Inspirado em um dos contos mais macabros e pesados de Stephen King, somos apresentados a mais uma refilmagem de um dos filmes mais marcantes do gênero de terror: Cemitério Maldito

O longa vem com tudo para assustar a nova geração que não conhece essa história, fazendo-os entender o porquê desse clássico ser tão exaltado, além de causar aquele mal estar e incômodo que o velho filme causou aos mais velhos, além de silenciar um pouco esses chatos comparadores de livro e filme.

Uma nova tonalidade

Literalmente uma refilmagem, todos os elementos do antigo filme são trabalhados como na primeira adaptação, mas dessa vez modificando a fotografia, cenas iluminadas deram lugar para névoas densas, noites escuras e tons acinzentados que lembram muito coisas mortas e em decomposição, esse novo filme trás uma sensação muito mais de horror e macabro para quem comparar com o antigo filme, se equilibrando com os sustos extrapolados que te faz pular da cadeira e levar seu coração até a garganta, tudo bem produzido e facilmente absorvido.

Toda a trama envolvendo a morte de um dos filhos nos leva a uma profundidade de roteiro já conhecida pelo filme de 1989 e pelo livro de 1983, a escolha do pai por enterrar seu filho morto no cemitério indígena e trazer o mesmo de volta à vida, todo o macabro da cena nos leva a refletir o quão doente e perturbada estava a mente do pai em luto, isso só cresce com a agonia e o desespero da mãe ao ver seu filho morto de volta a vida, e no momento em que o mesmo abraça sua mãe, o terror psicológico já está incluso, fazendo você agonizar junto com a mãe, a transformação do pai em uma espécie de sub-vilão da trama divide opiniões, se ele estava com a razão pelo amor por sua filha, ou estava errado por ir contra as leis da natureza, por mais absurdo que pareça, essa dúvida bate, e acabamos nos colocando no lugar dele.

A mistura de cenas de susto, ambientes macabros e terror psicológico é a chave para te manter com medo e agonia do início o fim, no quesito terror, pode-se dizer que essa refilmagem assusta mais que o antigo filme, mas permanece bem abaixo do livro, porém o objetivo não era superar nem um e nem outro, e sim te vender uma experiência aterrorizante no cinema, essa missão foi cumprida.

Cemitério Maldito
Cemitério Maldito (Imagem Divulgação)

Covas no Roteiro

Cemitério Maldito de 2019 também têm seus furos de roteiro, que te fazem apelar para uma suspensão de descrença um pouco maior, mas ainda sim fomos apresentados a uma cena galhofa que te faz torcer o nariz.

Para quem já leu o livro ou assistiu o antigo filme, coloca em cheque todo o conjunto da obra, quase colocando esse filme em um nível desastroso de refilmagem, porém a cena só é justificada caso você absorveu a ideia que o filme traz, as controvérsias que geram o terror psicológico são o motivo da “desculpa” para esse filme funcionar, mas a Paramount Pictures quis trabalhar algum marketing maior no filme e resolveu colocar um cover de Ramones com a música Pet Semetary, o que ficou legal e te faz abraçar o filme como uma refilmagem excelente, mas que a cena piegas talvez tenha travado a empolgação pelo que foi assistido e tira sua imaginação do que poderia ter acontecido em seguida, talvez melhor finalizar com uma trilha macabra para causar aquele mal estar de uma cena pesada que poderia ter ocorrido, mas o nível gore do filme é leve, então não havia necessidade colocar uma cena de morte explícita, sendo que já existe no filme.

Resumindo todo esse argumento, a cena galhofa pode dividir opiniões e te fazer esquecer tudo o que sentiu ao assistir Cemitério Maldito de 2019, talvez seja por isso que as críticas estão divididas.

Cemitério Maldito
Cemitério Maldito (Imagem Divulgação)

Livro vs Filme

Há um assunto que deve ser destacado, o público insiste em criticar negativamente uma adaptação por ser diferente do livro, com todo respeito a vocês leitores de inúmeras obras, mas aprendam de uma vez por todas, que uma adaptação têm como objetivo transformar um livro ou quadrinho em um filme direcionado para a massa popular, isso vale para qualquer gênero, sejam sagas de livros como Harry Potter e Senhor dos Anéis, quadrinhos da Marvel ou DC Comics, e até contos dos irmãos Grimm que resultaram nas princesas da Disney e outros filmes infantis.

Os próprios reboots e remakes são isso e eles têm o mesmo objetivo que as primeiras obras, atingir a massa popular para gerar grandes bilheterias, caso esse objetivo seja bem sucedido, que bom para os estúdios e dane-se os velhos de pensamento tradicional, pois essa falta de criatividade de Hollywood já ocorre a um bom tempo.

Eu sou um cético quanto a reboots e remakes, acho que é a pobreza de idéias estampada na testa de Hollywood, mas eu li a obra de Stephen King e assisti o filme de 1989, ao sair da sessão do novo Cemitério Maldito, achei fantástica, para não dizer vários palavrões que definem um filme sensacional, me causou medo, me fez pensar quanto as escolhas doentes do pai, me fez agonizar como a mãe, me fez querer assistir de novo, tudo o que eu já senti quanto a esse que é um dos meus livros favoritos, me fez sentir de novo como se nunca tivesse visto essa história antes, é um filme que eu indicaria para muita gente que é fã do gênero terror.

cemiterio maldito 2019
Cemitério Maldito (Imagem Divulgação)

Remake digno

Com exceção dos comparadores de filme/livro de plantão, Cemitério Maldito não vem superar o livro e nem o antigo filme, apenas está aqui para se apresentar às novas gerações que não conhece esse grande clássico do terror literário e cinematográfico, e ainda consegue causar medo e agonia para muitos leitores e velhos fãs do filme de 1989, furos de roteiro são supridos pelo terror macabro e psicológico com algumas cenas de susto aterrorizantes.

É uma refilmagem não só bem sucedida mas também um sucesso para gênero de terror, esse filme facilmente supera todas as tentativas de terror do ano de 2018, finalmente podemos dizer que temos um filme de terror que causa medo – porque os últimos filmes de terror foram aterrorizantes…de ruim.