimas, alá Sense8), onde cada um quer puxar para o seu lado. Visivelmente, este pode ser o tal “Equilíbrio da Força” que tanto se falou – uns acreditam que a Rey por si só é o equilíbrio – e espera-se que tenhamos mais disso no derradeiro episódio IX.

Segundo que Rey e Kylo agem mais pelo instinto, emoção, sendo que um é complementar ao outro; ambos possuem objetivos claros e pessoais, e estarem em um lado X ou Y foi um advento de suas vidas.

O Lado de Ben

Confesso que Os Últimos Jedi foi o filme de Kylo-Ren – interpretado por Adam Driver. Os Últimos Jedi trouxe toda sua insegurança, angústia e dúvida, transformando aquele personagem mimado do episódio VII, em algo mais complexo, completo e com uma motivação mais clara.

Uma cena marcante é de quando ele quebra o capacete. Será que ele desistiu de ser como seu avô Darth Vader? Ele não deve provar mais nada a ninguém? Principalmente por Snoke (Andy Serkis) agora estar morto.

Já almejando uma teoria é de que: Kylo seguirá seu próprio caminho, desgarrando cada vez mais do Lado Sombrio.

A Menina Que Roubava Livros

Ainda não ficou claro sobre o passado de Rey (Daisy Ridley) e seus pais. Apesar de terem citado que eram apenas pessoas comuns, ainda dá um espaço para este plot ser trabalhado no próximo filme – ou você acha que ficou por isto mesmo?.

Como Ren, a jovem pouco sabe do que há no universo e busca por respostas – de tudo. É nessa que ela parte em seu treinamento com Luke, recluso em Anch-To, revivendo tudo o que a gente já viu com Luke e Yoda no passado, uma garota com o olhar sonhador e peito cheio de esperança.

Cada vez mais claro que a Força está acima do Jedi, do que é ser um Jedi. A Força, presente em tudo e todos, exerce de forma diferente em cada um. Como Luke já bem entendeu esta Natureza, de nada adianta ele passar ensinamentos de combate e treinos com o sabre. O que Rey na verdade precisa, é entender como a Força funciona – sem contar que ela roubou os manuscritos Jedi, sem o Luke saber. 

Em Nome da Rosa

Nos anos 70/80 tínhamos uma representante nata feminina, com Leia, dona de suas escolhas, mas ainda sim, ela era “a única mulher da galáxia”, como a própria atriz Carrie Fisher soltava em entrevistas. Os Últimos Jedi veio para dar um plus nisso, colocando ainda mais representatividade e número.

Começando com a primeira mulher asiática da franquia, Rose Tico (Kelly Marie Tran), que mesmo tendo um arco fraco dentro de Os Últimos Jedi, empolga com seu carisma e ímpeto de ação.

Fazendo uma dupla com Finn (John Boyega), eles encenam uma aventura por Canto Bight, uma região de casinos e jogatinas para os ultra-ricos da galáxia. A missão é falha, mas a mensagem não: a fagulha da esperança está presente em todo o universo – vide o garotinho escravo e a utilização de sua Força ao pegar a vassoura no chão.

O Silêncio de Holdo

Ainda dentro da representatividade feminina, podemos citar Maz Kanata (Lupita Nyong’o) e Capitã Phasma (Gwendoline Christie), mas que realmente ganhou destaque junto a Leia/General Organa, foi Holdo, interpretada por Laura Dern.

Ela mantém a Resistência com os pés no chão, o que vai de encontro com Poe (Oscar Isaac), que quer se arriscar, mas não se intimida; ela vai além, é ousada e seria a perfeita líder que gostaríamos de ver pós a morte de Carrie Fisher.

Mas bem, por surpresa – como tantas outras no filme de Rian Johnson – ela se sacrifica numa cena magnífica, icônica e silenciosa. A pequena participação de Dern na franquia deixou um grande rastro de coragem e glória em toda a vastidão da galáxia.

Diamante Negro

Acabando com diversas teorias e algumas poucas se concretizando, o episódio IX fica uma incógnita – ainda bem!

O que podemos esperar da relação entre Rey e Kylo-Ren daqui em diante? Como Poe e Leia recomeçarão suas ações a bordo da Millenium Falcon? Luke deve aparecer em sua forma fantasma no próximo filme e auxiliar Rey a construir um novo sabre/arma de luz?

Quem são os Cavaleiros de Ren? Será que eles podem aparecer neste próximo filme? Por onde eles andam? Seriam 6 que sobraram?

E vocês, o que acharam de Os Últimos Jedi? Quais as expectativas para o próximo longa?