Eu não conhecia o Dirty Honey antes do festival. Ouvi o disco homônimo de 2022 nos dias que antecederam o Monsters of Rock 2026 — e acabei chegando lá já fã. No palco, a banda confirmou tudo o que o álbum prometia: mais maduros, mais densos e com uma entrega de veteranos que contrastou bem com a abertura do Jayler logo antes.
A apresentação começou às 12h30, no pico do calor. Era impossível ignorar a temperatura, mas o Dirty Honey ignorou. E quem estava na grade, suado e de cerveja na mão, também esqueceu o sol rapidinho.
Marc LaBelle: o frontman que desceu ao público e ganhou o festival
O grande nome da tarde foi o vocalista Marc LaBelle. Com uma energia que evoca Axl Rose nos anos de ouro, ele não ficou parado atrás do microfone e até desceu para o público mais de uma vez.
LaBelle impressionou nos tons ultra-agudos, bem na vibe setentista mesmo. Ao lado dele, gostei demais do guitarrista John Notto, com riffs quentes e cortantes, se é assim que posso dizer. Justin Smolian no baixo e Jason Ganberg na bateria não fizeram feio, e completaram na cozinha muito bem.
De Minecraft ao Monsters of Rock: como “When I’m Gone” chegou a uma nova geração
Um dos pontos mais curiosos da apresentação foi o impacto de “When I’m Gone” entre o público mais jovem. A música entrou na trilha sonora de Um Filme Minecraft e ganhou fôlego renovado, atraindo uma fatia de ouvintes que talvez nunca tivesse chegado ao hard rock pelos caminhos tradicionais. No festival, isso foi visível: rostos novos cantando junto uma banda que muitos descobriram pelo jogo.
Não é à toa que São Paulo é a segunda cidade no mundo que mais escuta o Dirty Honey no Spotify. Fazia muito sentido!
Repertório coeso e uma inédita que animou o público
O setlist equilibrou bem hits consolidados como “Rolling 7s” e “When I’m Gone” com músicas mais frenéticas, como “Won’t Take Me Alive”. O momento mais curioso ficou por conta de “Lights Out”, inédita que deve integrar o terceiro álbum de estúdio da banda.
Alguma crítica existe, claro. O Dirty Honey ainda trabalha dentro das fórmulas estabelecidas do hard rock clássico, sem grandes rupturas com suas influências. Mas no contexto de um festival deste porte, casou bem e soou mais como consistência do que limitação.
SETLIST DIRTY HONEY – MONSTERS OF ROCK 2026
1. Gypsy
2. California Dreamin’
3. Heartbreaker
4. The Wire
5. Don’t Put Out the Fire
6. Another Last Time
7. Lights Out
8. When I’m Gone
9. Rolling 7s
GALERIA DIRTY HONEY – MONSTERS OF ROCK 2026
Fotos por: Josué Sepe


