Betina Vlad e o Castelo da Noite Eterna é um livro nacional escrito por Douglas MCT e lançado pela Editora AVEC. Uma daquelas obras que mostra porque os escritores e as obras nacionais merecem mais da nossa atenção.

Fiel aos Monstros

Imaginem se Bram Stoker e Mary Shelley fossem apenas ghost-writers. E se seus livros, Drácula e Frankenstein não fossem apenas livros e sim biografias não-autorizadas? E se tudo que você viu nos filmes clássicos da Universal não passasse de um “baseado em casos reais”, só que distorcido para gerar aversão dos humanos pelos monstros? E se esses monstros e outros personagens clássicos da literatura de horror tivessem herdeiros?

Bem, é isso que Betina Vlad e o Castelo da Noite Eterna te oferece. E sim! É um livro infanto-juvenil que possui clichês de obras desse gênero como: um protagonista que é considerado problemático perante a sociedade e então descobri que é mais do sempre pensou; um grupo formado pelo protagonista e mais dois personagens sendo um deles um possível interesse romântico do personagem principal. Mas apesar dos clichês ainda assim vale a pena se falar sobre essa obra e por que ela não é apenas mais um livro na prateleira.

Primeiramente o universo em que a história se passa tem vida própria (ou seria morte nesse caso), é um mundo fiel aos monstros, fiel a suas fraquezas, maldições e habilidades, e com um potencial enorme a ser explorado. A boa premissa de que monstros, ou melhor sobrenaturais (forma como eles referem-se a si mesmos), existam e vivem escondidos, para se proteger da Inquisição Branca – uma organização que os caça e tem influência gigantesca dentro da sociedade humana – é bastante chamativa. A tal Inquisição Branca é a responsável por coloca-los como vilões na maior parte das obras, o cria um clima de conspiração que te faz pensar um bocado depois da leitura. Com quem você estava envolvido, Lon Chaney?

A história também não se priva de sangue, tendo cenas de batalha bem avermelhadas, dignas de vampiros, lobisomens, golens, bruxas e outros seres góticos.

A Vampira Brasileira

Segundamente temos Betina, a protagonista. Uma personagem brasileira que fala gírias expressões tipicamente brasileiras de uma forma tão natural, que faz com que ela tenha uma personalidade familiar (Quase como se eu tivesse estudado com ela durante algum momento do ensino médio).

Betina é filha de Drácula com uma humana, o que faz dela uma meio-vampira. Com direito a forma animal, se transformar em nevoa, além de força e reflexos acima da média. Mas pra compensar ela tem que ser convidada para entrar nos recintos.

Seu ciclo de amizades inclui a cabeça decepada de Lucila, sua melhor amiga (é uma longa história), Adam, um golem, o quarto filho do Dr.Victor Frankenstein, e Tyrone Talbot, um lobisomem que se acha o cara mais awesome do mundo.

Explodindo Cabeças e Um Baita Gancho

E Terceiramente o final, que tem um plot twist que te faz pensar: “Caraca! Agora tudo faz sentido!” e então emenda isso com uma luta sensacional. Serio eu não esperava por aquele final. A história estava encerrando todo feliz e então aquela revelação.

Eu estaria sendo hipócrita se dissesse que a obra não possui erros. Tem um momento da história onde uma passagem do tempo fica bem confusa. Em um momento estava de madrugada, então uma luta e uma fuga depois já é hora da novela das nove. Não fala se a Betina fugiu, se escondeu e continuou a noite, então a passagem de tempo fica meio controversa.

Ainda assim, a obra consegue retratar temas como preconceito e fanatismo religioso. Trazendo situações que nos fazem refletir sobre como a sociedade e suscetível a manipulações por parte de alguns pregadores (O que me fez lembrar de quantas vezes já me falaram que Pokémon era coisa do demônio).

O Castelo da Noite Eterna é o primeiro livro de uma provável série e entrega todos os elementos de uma aventura fantástica: uma protagonista em uma jornada de autoconhecimento; acompanhada de aliados excêntricos; com direito a romances, lutas e um gostinho de “quero mais” ao final da leitura.

Betina Vlad
Betina Vlad (Capa Divulgação)