A primeira edição da DragCon Brasil serviu tudo o que prometeu e ainda deixou o público pedindo mais. Durante os dias 5 e 6 de junho, o Expo Center Norte se transformou em um verdadeiro templo da arte drag, reunindo centenas de fãs, dezenas de artistas nacionais e internacionais e uma programação que entregou carisma, originalidade, ousadia e talento!
O evento levou para São Paulo a experiência completa das suas edições internacionais, com palcos temáticos, meet & greets, experiências interativas e os famosos DragBooths, estandes individuais onde as queens recebiam os fãs para fotos, autógrafos, entrevistas e aquele contato próximo que faz qualquer stan sair realizado.
Abertura em alto nível
A abertura já começou com o astral lá em cima. O humorista Bruno Motta, criador da Gongada Drag, assumiu o Main Stage com um stand-up recheado de shades e piadas. Entre brincadeiras sobre a Copa do Mundo, ressaltando que boa parte do público LGBTQIA+ estaria mais interessada nos jogadores do que nos jogos, ele também fez questão de lembrar que esse momento de celebração no evento só era possível graças a uma comunidade que mantém a arte drag viva há décadas.
Na sequência, Bruno chamou ao palco Grag Queen e Ikaro Kadoshi. E, claro, a partir daí o reading challenge começou antes mesmo da competição se iniciar no palco Extravaganza! Ao apresentar Grag como a “RuPaul tupiniquim”, arrancou gargalhadas da plateia. Já ao alogiar Ikaro a chamando de linda, mencionou que ela já estava “careca de saber disso”, e a queen devolveu o shade na mesma moeda ao dizer que não responderia porque seria “golpe baixo”, fazendo referência à altura do apresentador.
Depois das brincadeiras, o clima ficou emocionante. Em um discurso poderoso, Ikaro lembrou que a arte drag sempre foi sobre ocupar espaços que muitas vezes pareciam inalcançáveis.
“Ontem e hoje serão dias que vão ficar marcados para a história do Brasil. Vimos pessoas realizando sonhos, encontrando artistas que esperaram anos para conhecer e descobrindo que pertencem a algo muito maior. Vocês não são apenas espectadores. Tudo isso foi feito para vocês”.
Se alguém ainda não estava completamente tomado pela energia da celebração, o Pink Carpet tratou de resolver isso. O momento mais aguardado do evento reuniu cerca de 40 queens em uma gigantesca runway rosa que atravessava o pavilhão. As divas desfilaram com seus looks elaboradíssimos, serviram fashion, glamour e muito fan service enquanto o público se espremia ao redor da passarela para tentar uma foto, um aceno ou qualquer interação com suas favoritas.
Category is: história sendo feita!
Enquanto isso, o Main Stage já começava a entregar os primeiros grandes momentos do fim de semana.
Um dos shows mais comentados foi o “Gagacabana por Penelopy Jean”. Considerada uma das maiores impersonators da Lady Gaga do Brasil e do mundo, ela recriou os melhores momentos do histórico show da Mother Monster em Copacabana e levou a plateia à loucura.
Ao longo do dia, os DragBooths permaneceram movimentados. Entre selfies, autógrafos e entrevistas, alguns dos estandes mais disputados foram os das brasileiras Grag Queen, Betina Polaroid e Fontana, reforçando o favoritismo do público brasileiro pelas queens locais.
Outro momentos de um dos mais emocionantes do evento veio da Eureka. A queen apresentou uma versão emocionante de “This Is Me“, trilha do filme O Rei do Show, conectando a música à sua trajetória como mulher trans e big queen.
“Nem sempre drag precisa ser um high kick ou um split. Eu amo quando a performance significa algo para mim”, afirmou a artista, emocionada.
Já Priyanka mostrou por que segue sendo uma das maiores fan favorites da franquia. Com vocais ao vivo, hits que estavam na boca do povo, coreografias e presença de palco de popstar, a vencedora do Canada’s Drag Race simplesmente serviu tudo no Main Stage!
O encerramento do Main Stage ficou por conta de Grag Queen, que incendeou o pavilhão inteiro com um show eletrizante e vocais fenomenais.
Outros palcos
Enquanto isso, os outros palcos também entregavam tudo. No Extravaganza, Silvetty Montilla provou mais uma vez por que é uma verdadeira comedy queen. Ela chamou pessoas da plateia para participar de competições de dança e distribuiu shade e piadas sem dó para os participantes, arrancando gargalhadas constantes de quem estava assistindo.
Já o Eleganza mostrou que drag também é informação, debate e representatividade. Um dos destaques foi a palestra “Sem Tabu, Sem Preconceito: Saúde Anorretal e Autocuidado na População LGBTQ+”.
“Nós sabemos com o que estamos lidando, não precisa ter vergonha. Antigamente se aprendia sobre chuca em qualquer lugar menos em ambientes tradicionais. Hoje isso está mudando”, explicou o proctologista Vinícius Lacerda.
O palco também recebeu um bate-papo entre o estilista Dudu Bertholini e Miranda Lebrão sobre moda, identidade e criatividade.
Outro momento que fez o público ir ao delírio foi o concurso de bate-cabelo comandado pela lendária Márcia Pantera. Entre giros, piruetas e performances frenéticas, a veterana mostrou que continua sendo mother e arrancou gritos da plateia a cada batida de cabelo, mas também provocou lágrimas ao falar sobre como a arte drag transformou sua vida, e como almeja que as futuras gerações continuem tendo a arte drag como agende transformador de suas mudanças de vida também.
Entre fotos, autógrafos e filas quilométricas nos DragBooths, as queens também tiraram um tempinho para o coração com a gente sobre suas carreiras, sonhos e a importância de participar da primeira edição da DragCon Brasil. E teve de tudo: emoção, nostalgia, shade e até fofoca de bastidor.
Drag Race e UK vs The World com Fontana
Uma das entrevistas mais concorridas foi a de Fontana, que fez história ao se tornar a primeira drag brasileira a competir em duas temporadas internacionais da franquia Drag Race, a da Suécia e a UK vs The World. A queen revelou que jamais imaginou que sua trajetória a levaria tão longe.
”Foi sempre o meu maior sonho, mas um sonho muito sonhado. Vindo de São Leopoldo e da minha história, teve momentos em que eu não tinha mais esperança. Nunca existiu um momento em que eu tive certeza de que isso aconteceria”.
Ao falar sobre sua experiência ao lado de RuPaul, ou “Mama Ru“, como carinhosamente a chamam, Fontana revelou que chegava a tremer nos estúdios.
”Ela surte um efeito no corpo da gente que a alma sai do corpo. Eu estava sempre nervosa. Mas ela foi muito atenciosa conosco. Saí de lá ainda mais fã”.
Questionada sobre o que diria para si mesma antes da fama, a resposta veio como um verdadeiro mantra para futuras queens:
”Mona, não desiste. Vai pra aula de costura. Volta pro balé. Vai fazer teu babado porque você ainda vai brilhar muito”.
E quando precisou escolher entre enfrentar o frio de -40°C da Suécia ou os fãs de diva pop no Twitter, Fontana não pensou duas vezes:
“Os fãs de diva pop! Porque no fim das contas, a motivação vem do amor. E eu como fã da Britney sei como é, pois também defendo ela lá. Já o frio da Suécia… amiga, menos 40 graus não dá”.
Quem também chamou atenção foi a drag e figurinista Shandra, conhecida por trabalhos ligados aos shows de Madonna, Shakira e Lady Gaga no Todo Mundo no Rio. Responsável pelos acabamentos da icônica faixa usada por Gaga em Copacabana e por figurinos da turnê de Shakira, ela celebrou a oportunidade de estar na DragCon ajudando as amigas no Booth da Pink Flamingo.
“Era uma coisa que parecia meio inalcançável para a gente aqui no Brasil. Ver os fãs celebrando as artistas brasileiras desse jeito é emocionante”.
Shandra também revelou que a ideia de participar de uma futura temporada de Drag Race já não parece tão distante.
”Eu tinha muito receio da exposição. Mas a Poseidon já me convenceu. Ela falou: ‘No próximo é você!”.
Entre as convidadas internacionais, Coco Montrese não economizou elogios à edição brasileira.
”O Brasil é especial para mim. As queens daqui estão no topo. É energético, colorido e divertido. Essa DragCon é a melhor DragCon. Nem posso dizer uma favorits pois tenho tantas amigas aqui. Sou sempre muito bem recebida aqui, amo demais o Brasil”.
Já a mexicana Gala Varo destacou a importância histórica da primeira edição latino-americana do evento.
“Existe uma fora de fazer drag muito bonita no Brasil. É uma honra fazer parte da história deste país”.
Ao lado dela, Horacio Potasio afirmou que o Brasil parece ser o lugar perfeito para transformar a DragCon em uma tradição anual.
Questionadas sobre quais artistas brasileiras o público internacional deveria conhecer, as respostas vieram sem hesitação. Elas escolheram Organzza, Ruby Nox e Adora Black.
Quando perguntamos se Horacio estará mesmo na temporada Latin Royale de Drag Race, ela preferiu manter o suspense.
“Não posso confirmar nem negar a informação, mas tem que dar tempo ao tempo”.
Outra veterana da franquia, Alexis Mateo, revelou que sonhava participar da edição brasileira desde o anúncio do evento.
”Quando eu soube que teria uma DragCon no Brasil, pensei: eu preciso estar lá.”
A queen também surpreendeu ao declarar sua admiração por artistas brasileiras.
”Eu adoraria gravar uma música com Pabllo Vittar. Ela é como a RuPaul para mim”.
Alexis ainda fez questão de elogiar a criatividade do drag brasileiro.
“Os drags latinas de outros países e as latinas brasileirs têm algo em comum: ambas nascem da cultura que explode em criatividade”.
A queen ainda brincou sobre um detalhe que chamou sua atenção durante a passagem pelo país:
“Tem muitas pessoas bonitas aqui. Isso definitivamente ajuda”.
Shannon Skarllet e a cena carioca
Representando a cena carioca, Shannon Skarllet recebeu uma das recepções mais calorosas do evento. A artista comparou a experiência da DragCon Brasil com a edição de Los Angeles, da qual já participou.
”Lá foi incrível, mas nada supera receber carinho brasileiro. É por isso que todas as queens querem vir para cá.”
Ela também comentou o sucesso inesperado do famoso bordão que viralizou nas redes sociais assim que sua chamada para o Drag Race Brasil foi exibida, onde ela dizia que era “B-U-C-E-T-A = bonita”.
“Quando eu vi aquilo viralizando eu pensei: gente, o que está acontecendo? Foram milhões de visualizações do nada”.
E como toda boa drag queen, Shannon encerrou a entrevista entregando humor sem filtro. Ao ser questionada sobre a maior mentira já ouvida nos bastidores, respondeu sem pensar:
”Quando uma drag fala que a neca ou a larissinha não está doendo depois de horas montada com a calcinha cravada. Impossível, amiga!”.
CONFIRA NOSSA THREAD COM DEZENAS DE VIDEOS DA DRAGCON BRASIL 2026
🍹 Estamos na RuPaul’s DragCon Brasil. Segue a thread de como está o evento!
Aqui o Main Stage pic.twitter.com/NIFWYigsQc
— Suco de Mangá (@sucodm) June 6, 2026




