chloe zhao oscar
POOL/AFP
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A diretora e roteirista Chloé Zhao entrou para a história na 93ª edição do Oscar: Ela é a segunda mulher asiática, em mais de uma década, e a primeira mulher de outra etnia – Sem ser branca -, a ganhar um Oscar!

A chinesa, natural de Pequim, levou a estatueta na categoria “Melhor Direção” com NOMADLAND, o terceiro filme de sua carreira. E em tempos em que a premiação abraça as diversidades, Zhao venceu nomes como Thomas Vinterberg (Druk: Mais uma Rodada), David Fincher (Mank), Lee Isaac Chung (Minari) e Esmerald Fennell (Bela Vingança).

Em seu discurso de aceitação, Zhao fez seus agradecimentos a toda a equipe que trouxe Nomadland a vida, e contou sobre sua fé nas pessoas:

Eu tenho pensado muito nisso ultimamente, sobre como eu continuo quando as coisas ficam difíceis. E eu acho que isso se refere a algo que aprendi quando eu era criança. Quando eu estava crescendo na China, meu pai e eu costumávamos jogar este jogo: Memorizávamos poemas e textos clássicos chineses, recitávamos juntos e tentávamos terminas as frases um do outro.”

Zhao diz que lembra de uma em especial, com carinho: “人之初,性本善,“, que significa “As pessoas, no nascimento, são inerentemente boas“. E ela continua:

Essas seis letras tiveram um grande impacto sobre mim quando eu era criança, e eu ainda acredito verdadeiramente nelas hoje em dia, embora às vezes possa parecer o contrário. Mas sempre encontrei bondade nas pessoas que conheci, em todos os lugares que fui no mundo“.

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Finalizando o discurso, Zhao dedica a estatueta:

A qualquer pessoa que tenha a fé e a coragem de se apegar à bondade de si mesmo e de se apegar à bondade uns dos outros, não importa o quão difícil seja fazer isso. Isso é para você: Você que me inspira a continuar. Obrigada!

A vitória de Zhao é, sem dúvidas, uma grande vitória para a diversidade étnica e de gênero. Antes da cerimônia de Domingo, em 93 anos, apenas outras quatro mulheres haviam sido indicadas: Lina Wertmüller (Pasqualino Sete Belezas); Jane Campion (O Piano); Sofia Coppola (Encontros e Desencontros); Kathryn Bigelow (Guerra ao Terror) e Greta Gerwig (Lady Bird).

SILENCIADA NA TERRA NATAL

O que poderia ser uma vitória e um grande motivo de comemoração na terra natal de Chloé Zhao, China, tornou-se motivo de silêncio e boicote: Segundo a CNN Brasil, a cerimônia não foi transmitida no país por nenhuma emissora e nem pelas plataformas de streaming. Além disso, nacionalistas pedem boicote a Nomadland e acusam Zhao de difamar o país. E ainda aqueles que ficaram felizes pela vitória, foram silenciados, tendo suas postagens em redes sociais censuradas.

Essa atitude do país foi muito diferente de quando, em Março, Zhao ganhou o prêmio de melhor diretora no Globo de Ouro, e a mídia estatal chinesa rapidamente a parabenizou, dando a ela o título de “O orgulho da China“. Mas por que as coisas mudaram tão rapidamente?

Ainda segundo a CNN Brasil, os internautas chineses descobriram uma entrevista de Zhao a revista americana Filmmaker, na qual a diretora criticou a China e colocou o país como um lugar “onde há mentiras por toda parte”. Em entrevista recente à mídia australiana, foi dito que Zhao disse que os Estados Unidos são seu país agora.

E embora tudo tenha sido um mau entendido, já que o próprio site esclareceu que a fala da diretora foi transcrita incorretamente, e que, na verdade, ela disse “Os EUA não são meu país”, de nada adiantou; O estrago foi feito e os nacionalistas tomaram o ambiente online acusando Zhao de “difamar a China“.

Como resultado, alguns internautas passaram a pedir o boicote ao filme; Os materiais promocionais de Nomadland foram removidos do Weibo, e o filme que seria lançado na China em 23 de Abril, saiu de cartaz dos principais cinemas do país.

Embora Zhao não adote uma postura crítica à China, bastou um comentário de oito anos atrás e um mau entendido recente para que seu filme fosse silenciado na sua terra natal. Por hora, não há perspectiva de que seu filme seja lançado na China.

NOMADLAND

O filme conta sobre uma mulher na casa dos 60 anos, que embarca em uma viagem pelo Oeste Americano depois de perder tudo na Grande Recessão, vivendo então como uma nômade moderna. O filme foi dirigido e escrito por Chloé Zhao, e estrelado por Frances McDormand. A resenha que o SUCO fez, você pode conferir AQUI.

No Oscar 2021, o filme foi indicado nas categorias “Melhor Filme“, “Melhor Direção“, com Chloé Zhao e “Melhor Atriz“, com Frances McDormand, levando nestas três, a estatueta. NOMADLAND também foi indicado nas categorias “Melhor Roteiro Adaptado“, “Melhor Fotografia” e “Melhor Montagem“.

Na premiação Globo de Ouro, NOMADLAND venceu nas categorias “Melhor Direção” e “Melhor Filme – Drama“; No BAFTA 2021, ganhou nas categorias “Melhor Filme” e “Melhor Direção“; No Independent Spirit Award, venceu nas categorias “Melhor Filme” e “Melhor Direção“.

CHLOÉ ZHAO

Conhecida por seus trabalhos em filmes independentes americanos, Zhao é uma diretora, roteirista, produtora e editora natural de Pequim, China, que teve parte da sua formação escolar e acadêmica no ocidente; Ela terminou o ensino médio em Londres, graduou-se em Ciências Políticas pela Mount Holyoke College e estudou Produção de Filmes na Escola de Artes Tisch na Universidade de Nova Iorque, ambas nos EUA.

Antes de Nomadland, Zhao estreou em 2010 com o curta “Daughters“, que lhe rendeu um prêmio. Em 2015, Zhao dirigiu seu primeiro longa: “Songs My Brothers Taught Me“, que estreou no Festival Sundance de Cinema e foi indicado ao prêmio de Melhor Longa-Metragem no 31º Independent Spirit Award.

Em 2017, seu segundo longa “The Rider” foi aclamado pela crítica e foi indicado ao Independent Spirit Award nas categorias “Melhor Filme” e “Melhor Diretor“. Mas foi Nomadland, lançado em 2020 que atraiu reconhecimento e trouxe inúmeros prêmios! Recentemente, Zhao se aventura em “Eternals“, um filme de super-heróis da Marvel com previsão de lançamento para Novembro de 2021.

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